Prêmio Jabuti 2021 abre inscrições e busca maior diversidade no regulamento

Novidades referentes à mais tradicional comenda literária e editorial do País foram anunciadas durante coletiva da Câmara Brasileira do Livro (CBL)

Legenda: Neste ano, prêmio abraçou novas perspectivas frente à raça, cor e gênero, e promoveu ajustes em eixos
Foto: Divulgação

Mais tradicional honraria literária e editorial do Brasil, o Prêmio Jabuti 2021 está com inscrições abertas a partir desta quinta-feira (6), seguindo até às 18h (horário de Brasília) do dia 1º de julho deste ano.

Em sua 63ª edição, o evento busca maior diversidade no regulamento a partir de mudanças que oportunizam a participação de autoras, autores e editoras de todo o País.

O anúncio foi realizado na manhã de hoje, durante coletiva de imprensa promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pela comenda. Na ocasião, estiveram presentes o curador do prêmio, Marcos Marcionilo, e o conselho curador, composto por Ana Elisa Ribeiro, Bel Santos Mayer, Camile Mendrot e Luiz Trigo

O presidente da Câmara Brasileira do Livro, Vitor Tavares, também apresentou com exclusividade as novidades da edição. A primeira delas é com relação ao ambiente das inscrições, que passa a ser o Portal de Serviços da CBL

Legenda: Marcos Marcionilo é o curador do Prêmio Jabuti deste ano
Foto: Divulgação

Autores(as) e editores(as) que já possuem cadastro podem efetuar o login com o usuário preexistente, ou adicionar um novo, e selecionar “Prêmio Jabuti”. Por sua vez, os novos usuários precisarão efetuar um cadastro, criar um login e uma senha antes de selecionar “Prêmio Jabuti” e dar sequência à inscrição. 

Ainda que, pelo quinto ano consecutivo, os valores das inscrições não tenham sido alterados, nesta edição, de forma excepcional, haverá um desconto de 10% para todas as inscrições realizadas nos primeiros 30 dias, compreendendo de hoje (6) até as 23h59 de 4 de junho de 2021.

A promoção é válida para todos os participantes, autores(as) independentes, editoras, editores, associados e não associados da CBL, e também para todos os tipos de inscrição – obra individual ou coleção.

Multiplicidade

Conforme Marcos Marcionilo, a predominância de mulheres no conselho curador do prêmio deste ano levou a outra mudança: um reconhecimento, no texto do regulamento, da igualdade de gênero. Quem teceu maiores detalhes sobre a questão foi Ana Elisa Ribeiro.

“Fizemos uma mudança no que tem sido chamado ao redor do mundo de linguagem inclusiva, mas não é só para atender a esse tipo de demanda. É porque, de fato, as mulheres vêm recebendo Jabutis e participando de todas as categorias. Isso foi explicitado no regulamento na forma de todos os femininos. Tentamos tirar aquela história do universal, do neutro, e colocamos lá Autores e Autoras, Ilustradores e Ilustradoras, e por aí vai. Está tudo bem explicitado neste ano”.
Ana Elisa Ribeiro
Membro do Conselho Curador da 63ª edição do Prêmio Jabuti

A perspectiva da pluralidade também abraçou, na plataforma de inscrições, questões que envolvem raça e gênero. Segundo Bel Santos Mayer, tudo foi um processo de aprendizagem, culminando nesse panorama mais abrangente. “Passados 62 anos do prêmio, é relevante pensar o quanto tem sido importante, para todas as políticas, demarcar quem somos, qual a nossa cor, raça, etnia e gênero”.

Assim, o quesito “gênero” – já presente na edição passada, porém numa categoria aberta, consequentemente dificultando as análises de autoria e eclipsando classificações mais consistentes – terá como categorias Homem Cis, Mulher Cis, Homem Trans, Mulher Trans, Travesti, Pessoa Não-binária e uma categoria aberta, Outro.

“Colocamos esta última porque sabemos que essas classificações que colocamos não são suficientes para o debate que está colocado. De todo modo, elas nos permitirão, ao menos, conseguir organizar e fazer uma leitura”.
Bel Santos Mayer
Integrante do Conselho Curador da 63ª edição do Prêmio Jabuti

Já nos quesitos “cor” e “raça”, foi optado seguir as categorias estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  De acordo com Bel Santos Mayer, tais classificações oferecem possibilidades de analisar, nos vários conjuntos populacionais, os dados que são coletados.

“Então, em ordem alfabética, temos amarela, branca, indígena, parda e preta. Vai ser a primeira vez que vamos coletar esse dado com uma discussão bastante consistente sobre autoria indígena, autoria negra… Vimos isso como um passo bem importante”, destacou, também mencionando o desejo do prêmio de incluir, cada vez, produções literárias que muitas vezes continuam às margens do mercado editorial, a exemplo daquelas feitas nas periferias dos conglomerados urbanos.

Marcos Marcionilo situou ainda que é desejo da CBL utilizar esses dados posteriormente, orientando ações editoriais por parte de seus associados. “A atenção a essas classificações não é ceder a um modismo, é mesmo buscar posições diante das questões que nós demos, e o Jabuti, tendo tantas inscrições, pode ser uma amostra significativa”.

Legenda: A educadora Bel Santos Mayer faz parte do Conselho Curador do Prêmio Jabuti deste ano
Foto: Divulgação

Eixos e prêmios

Outra modificação realizada neste ano diz respeito ao eixo Ensaios, que passa a se chamar Eixo Não Ficção. A designação do eixo Livro também passou por ajuste, sendo agora referenciada como Eixo Produção Editorial, compreendendo, assim, todas as formas de produção e elaboração do conteúdo literário. 

Dessa maneira, as categorias do Prêmio Jabuti 2021 ficam organizadas nos quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.

Na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior –  uma parceria da CBL com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) –, há novas formas de premiação para a editora nacional da obra vencedora. Além da estatueta, caso já seja filiada ao Projeto Brazilian Publishers, a editora será contemplada com uma Bolsa de Apoio à Tradução, no valor de R$5 mil. 

Legenda: Os contemplados com o Jabuti recebem a estatueta e o prêmio de R$5 mil; por sua vez, o vencedor na categoria Livro no Ano ganha a estatueta e o valor de R$100 mil
Foto: Divulgação

O montante poderá ser utilizado para traduzir uma nova obra de seu catálogo do português para qualquer outro idioma. Caso ainda não faça parte do Brazilian Publishers, a editora brasileira premiada será contemplada com um ano de participação integral no projeto que promove a literatura brasileira no mercado internacional. 

Quanto ao prêmio recebido pelos vencedores de cada categoria, os contemplados recebem a estatueta e o prêmio de R$5 mil. O(a) vencedor(a) da categoria Livro no Ano será premiado(a) com a estatueta e o valor de R$100 mil. Caso a obra premiada seja uma coautoria, o prêmio em dinheiro é dividido, após a dedução dos impostos legais. Os editores das publicações premiadas são contemplados com a estatueta do Prêmio Jabuti.

Perspectivas

Dedicada sobretudo à seara das publicações infantis e juvenis, Camile Mendrot explicou na coletiva que, após conversa com escritores (as), editores (as) e ilustradores (as), percebeu-se uma carência de uma análise da relação entre a forma e o conteúdo das obras, do objeto livro – principalmente em títulos pertencentes à categoria Literatura Infantil, do eixo Literatura, e Artes, do eixo Não-Ficção.

Por isso mesmo, todo e qualquer livro inscrito neste ano pode, além de anexar o arquivo digital da obra, também incluir complementos – vídeos, fotos ou quaisquer outras intervenções audiovisuais.

“Assim, possibilitamos que o júri, se ele ainda não conhece aquela obra, possa saber de todos os recursos que o objeto livro traz ali”.
Camile Mendrot
Integrante do Conselho Curador da 63ª edição do Prêmio Jabuti

Como exemplos, ela apontou páginas que extrapolam o livro, concepção sanfonada de páginas ou em lâminas soltas, trabalhos com leituras em duas vias, entre outros. “Tudo isso pode ser mostrado por imagens e por audiovisual”.

Outros assuntos também foram mencionados na coletiva: a permanência da categoria Romance de Entretenimento – uma das que mais promoveram discussões no ano passado, quando foi estabelecida “visando garantir uma maior inserção de todo mundo”, segundo Luiz Trigo; a divulgação dos finalistas em duas listas (primeiro contemplando um maior número e, depois, com os que, de fato, vão concorrer nas categorias); e a realização ainda virtual da cerimônia de premiação, em virtude dos efeitos da pandemia de Covid-19.

Tanto a divulgação dos finalistas desta edição quanto a realização da cerimônia de anúncio das obras vencedoras acontecerão em novembro deste ano. “Esperamos um prêmio Jabuti muito diverso, contemplando tudo que aconteceu no ano de 2020 e neste ano, tão difíceis para todo o segmento do mercado editorial, para o varejo do livro e para a produção literária”, apontou Vitor Tavares, presidente da CBL.

Consulta pública e homenagem

Nesta 63ª edição, novamente o público poderá autoindicar ou recomendar nomes para a composição do  júri do Prêmio Jabuti, por meio da consulta pública que será desta quinta-feira (6) a 6 de junho de 2021. Basta preencher o formulário disponível no site do prêmioOs indicados são verificados e validados pelo Conselho Curador, que também é responsável por selecionar profissionais de todo o país para complementar o júri.

No que diz respeito ao reconhecimento anual que o prêmio concede a um nome da literatura brasileira, o escritor Ignácio de Loyola Brandão foi o escolhido para receber a homenagem Personagem Literária neste ano. Na bagagem, o autor acumula ao menos 47 livros – entre romances, contos, crônicas, viagens, infanto-juvenis e teatro – além de inúmeras reportagens escritas no Brasil e em países como Itália e Alemanha.

“Este convite salva a minha vida, reconhece a minha obra e justifica a minha história”, afirmou ele para a CBL ao saber da condecoração.

O escritor já foi premiado com cinco Prêmios Jabuti, sendo o mais recente pelo livro “Se for pra chorar, que seja de alegria” (Global Editora, 2016), em 2017. 

Também recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, em 2016, e é membro das Academias Paulista e Brasileira de Letras, além de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Araraquara. 

Legenda: O escritor Ignácio de Loyola Brandão é a Personalidade Literária do Jabuti deste ano
Foto: Leticia Gullo

Panorama 

Na mais recente edição do Prêmio Jabuti, realizada no ano passado, “Solo para vialejo”, de Cida Pedrosa, publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), venceu nas categorias Livro do Ano e Livro de Poesia. Por sua vez, “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior, publicado pela Todavia, ganhou na categoria Romance Literário.

Também receberam destaque as obras “Uma furtiva lágrima” (Record), de Nélida Piñon, vencedor na categoria Crônica; “Urubus” (Confraria do Vento), de Carla Bessa, na categoria Conto; “Uma mulher no escuro” (Companhia das Letras), de Raphael Montes, na categoria Romance de Entretenimento; e “Pequeno manual antirracista”, de Djamila Ribeiro, vencedor na categoria Ciências Humanas, entre outros.

Em solo cearense, seis trabalhos foram semifinalistas da 62ª edição da honraria, que teve a poeta Adélia Prado como Personalidade Literária. Entre eles, estavam os nomes de Jarid Arraes, Bruno de Castro, Tino Freitas, Ary Bezerra Leite, Camila Vieira da Silva e o da editora Tempo d'Imagem. Destes, apenas Jarid Arraes e seu “Redemoinho em dia quente” (Alfaguara) foram selecionados para a final da premiação, na categoria Conto.

Serviço
Inscrições para 63ª edição do Prêmio Jabuti
A partir desta quinta-feira (6) até 1º de julho, às 18h (horário de Brasília) por meio do Portal de Serviços da CBL. Mais informações por meio do site oficial do prêmio

 

*O repórter participou da coletiva a convite da Câmara Brasileira do Livro

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