Pegar chuva faz mal? Vídeo de pais com bebê em temporal viraliza nas redes
Mestre em Microbiologia Médica explica assunto polêmico
Um momento alegre e emociante comoveu a web nesta semana, quando pais compartilharam nas redes sociais um vídeo brincando na chuva com um bebê. Na legenda, Ana Carolina Rezende afirma que tomar banho de chuva não causa gripe. A declaração, porém, gerou questionamentos de internautas.
Afinal, tomar banho de chuva causa gripe? Faz Mal?
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Em entrevista ao Diário do Nordeste em janeiro deste ano, a mestre em Microbiologia Médica e doutora em Saúde Coletiva pela UFC, Caroline Florêncio*, afirmou que tomar banho de chuva não faz mal e não causa gripe. A especialista explicou que o vírus da influenza é o único agente causador da doença.
Ainda na conversa, Caroline esclareceu outros mitos e verdades acerca do assunto.
MITOS E VERDADES
“Gripe mal curada pode virar uma pneumonia” é um mito. Caroline Florêncio disse que quando uma gripe se complica para uma pneumonia ela sequer foi tratada.
Confira algumas das complicações causadas pela gripe, especialmente em indivíduos com doença crônica, idosos e crianças menores de 2 anos:
- pneumonia bacteriana e por outros vírus;
- sinusite;
- otite;
- desidratação;
- piora das doenças crônicas;
- pneumonia primária por influenza, que ocorre predominantemente em pessoas com doenças cardiovasculares (especialmente doença reumática com estenose mitral) ou em mulheres grávidas.
O QUE ACONTECE SE PEGAR CHUVA?
Quando uma pessoa pega chuva ela pode ter contato com água contaminada por micro-organismos presentes em lixos e dejetos espalhados pela cidade, o que pode causar algumas doenças como leptospirose, hepatite A, febre tifoide e diarreia.
Leptospirose - é uma doença infecciosa grave, causada pela bactéria Leptospira, eliminada principalmente pela urina dos ratos. A transmissão da doença é feita pelo contato com água ou lama contaminada. Os sintomas são febre, dor de cabeça, na panturrilha, fraqueza, sangramentos na pele e mucosa e insuficiência renal.
Diarreia – é causada por vírus ou bactérias. A transmissão se dá pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Fezes moles, aumento do número de evacuações, dor de barriga, vômito, náuseas e febre podem indicar a doença.
Febre tifoide – é provocada por bactéria e está relacionada a condições ruins de saneamento básico e higiene pessoal. É transmitida por meio de água e alimentos contaminados com fezes e urina de pessoas com a doença. Febre alta, dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite, intestino preso ou diarreia estão entre os principais sintomas.
Hepatite A – é uma doença que atinge o fígado, transmitida por água ou alimentos contaminados. São sintomas: perda de apetite, febre, dores de cabeça, dor abdominal, mucosas e pele com cor amarelada e fezes brancas.
O QUE FAZER APÓS TOMAR CHUVA
Após tomar chuva é importante se enxugar e, assim que possível, tomar outro banho higienizando as áreas do corpo com sabonete e xampu, explica a especialista em epidemiologia.
CUIDADOS
Além da vacinação, o Ministério da Saúde orienta a adoção de medidas gerais de prevenção para toda a população. Elas são comprovadamente eficazes na redução do risco de adquirir ou transmitir doenças respiratórias, especialmente as de grande infectividade, como vírus da gripe.
- Lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel, principalmente antes de consumir algum alimento;
- Utilize lenço descartável para higiene nasal;
- Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir;
- Evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
- Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
- Mantenha os ambientes bem ventilados;
- Evite contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe;
- Evite sair de casa em período de transmissão da doença;
- Evite aglomerações e ambientes fechados;
- Procure manter os ambientes ventilados;
- Adote hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.
*Caroline Gurgel Florêncio é enfermeira graduada pela UFC, mestre em Microbiologia Médica e doutora em Saúde Coletiva pela UFC. Atua como docente da Faculdade de Medicina da UFC, com as disciplinas de Epidemiologia descritiva e Desenvolvimento Pessoal 2 (Método científico); do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública com a disciplina de Métodos quantitativos; do Programa Rede Saúde da Família (Renasf) em conjunto com a Fiocruz com a disciplina de métodos. Orienta mestrado (4) e doutorado (1). Coordena a Liga de Saúde da Família. Área de atuação: Epidemiologia dos agravos à saúde.