Como o aumento na conta de luz vai impactar a cadeia produtiva do Ceará

Para a categoria de consumidores de alta tensão, o reajuste aprovado pela Aneel ficou em 24,16%

Escrito por Lívia Carvalho, livia.carvalho@svm.com.br

Negócios
indústria
Legenda: Setor produtivo será impactado com o aumento das contas de energia
Foto: Fabiane de Paula/SVM

Os setores econômicos vêm sofrendo com impactos financeiros desde o início da pandemia e, agora, mais uma medida deve agravar a situação. Com o reajuste de quase 25% nas contas de energia, a produção de insumos, por exemplo, deve encarecer ainda mais no Ceará.  

Nessa terça-feira (19), foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o reajuste anual das tarifas da concessionária Enel Ceará.  

O diretor de Gestão Energética do Sindienergia-CE (Sindicato das Indústrias de Energia do Ceará), Paulo Siqueira, aponta que, certamente, vai haver um grande impacto no setor industrial. Para a categoria de consumidores de alta tensão, o reajuste ficou em 24,18%.  

Para aquelas indústrias que ainda estão no ambiente cativo o impacto será grande, isso porque eleva o custo da produção, por isso, precisam pensar em acelerar uma contratação de produção livre ou de geração distribuída”.  
Paulo Siqueira
diretor de Gestão Energética do Sindienergia-CE

Segundo Siqueira, a perspectiva é de que os aumentos sejam ainda maiores, porque a partir de 2023 os consumidores vão começar a pagar a conta do empréstimo que está sendo realizado.  

Acima do esperado 

O aumento, inclusive, foi superior às expectativas de especialistas da área, que esperavam uma alta entre 10% a 15%, conforme já havia sido noticiado pelo colunista do Diário do Nordeste, Victor Ximenes.  

O diretor de Gestão Energética do Sindienergia-CE explica ainda que aquela previsão tinha relação com expectativa de que a inflação fosse arrefecer nos primeiros meses deste ano, uma vez que estes índices têm alto impacto.  

“Além disso, o empréstimo que estava sendo aprovado para as distribuidoras ainda não foi creditado. Até as próximas semanas deve ser liberado o valor de R$ 5,3 bilhões para cobrir os custos do período de escassez hídrica, se esses valores fossem repassados antes, poderia haver um alívio”, pontua.  

Siqueira destaca ainda que, embora tenha sido anunciado o fim da taxa extra da bandeira de escassez hídrica, é possível que tenhamos uma cobrança extra ainda este ano, o que deve encarecer ainda mais as contas.  

Bola de neve 

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, pondera que essa adequação já era aguardada, mas não se imaginava que seria nessa proporção.  

“Simplesmente pegou todo mundo de surpresa, acredito que isso terá que ser revisto, não sei onde buscaram esse indexador, a energia é um insumo essencial, foge a todos os indicativos que nós temos”.  
Freitas Cordeiro
presidente da FCDL-CE

Por isso, de acordo com ele, o reajuste vai impactar muito o comércio, que já vem amargurando as perdas causadas por quase dois anos de lockdown, além dos impactos econômicos.  

“Nós já temos uma inflação teimando em crescer, vem se juntar a escalada de combustíveis e isso é terrível. A bandeira tarifaria já um castigo, aí quando sai e é com esse reajuste. As perdas que poderemos ter serão terríveis”.  

O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE) ressalta ainda que o aumento real para os consumidores de alta tensão será de 4,2%, em média. 

"Isso eleva o custo da produção e encarece ainda mais a cadeia produtiva, e paro consumidor afeta ainda mais a capacidade do consumo", acrescenta.