Estado prospecta negócios na China
Com a retomada da política exportadora, a ZPE Ceará torna-se a âncora para atrair investidores chineses
Com a crise econômica e consequente retração do mercado interno -sustentáculo da economia nos últimos 10 anos-, o Ceará se volta novamente ao exterior. Ancorado na Zona de Processamento das Exportações (ZPE Ceará), o governo do Estado está indo prospectar na China o que anda escasso no Brasil: investidores e parceiros comerciais com capacidade técnica, recursos e interesse em viabilizar projetos estratégicos para a economia cearense.
Neste sábado, o secretário para Assuntos Internacionais do Ceará, Antonio Balhmann, viaja em missão oficial à China, acompanhando o Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (Mpog), Cláudio Puty, para tratar das prioridades brasileiras e chinesas no Acordo Brasil-China. Na "bagagem" leva projetos de interesse do Ceará, como o da refinaria de petróleo - relegada pela Petrobras -; siderurgia, o da ferrovia Transnordestina, além de propostas de parcerias público privadas (PPP) para áreas de gestão e logística do Porto do Pecém.
Oportunidade
"Vamos aproveitar a viagem para apresentar aos chineses oportunidades de negócios no Ceará nas áreas de petróleo, energia, logística e ferrovia", sinalizou Balhmann. Segundo ele, a viagem dá sequência prática a visita do governador Camilo Santana à China, no último mês de agosto, e aos assuntos tratados entre o governador, a presidenta Dilma Rousseff e o Primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, na ocasião da sua visita ao Brasil, quando foi celebrado acordo bilateral de US$ 56 bilhões.
"O Ceará é o único estado brasileiro que tem acompanhado diretamente as tratativas deste acordo", declarou o secretário, para quem a participação direta nas negociações do Brasil com a China é fundamental para incluir os interesses do Ceará e agilizar o início da execução das prioridades estabelecidas.
Com a reestruturação da ZPE (única em operação no País) e a retomada da política econômica exportadora no Brasil, Balhmann diz que tem boas expectativas quanto a atração de investimentos para o Ceará. "O Estado ganha muito com os investimentos dos chineses, por isso estamos trabalhando fortemente para atraí-los, especialmente para a ZPE", ressaltou o secretário, lembrando que já há algum tempo os chineses vêm preparando o ambiente financeiro para eles no Ceará e no Brasil, a partir, por exemplo, da aquisição do ex-cearense BIC Banco.
Âncora
Balhmann defende que em meio ao novo cenário econômico exportador, o Ceará tem de aproveitar a ZPE como âncora para atrair novos empreendimentos externos, mas também internos que tenham potencial de comércio exterior. Nesse sentido, ele planeja viajens a Nicarágua e ao Panamá, onde pretende prospectar novos negócios e -a partir dos benefícios fiscais e tributários das ZPE - atrair para o Ceará indústrias de calçados que - mesmo tendo filiais no Brasil - operam nesses países em função das facilidades de exportação que só agora o Estado começa a dispor.