STF encerra Caso Evandro e inocência dos condenados segue válida
Crime ocorrido em 1992 teve destaque nacional em podcast do jornalista Ivan Mizanzuk.
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou nesta terça-feira (31) o processo do Caso Evandro, mantendo decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que havia declarado como inocentes quatro dos condenados pelo crime.
O caso foi registrado em 1992 e até hoje o assassino não foi descoberto.
O entendimento da inocência dos quatro réus foi reconhecido pelo STJ em 2025 após fitas encontradas em 2020 mostrarem que eles haviam confessado o assassinato sob tortura. O caso chegou ao STF porque o Ministério Público do Paraná tentou reverter a decisão do STJ.
Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares, Beatriz Abagge e Vicente de Paula Ferreira, que haviam sido condenados pelo crime, foram considerados inocentes. O último faleceu em 2011 enquanto estava preso.
As fitas que mostraram os registros das torturas sofridas pelos quatro compuseram o podcast Projeto Humanos, do jornalista Ivan Mizanzuk, que propõe um aprofundamento no processo do Caso Evandro.
Veja também
Relembre o Caso Evandro
O desaparecimento do menino Evandro aconteceu no dia 6 de abril de 1992 na cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná.
Pelas investigações, a criança estava com a mãe e disse que iria voltar para casa para pegar um jogo que havia esquecido. Ele não retornou e não foi mais visto.
Dias depois, em 11 de abril de 1992, um corpo encontrado em um matagal foi reconhecido como do menino pelo pai de Evandro por uma marca de nascença presente nas costas.
As investigações apontaram que a filha do então prefeito da cidade e a mãe dela, Beatriz e Celina Abagge, teriam encomendado a morte de Evandro por conta de um ritual.
Além das duas, outras cinco pessoas foram acusadas de terem envolvimento no crime, incluindo Davi e Osvaldo.
Cinco julgamentos do caso ocorreram ao longo dos anos. Em um deles, Beatriz e Celina foram consideradas inocentes. No entanto, após recurso do MP, novo julgamento foi realizado em 2011.
Por ele, Beatriz foi condenada a 21 anos de prisão e Celina, por ter mais de 70 anos de idade, não foi julgada. Osvaldo e Davi não tinham mais pena a cumprir na época.
Vicente de Paula morreu ainda preso, em 2011, por complicações de um câncer. Os dois últimos réus, Francisco Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli, foram absolvidos em 2005.