Índia nega vacina e Governo pede ao Butantan entrega "imediata" de 6 milhões de doses da Coronavac

País asiático argumenta que não é possível autorizar a transação enquanto não começar a campanha de vacinação na própria população

CoronaVac
Legenda: O Instituto Butantan é responsável pelo imunizante da CoronaVac em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac
Foto: Nelson Almeida / AFP

O governo da Índia negou a entrega imediata de um lote de imunizantes da Oxford/AstraZeneca ao Brasil, o que frustrou uma operação montada para buscar o material na Índia ainda neste fim de semana e deve resultar numa derrota política para o Palácio do Planalto.

Ainda nesta sexta-feira (15), contudo, o Ministério da Saúde enviou um ofício ao Instituto Butantan solicitando a entrega imediata de 6 milhões de doses importadas Coronavac. O documento, assinado pelo diretor do Departamento de Logística em Saúde, Roberto Ferreira Dias foi endereçado, nesta sexta-feira (15), ao diretor do instituto, Dimas Covas.

"Solicitamos os bons préstimos para disponibilizar a entrega imediata das 6 milhões de doses importadas e que foram objeto do pedido de autorização de uso emergencial perante a Anvisa", diz o pedido. "Ressaltamos a urgência na imediata entrega do quantitativo contratado e acima mencionado, tendo em vista que este ministério precisa fazer o devido loteamento para iniciar a logística de distribuição para todos os estados da federação de maneira simultânea e equitativa, conforme cronograma previsto no Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a Covid--19", acrescenta o ministério.

O Governo Federal informou para o Butantan que a Anvisa analisará os pedidos de uso emergencial de duas vacinas no próximo domingo (17).

4,5 milhões de doses à disposição

Dimas Covas afirmou mais cedo que 4,5 milhões de doses da CoronaVac já estavam à disposição do Ministério da Saúde.

"O Butantan já tem 4,5 milhões de doses rotuladas, prontas para serem entregues no centro de distribuição do MS. Só estamos aguardando essa autorização do ministério para fazer esse encaminhamento. [...] As cotas dos estados serão definidas possivelmente ainda na tarde de hoje. Definindo essa cota, o estado já vai imediatamente receber e encaminhar à Secretaria da Saúde", disse.

Lote da Índia

Na noite de quinta (14), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ligou para o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e fez um último apelo pela liberação de 2 milhões de vacinas produzidas pelo Serum Institute.

O lote seria um adiantamento do imunizante que posteriormente será produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e que é a grande aposta do governo Bolsonaro na "guerra da vacina" travada com Doria.

No entanto, Araújo ouviu que a situação só seria resolvida "nos próximos dias", o que foi entendido no Itamaraty como uma sinalização de que não haverá liberação no prazo desejado pelo Brasil. Não houve compromisso com uma data específica.

O argumento do país asiático é que não é possível autorizar a transação enquanto não começar a campanha de vacinação na sua própria população.

A comunicação com o indiano frustrou os planos de Bolsonaro de enviar um avião para buscar a carga na Índia. A aeronave da Azul Linhas Aéreas está no Recife (PE) pronta para decolar, mas permanecerá em solo enquanto não houver luz verde de Nova Délhi.

O governo prometia a partida para a noite desta sexta (15), com retorno previsto para o domingo (17). Em entrevista à rede Bandeirantes, Bolsonaro admitiu que a operação Índia seria atrasada.

"Foi tudo acertado para disponibilizar 2 milhões de doses [da vacina Oxford/AstraZeneca]. Só que hoje, neste exato momento, está começando a vacinação na Índia, um país de 1,3 bilhão de habitantes. Então resolveu-se aí, não foi decisão nossa, atrasar um ou dois dias até que o povo comece a ser vacinado lá, porque lá também tem pressões políticas de um lado e de outro. Isso daí, no meu entender, daqui a dois, três dias no máximo nosso avião vai partir e vai trazer essas 2 milhões de vacinas para cá", afirmou o presidente.

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