Astrazeneca diz que não irá vender vacinas para setor privado após governo dar aval para negociação

Em carta à empresa, Governo Federal disse que não tem objeção à compra de 33 milhões de doses pelo setor privado, desde que metade sejam doadas para o SUS

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Legenda: Farmacêutica Astrazeneca afirmou que não deve vender doses da vacina para o setor privado brasileiro, priorizando acordos com países
Foto: Ben STANSALL / AFP

A farmacêutica Astrazeneca, que desenvolveu vacina contra a Covid-19 em parceria com a Universidade de Oxford, afirmou que não vai vender doses do imunizante para o setor privado brasileiro por enquanto, após o Governo Federal dar aval para a compra. As informações são do jornal O Globo

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (26), a empresa afirmou que trabalha há sete meses para cumprir os acordos já firmados e garantir o fornecimento da vacina para o maior número possível de países ao redor do mundo.

"No momento, todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, incluindo da Covax Facility, não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado", disse a nota.

A empresa tem acordo com o Governo Federal para fornecer 100,4 milhões de doses da vacina até julho. O contrato prevê transferência de tecnologia para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que deve produzir pelo menos mais 100 milhões de doses. 

O Governo Federal enviou uma carta à Astrazeneca dando aval a possível compra de 33 milhões de doses do imunizante pelo setor privado. Metade das doses seriam doados para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Conforme o ofício, as empresas deveriam utilizar as doses para a vacinação de funcionários, e não para a comercialização. O governo afirmou não ter objeção à negociação, desde que haja doação de pelo menos metade das doses "imediatamente" ao SUS.

Acordo com a Fiocruz

A Fiocruz adiou a previsão de entrega das primeiras doses da vacina de Oxford para março. A promessa anterior, feita no final de dezembro, era fornecer o primeiro lote do imunizante por volta de 8 de fevereiro.

O adiamento ocorreu porque a importação IFA (ingrediente farmacêutico ativo) da China está atrasada. Após a chegada do insumo, a Fiocruz diz que ainda será preciso mais de um mês para o fornecimento das vacinas, já que, depois de produzidas, as doses ainda terão que passar por testes de qualidade. 

Conforme a presidente da fundação, Nisia Trindade, há negociações com a AstraZeneca sobre a possibilidade de receber 15 milhões de doses prontas, para garantir a imunização até a chegada do IFA. 

O Governo Federal importou 2 milhões de doses prontas da vacina da Astrazeneca/Oxford produzidas na Índia. Após o atraso do governo indiano em confirmar a entrega, o carregamento de imunizantes chegou ao Brasil na última sexta-feira (22). As vacinas já foram distribuídas aos estados

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