Professora presa por engano no Rio de Janeiro relata dias na prisão: '21 mulheres na cela'
Samara Araújo passou oito dias em um presídio feminino e foi solta na última sexta-feira (1º)
Uma professora de 23 anos foi presa, por engano, no Rio de Janeiro, após a Justiça da Paraíba expedir um mandado de um crime extorsão, cometido há 13 anos. Samara Araújo foi capturada em Rio Bonito, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. À TV Globo, a jovem narrou os dias em um presídio feminino, em Benfica.
"Eu arranjei um colchão no canto e fiquei os dias lá. Três noites eu dividi com uma pessoa de confiança, depois ela foi pra Bangu [outro presídio]. Todo dia chegava gente e ia gente embora. Era temporário. Mas chegou a ficar 21 mulheres na cela", descreveu.
Durante os dias presas por engano, ela relatou que se sentiu abandonada por familiares por não saber o que se passava fora da prisão. "Enquanto eu estava lá, eu não soube que estava todo mundo se juntando para me ajudar. Eu fiquei com a sensação que eu ia ficar lá abandonada", relatou.
O pai da jovem dormiu na porta da unidade prisional, dentro do carro, até a liberação dela por oito dias. A professora não conseguiu participar da própria formatura na graduação de Matemática, na Universidade Federal Fluminense.
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Ao g1, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que cumpriu apenas o mandado de prisão da Justiça da Paraíba. Já o Ministério Público da Paraíba disse que o grupo criminoso utiliza CPF de terceiros.
O Tribunal de Justiça da Paraíba detalhou que o alvará de soltura foi expedido.
Entenda o caso
A professora era acusada de cometer um crime de extorsão quando tinha 10 anos, contudo, segundo a lei, é proibido que uma criança ou adolescente respondam a crimes.
A jovem estava na casa de um aluno particular quando os agentes a capturaram.
O crime, que ocorreu em 2010, aconteceu contra um comerciante de São Francisco, na Paraíba. O homem foi coagido por um suspeito que relatava estar na frente da loja, com uma arma. Temendo pela própria vida, a vítima realizou transferências que totalizam R$ 8 mil.
Conforme a defesa da jovem, o CPF dela foi roubado pelos suspeitos e utilizado para abrir contas bancárias.