UE adverte para conflito no Oriente Médio
União Europeia pede que partes envolvidas evitem qualquer ação desproporcional na Faixa de Gaza
Bruxelas A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, advertiu ontem as partes envolvidas para que evitem qualquer ação "desproporcional" no Oriente Médio, em telefonemas para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmud Abbas.
"Acabo de falar com o primeiro-ministro Netanyahu e o presidente Abbas sobre a escalada da violência", declarou ela no Twitter. "É preciso terminar com os atos de terrorismo e se evitar reações desproporcionais", assinalou, ainda, Mogherini na véspera da reunião dos 28 países membros da União Europeia, em Luxemburgo.
O Exército israelense matou ontem um adolescente palestino na Cisjordânia, enquanto um ataque aéreo de Israel contra a Faixa de Gaza provocou a morte de uma palestina grávida e de sua filha de dois anos.
Em Israel, um árabe israelense de 20 anos esfaqueou quatro judeus após lançar seu carro sobre o grupo no kibutz de Gan Shmuel (norte).
Apesar dos apelos à calma feitos pela comunidade internacional, a escalada da violência prossegue em Israel e nos Territórios Palestinos, o que faz temer uma terceira Intifada.
O ataque aéreo israelense que matou mãe e filha em Gaza ocorreu depois que dois foguetes foram disparados de Gaza em direção ao sul de Israel, que não deixaram vítimas, de acordo com o Exército.
Um dos foguetes atingiu um campo aberto no sul de Israel e o outro foi interceptado. A ação ocorreu antes do amanhecer. Israel justificou que o alvo do contra-ataque eram duas fábricas de armas do Hamas, mas atingiu uma grávida palestina, Nur Hassan, 30 anos, e a sua filha Rahaf Hassan, 2 anos, e destruiu a casa onde moravam, segundo informaram médicos.
Após essa a retaliação, o grupo islâmico palestino Hamas, que controla o território, cobrou de Israel o fim da "loucura' e "atos sem sentido" na região. "Avisamos o ocupante de que não deve continuar com esta loucura e atos sem sentido", disse em comunicado o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri.
"Deus é grande"
Em ação registrada numa estrada da Cisjordânia, a polícia parou carro guiado por uma mulher palestina, que teria gritado "Deus é grande" antes de detonar explosivo quando um policial se aproximou.
A mulher sofreu queimaduras em 40 por cento do corpo, disse um hospital de Jerusalém, e o policial também foi ferido. Os palestinos questionam a acusação da polícia, dizendo que pane elétrica causou fogo no veículo e foi confundida com ataque a bomba.
Em 12 dias de derramamento de sangue, quatro israelenses e 23 palestinos morreram. Esses atos são alimentados, em parte, pela ira dos muçulmanos com o crescente acesso judeu ao complexo da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.
A violência, incluindo uma série de esfaqueamentos, espalhou-se da cidade santa e da Cisjordânia, ocupada por Israel, para o interior do país e Gaza, liderada pelo Hamas.
Com o primeiro ministro Benjamin Netanyahu alertando os israelenses de não estar prevista uma "solução rápida", não havia sinais de movimentos significativos para acabar com o conflito que elevou temores de um terceiro levante palestino.
Autoridades médicas disseram que 37 protestantes palestinos foram feridos, ontem, por disparos de tropas israelenses durante os conflitos ocorridos na Cisjordânia.