Caso Henry Borel: júri popular de Monique Medeiros e Jairinho começa nesta segunda-feira (23)

As penas podem chegar a mais de 50 anos de prisão para cada um dos acusados pelo homicídio do menino em 2021.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Foto da Oitiva de Testemunhas do caso Henry Borel.
Legenda: O júri popular do caso Henry Borel começa na manhã desta segunda-feira (23), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Foto: Brunno Dantas/TJRJ.

Começa nesta segunda-feira (23) o júri popular do caso Henry Borel, que tinha 4 anos quando foi morto, em março de 2021. Serão analisadas as acusações contra Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino.

Ambos estão presos e respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual. As penas podem chegar a mais de 50 anos de prisão para cada um deles.

Com previsão de durar de cinco a dez dias, o julgamento deve contar com a participação de 27 testemunhas e sete jurados, além dos advogados de defesa e da promotoria.

Uma reportagem do Fantástico deste domingo (22) antecipou estratégias das partes, mostrando as diferentes narrativas que serão apresentadas sobre o caso. 

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) não tem dúvidas sobre a autoria do caso. Por outro lado, as defesas afirmam que vão apresentar novas provas para provar a inocência dos acusados.

Relembre o caso de Henry Borel

Henry Borel Medeiros morreu no dia 8 de março, no bairro Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em trocas de mensagens no dia anterior ao crime, o engenheiro e vereador Leniel Borel (PP),  pai do menino, e Monique Medeiros demonstravam preocupação devido à resistência da criança em voltar para a casa da mãe.

Imagens do condomínio de Monique mostram Henry em dois momentos: à tarde, quando ela buscou o filho, que tinha passado o fim de semana com o pai, ao lado de Jairinho; e de madrugada, já imóvel, nos braços da mãe, sendo levado ao hospital.

O relatório médico aponta que Henry já chegou à unidade de saúde sem vida, e o laudo do Instituto Médico Legal diz que a morte foi causada por hemorragia interna e laceração do fígado, provocadas por ação contundente. Exames também identificaram 23 lesões no corpo da criança.

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O que diz a acusação

Ao contrário da versão apresentada inicialmente por Jairinho e Monique, de que o menino tinha caído da cama, a polícia afirma que a morte não foi acidental, e o Ministério Público denunciou o casal por tortura e homicídio.

As investigações apontaram que Henry teria sido torturado pelo menos outras três vezes antes de morrer.

O depoimento de duas ex-namoradas de Jairinho reforçaram o perfil violento dele. "A investigação mostra que ele tem um comportamento sádico, que ele gosta de maltratar crianças", afirmou o promotor do caso, Fabio Vieira.

A acusação aponta que a mãe "tinha um projeto de poder" e tentou blindar o ex-vereador, Dr. Jairinho. "Monique é aquela pessoa que é narcisista, que quer sempre se dar bem, não importa o que custar, e nesse caso custou a vida do filho", disse o promotor.

O Ministério Público vai pedir a condenação dos acusados.

Veja quais são as acusações contra Jairinho e Monique

Jairinho

  • Homicídio qualificado por meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima;
  • Três casos de tortura;
  • Coação de testemunha.

Monique 

  • Homicídio por omissão qualificado pelo motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima;
  • Duas torturas;
  • Coação de testemunha.

O que dizem as defesas

A defesa de Dr. Jairinho vai tentar demonstrar que não foram apurados indícios de que Henry poderia ter sofrido um acidente enquanto estava com o pai. Os advogados também prometem indicar os erros que teriam comprometido a perícia.

Outro ponto destacado é de que o laudo do IML, que teve seis versões complementares, teria sido modificado porque Leniel teria influência junto aos peritos.

"Verificamos que, a partir do quarto ou do quinto laudo, há uma manipulação clara, no mínimo há ali um tráfico de influência", afirmou o advogado Fabiano Lopes.

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a defesa de Monique Medeiros vai contestar a versão da Polícia e do Ministério Público de que ela sabia das agressões sofridas pelo filho. A defesa alega que a mãe só conseguiu perceber a violência que ela mesma sofria após a prisão.

"A Monique precisou ser presa para enxergar e montar cada peça desse quebra-cabeças e chegar à conclusão de que ela estava sendo manipulada", afirmou o advogado Hugo Novais.

Diante do júri, ela vai afirmar que Jairinho é o responsável pela morte de Henry. "Ela quer ver o responsável pela morte do filho ser condenado", disse a advogada Florence Rosa.

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