Substância semelhante à anfetamina é encontrada em cigarros eletrônicos no Brasil, diz pesquisa

Proibidos no país, os dispositivos estão longe de ter fumaça inocente; agora, podem potencializar o vício e conter altas doses de nicotina

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:14)
Legenda: Especialistas apontam que vapes estão criando uma geração de viciados, iludidos pela promessa de que a fumaça dos dispositivos é inocente
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Vapes com substância semelhante à anfetamina – droga sintética que potencializa o vício – foram encontrados por pesquisadores do Brasil. 

O estudo foi liderado pela Universidade Federal de Santa Catarina e a Polícia Científica do estado. Na análise, foi possível identificar a octodrina, substância da mesma família da anfetamina e com efeitos semelhantes. A droga estava presente em três marcas diferentes circulando no Brasil.

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A substância entra para a lista ao lado de outras, como glicerol, propilenoglicol, formaldeído, acetaldeído, acroleína, acetona e nicotina. Elas são tóxicas, cancerígenas e a nicotina atua para viciar. As informações são do g1.

Embora ilegais no país, cigarros eletrônicos têm entrado no Brasil por meio das fronteiras e movimentado, segundo a Polícia, um mercado milionário.

Legenda: Anvisa reforça que dispositivos são proibidos no país, assim como a comercialização deles
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Especialistas apontam que esses dispositivos estão criando uma geração de viciados cada vez mais jovens, muitas vezes iludidos pela promessa de que a fumaça dos vapes é inocente.

Reversão da proibição

A incerteza sobre as substâncias e a quantidade delas na produção do mercado ilegal é um dos argumentos da indústria, que tenta reverter a proibição. Apesar disso, a medida não é um consenso. Médicos e especialistas em saúde são contra.

Um dos desafios da pesquisa, inclusive, foi obter, de forma legal, os cigarros eletrônicos. Para isso, foi necessária autorização de órgãos reguladores – processo burocrático e demorado. Isso porque, para uma pesquisa ter validade, não pode usar algo ilegal no país sem que isso seja monitorado.

Legenda: Glicerol, propilenoglicol, formaldeído, acetaldeído, acroleína, acetona e nicotina são substâncias encontradas na fumaça dos vapes
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Uma das possibilidades é conseguir os dispositivos em parceria com a polícia, que os apreende. Foi o que fez a Polícia Científica de Santa Catarina, que se uniu à Universidade Federal do estado e levou os vapes para o laboratório.

De acordo com os envolvidos no levantamento, em nenhuma das embalagens havia a descrição da presença da droga. Ou seja, as pessoas estavam consumindo-a sem saber.

O que é a octodrina

A octodrina é uma substância da mesma família da anfetamina, droga sintética estimulante que atua no sistema nervoso central. Ela causa agitação e, como consequência, afeta também o sistema cardiovascular, provocando taquicardia. Pode igualmente aumentar o potencial de vício nos cigarros eletrônicos.

O resultado da pesquisa, cabe salientar, ainda é preliminar. Segundo os estudiosos, ainda é preciso saber quanto de octodrina os vapes levam. Por ter sido identificada nos testes, a suspeita é de que não seja pouco.

Legenda: No Brasil, a Evali, doença pulmonar causada pelos cigarros eletrônicos, não é de notificação compulsória
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Sobre o assunto, a Anvisa reforçou que os dispositivos são proibidos no país, assim como a comercialização. E também alerta: a fumaça com cheiro agradável, longe de parecer com o cigarro comum, pode até confundir, mas não é água.

Com base no que é encontrado no exterior e sabendo que a maior parte do que é consumido no país é contrabandeado, as substâncias mais comuns são: glicerol, propilenoglicol, formaldeído, acetaldeído, acroleína, acetona e nicotina.

O que os médicos reforçam é que, apesar de não se saber exatamente o que há na fumaça, as evidências de que são prejudiciais já são visíveis: casos de internação, jovens viciados cada vez mais cedo em nicotina e doenças pulmonares.

No Brasil, a Evali, doença pulmonar causada pelos cigarros eletrônicos, não é de notificação compulsória. Ou seja, os médicos não são obrigados a notificar quando um paciente é tratado pela doença. Por isso, há subnotificação. Segundo a Anvisa, são nove casos até agora.

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