Exposição instala obras de arte em forma de vaca pelas ruas de Fortaleza

Para além da beleza, projeto também arrecada fundos para instituições beneficentes

A partir desta sexta-feira (9), o fortalezense pode se deparar com uma obra de arte ao virar a esquina, no percurso cotidiano entre a casa e o trabalho. Ruas e equipamentos da Capital receberão a instalação de 55 telas em forma de vacas, promovidas pela 12ª edição da CowParade.

O projeto surgiu há quase duas décadas criado pelo artista suíço Pascal Knapp que viu no animal uma forma criativa de reproduzir trabalhos de artistas. Feitas em fibra de vidro e em tamanho real, as ruminantes estão afixadas em pontos como o Mercado dos Peixes, Praça dos Mártires, Praça José de Alencar, Caixa Cultural e Estoril.

"Fazemos uma logística de distribuição em função dos pontos importantes, turísticos, onde todo mundo vai poder ter acesso a essas obras. Porém, também procuramos diversificar o máximo possível. Não vai ter só na Beira Mar, vamos pro Centro, para os terminais", pontua a organizadora geral do CowParade Fortaleza, Catherine Duvigmau.

As obras foram produzidas por pessoas locais entre amadores e profissionais como pintores, grafiteiros, artesãos, arquitetos e designers. Há dois meses, os interessados em estampar um dos modelos enviaram material para ser submetido a uma curadoria com expoentes cearenses.

Obras

O artista plástico Valmir Sousa foi um dos selecionados e optou por retratar o recorte de uma pesquisa que desenvolve há 10 anos. "A minha obra fala sobre o modo de vida dos cangaceiros, sob uma ótica da não violência, da resistência. Eu deixei de tocar naqueles temas que o cangaço é sempre atribuído", explica. Ele completa que tentou buscar inspiração até na origem da palavra cangaço. "Canga é um instrumento usado pelos animais como tração, é como os cangaceiros carregavam nas costas, como boi. Talvez a minha busca tenha sido essa ligação entre uma coisa e outra".

A pintura feita de tinta acrílica e com técnicas em óleo tem referências como mandalas, chapéus e botijas. A cor amarela está presente em alusão ao ouro e sol do Nordeste.

Convidado para pintar uma das vacas no lançamento da CowParade em Fortaleza, o artista Narcélio Grud buscou explorar as várias representações que o animal tem em diversas partes do mundo.

"A ideia foi trabalhar as simbologias que já existem nela. Na Índia, ela é sagrada; no Brasil, ela é alimento. Tem um paradoxo que fala 'a vaca foi pro brejo' como sinônimo de algo que tá afundando. A pintura tem um pouco disso. Uma parte da vaca, através das cores, está em uma dimensão e uma parte está em outra", divaga Narcélio. Na criação foram empregadas tinta spray própria para arte urbana, que potencializa a durabilidade da peça.

As obras vão ficar expostas em espaços públicos até o dia 9 do mês que vem. Em seguida, todas ficarão reunidas no Shopping Iguatemi, até o dia 17 de dezembro.

Leilão

O valor estético não encerra a participação da CowParade na cidade que abriga uma edição do projeto. Na verdade, ele é um meio para introduzir uma ação com entidades sociais.

"As obras são colocadas nas ruas para o público poder apreciar, deixar a cidade ainda mais bonita. Mas a finalidade mesmo do evento é um trabalho beneficente que a gente faz através do leilão final das obras. Ou seja, as vacas são expostas na cidade e depois as pessoas podem arrematar e deixar em suas casas, fazendas, empresas", expõe a organizadora geral do evento.

Um leilão online será disponibilizado, a partir da semana que vem, para receber lances dos internautas. No dia 18 de dezembro, uma cerimônia vai possibilitar um arremate presencial, no buffet La Maison. O dinheiro arrecadado com a venda de todas as peças será doado para a Associação Peter Pan, Iprede e Lar Torres de Melo.