Justiça nega pensão e indenização a PM que alegou contaminação por Césio-137

Pedido de policial militar aposentado foi negado por ausência de provas e de “nexo causal”.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 10:07)
Técnicos com roupas de proteção brancas e máscaras trabalham em um terreno coberto por lonas escuras, cercado por escombros e uma retroescavadeira amarela. Ao fundo, casas simples e árvores compõem o cenário da operação de limpeza e descontaminação em uma área residencial.
Legenda: Acidente com césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, voltou a chamar atenção do Brasil depois da estreia da minisserie "Emergência Radioativa".
Foto: Agência Internacional de Energia Atômica / Reprodução.

Um policial militar aposentado que pediu pensão vitalícia e indenização alegando ter sido contaminado por Césio-137 teve a demanda negada pela Justiça Federal.

O juiz do caso, para embasar a decisão, apontou ausência de provas e de vínculo causal entre o trabalho que o PM alegou ter na época e os problemas de saúde relatados no processo.

Pesou para a decisão do juiz federal Leonardo Buissa Freitas, ainda, o não comparecimento do PM à perícia médica que comprovaria a contaminação e os danos alegados

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Tal ausência inviabilizou a existência de prova técnica e, sem isso, os elementos que embasariam o direito aos benefícios pedidos não eram suficientes.

Alegações de trabalho sem proteção e orientação

Segundo o processo, o PM aposentado ingressou na corporação no ano de 1990, mas afirmou ter trabalhado no isolamento de áreas contaminadas na época da crise do Césio-137, que ocorreu em 1987.

Além disso, o autor do processo também relatou que atuou na cidade de Abadia de Goiás, onde havia um depósito provisório de rejeitos radioativos. Ele diz que teria exercido função de guarda sem ter acesso a equipamentos de proteção ou orientação de riscos.

Finalmente, o PM apontou que o período de trabalho especificado teria ocasionado o surgimento de problemas de saúde, inclusive de ordem psicológica. 

Na avaliação do juiz, porém, os exames que foram apresentados no processo não comprovaram a relação entre as doenças relatadas e a contaminação pela radiação. 

Caso voltou à tona com "Emergência Radioativa”, da Netflix

O acidente com Césio-137 voltou a chamar atenção no Brasil com a estreia da minissérie “Emergência Radioativa”, da Netflix

O caso começou em 13 de setembro de 1987, quando uma máquina de radioterapia que continha césio foi aberta em um ferro-velho, espalhando o material por Goiás.

Uma das vítimas da contaminação foi a menina Leide, que faleceu aos quatro anos e virou símbolo do acidente radioativo. No total, quatro pessoas morreram.

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