Estado tem desafio de reduzir gastos com pessoal

Proporção de 92 aposentados por 100 servidores é a mais alta entre estados do Nordeste e a sétima do País

Legenda: Crescimento das despesas obrigatórias, sobretudo com pessoal e previdência, é desafio para o Estado
Foto: Foto: José Leomar

Embora a situação fiscal do Ceará esteja acima da média dos estados brasileiros, a relação entre ativos e inativos não é confortável, uma vez que a folha de pagamento do Estado contempla 92 aposentados e pensionistas a cada grupo de 100 servidores da ativa.

A constatação é de Vilma da Conceição Pinto, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) e especialista em política fiscal regional, durante o Fórum Ceará em Debate, realizado na manhã de ontem (8), no Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Conforme levantamento do Ibre/FGV, a proporção de ativos e inativos do Ceará é a mais alta do Nordeste e a sétima entre os estados brasileiros, atrás apenas do Rio Grande do Sul (162,7), Minas Gerais (128,7), Rio de Janeiro (106,3), Santa Catarina (100,5) e Espírito Santo (97,7).

Por outro lado, a especialista ressaltou que, em 2018, a exemplo do que ocorreu em anos anteriores, o Ceará se destacou nos quesito "investimentos públicos". "Quando a gente observa o volume de investimentos em relação a tudo o que o Governo gastou Estado a Estado, o Ceará foi o que mais investiu no ano de 2018", diz a especialista, que é responsável pelas projeções fiscais do Ibre/FGV.

Receitas

Segundo Vilma, na atual conjuntura econômica, a tendência é que os estados continuem aumentando suas receitas. No entanto, isso por si só não resolve a questão fiscal, diante do crescimento das despesas obrigatórias, sobretudo com pessoal e previdência.

"Ainda é preciso fazer reformas e, principalmente, aumentar a transparência para um melhor diagnóstico", disse Vilma da Conceição Pinto, pesquisadora do Ibre/FGV

Segundo o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), quase 90% dos municípios cearenses têm gestão fiscal "difícil" ou "crítica". Em 162 municípios cearenses, a receita gerada não é suficiente sequer para custear os gastos das estruturas administrativas das prefeituras.

Conforme levantamento do Ibre/FGV, a proporção de servidores ativos e inativos do Estado do Ceará é a mais alta do Nordeste e a sétima entre os estados brasileiros

 


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