Uma pessoa morre e oito são internadas em São Paulo por intoxicação por metanol; entenda

As notificações chegaram ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox)

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 16:00)
Duas pessoas estão atrás de um balcão em um ambiente coberto, possivelmente em um evento ou feira. Em primeiro plano, há várias garrafas de bebidas alcoólicas visíveis. Ao fundo, há uma geladeira branca, estruturas metálicas no teto e estandes iluminados.
Legenda: A maioria dos casos foi registrada na cidade de São Paulo.
Foto: Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil

Uma pessoa morreu e outras oito foram internadas por intoxicação causada por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas no estado de São Paulo. Os casos ocorreram em menos de 18 dias, entre 1º e 18 de setembro, em São Paulo, Limeira e Bragança Paulista.

As notificações chegaram ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ceatox), em Campinas (SP), e encaminhadas ao governo federal. O órgão alertou que a ocorrência representa um cenário atípico.

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A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, classificou a situação como grave. Segundo ela, o número real de intoxicações pode estar subnotificado e “pode evoluir para surto”.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou nota nesta sexta-feira (26) destacando que os episódios são “fora do padrão para o curto período de tempo e também por desviar dos casos até hoje notificados de intoxicação por metanol”.

De acordo com o Ceatox, os registros diferem dos observados nos últimos dois anos, geralmente ligados à população em situação de rua. Desta vez, a ingestão ocorreu em ambientes sociais, como bares e festas, com bebidas variadas, incluindo gin, whisky e vodka.

Diante do alerta, o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Vigilância Sanitária estadual e órgãos de defesa do consumidor foram oficialmente notificados.

Para tratar do problema, uma reunião do Comitê Técnico do Sistema de Alerta Rápido (SAR) foi agendada para segunda-feira (29). O colegiado reúne representantes do Ministério da Saúde, Polícia Federal, Anvisa, Polícia Civil, Vigilância Sanitária, Receita Federal e órgãos periciais.

Casos em Limeira

Em Limeira, um homem de 30 anos foi internado em estado grave no dia 18 de setembro. Ele começou a apresentar sintomas três dias após consumir whisky em um churrasco.

Casos na capital paulista

Na cidade de São Paulo, foram notificados sete episódios distintos em diferentes regiões.

O primeiro ocorreu em 1º de setembro, quando um homem de 27 anos foi internado em estado grave após ingerir bebida alcoólica em uma festa universitária.

Outros três jovens, dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 23 anos, também apresentaram sintomas leves após o consumo no mesmo evento. Eles receberam alta hospitalar.

Segundo relatório encaminhado à Secretaria Nacional, a jovem teria ingerido gin durante a comemoração.

No dia 17 de setembro, um homem de 50 anos morreu em decorrência da intoxicação. Ele havia sido internado em estado crítico.

Também em 17 de setembro, outro paciente, de 62 anos, foi encontrado inconsciente em casa após beber um produto adquirido em mercado informal. Ele recebeu antídoto e passou por sessões de hemodiálise.

Um terceiro caso foi registrado no dia 18 de setembro, quando um homem de 35 anos precisou ser hospitalizado horas depois de consumir vodka em um bar.

Sintomas e riscos

O metanol, quando ingerido, inalado ou absorvido pela pele em contato prolongado, pode provocar náusea, tontura, perda da visão e até a morte.

Especialistas alertam que pequenas quantidades já são suficientes para causar intoxicação grave.

A orientação das autoridades é procurar imediatamente o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos primeiros sintomas.

De acordo com Marta Machado, a detecção precoce é fundamental para o tratamento. “O tempo de detecção é um fator muito importante para o tratamento, que pode ser feito via antídotos ou até hemodiálise”, afirmou a secretária.

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