No caso do furto de vírus de um laboratório do Instituto de Biologia da Unicamp, ocorrido em fevereiro deste ano, pelo menos 24 cepas diferentes foram levadas do local, incluindo o dos vírus da dengue, chikungunya, zika, herpes e coronavírus humano.
As informações foram reveladas em matéria do Fantástico, que apurou detalhes do furto pelo qual a professora Soledad Palameta Miller, ligada à Faculdade de Engenharia de Alimentos da instituição, foi presa no último dia 23.
A docente recebeu liberdade provisória pela Justiça e responderá por crimes como expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e fraude processual, de acordo com a Justiça Federal.
O veterinário e doutorando Michael Edward Miller, marido de Soledad, também é suspeito do furto de material biológico do local, um laboratório de nível 3 de biossegurança (NB-3), considerado o mais rigoroso do Brasil.
Relembre o caso
As investigações da Polícia Federal apontam que, em 13 de fevereiro, as amostras do vírus sumiram do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp.
Segundo o Fantástico, Michael foi visto entrando e saindo do local em horários considerados incomuns e carregando objetos. Pela câmera de segurança, foi possível saber que o casal frequentava o laboratório pelo menos desde novembro do ano passado.
O material biológico só foi encontrado pela PF mais de um mês após o início das apurações do caso, no dia 23 de março, nos laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad atuava.
Conforme investigação, a professora teria descartado material biológico e alterado rótulos e marcações de outras amostras, escondidas em outro laboratório, após o início da operação policial.
Apesar do manuseio de amostras de vírus de maneira irregular, a direção do Instituto de Biologia da Unicamp informou que não há risco generalizado de contaminação. Já a Universidade afirmou que o furto é um "caso isolado em consequência de circunstâncias atípicas".