Homem morto pelo ICE em Minneapolis era cidadão americano e enfermeiro de UTI
A morte de Alex Pretti é a segunda causada por agentes federais na cidade em menos de um mês.
O homem assassinado pelo agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) neste sábado (24), em Minneapolis, no estado de Minnesota, era cidadão americano e trabalhava na área da saúde. Segundo a agência Associated Press, Alex Jeffrey Pretti tinha 37 anos, residia em Minneapolis e era enfermeiro de terapia intensiva em um hospital de veteranos.
Ele costumava participar de protestos contra anti-imigração de Donald Trump e, inclusive, participou de manifestações após a morte de Renee Good, morta pelo ICE em 7 de janeiro.
Esta é a segunda morte causada por agentes federais na cidade em menos de um mês. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Pretti foi morto ao se aproximar de agentes da Patrulha de Fronteira durante uma abordagem.
Nesse momento, um dos agentes teria efetuado "tiros defensivos" ao perceber que Pretti estava armado. Imagens obtidas pelo jornal The New York Times demonstram, no entanto, que ele apenas filmava os agentes com um celular antes de ser derrubado e baleado.
No vídeo, não é possível vizualizar nenhuma arma com Alex Pretti. Após os agentes jogarem a vítima no chão e a imobilizarem, são ouvidos pelo menos dez disparos de arma de fogo. A vítima morreu no local.
Ainda segundo a análise do jornal, uma arma foi localizada na cintura de Pretti, mas apenas depois de ele já estar imobilizado. Os disparos aconteceram quando ele já estava desarmado, em menos de cinco segundos, e não há registro de que Alex tenha ameaçado os policiais. As provas, portanto, contrariam a versão inicial dos agentes do ICE.
De acordo com informações divulgadas pelo Jornal Nacional, a vítima tinha autorização para portar arma e não tinha antecedentes criminais.
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O governador do estado de Minnesota, Tim Walz, criticou a ação e definiu o caso como “mais um ataque a tiros atroz”.
Walz publicou em uma rede social: "Acabei de falar com a Casa Branca após mais um ataque a tiros atroz por agentes federais esta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante".
O que é o ICE?
ICE é a sigla para Immigration and Customs Enforcement (ou Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). Criado em 2002, após os ataques terroristas de 11 de setembro, o serviço faz parte do Departamento de Segurança Interna dos EUA e atua como uma polícia migratória, sendo responsável por cumprir leis de imigração e realizar deportações.
Os agentes têm amplos poderes durante as operações, mas estão sujeitos às mesmas restrições constitucionais que os demais membros das forças de segurança norte-americanas. Essas restrições implicam, por exemplo, no uso de força letal apenas quando alguém representar perigo para si mesmo, outras pessoas ou se tiver cometido um crime violento.
Nos últimos meses, já durante o segundo Governo de Donald Trump, o ICE tornou-se reconhecido pela brutalidade contra imigrantes e defensores dos direitos humanos.
Mulher morta em ação no ICE
A tensão em Minnesota aumentou com a maior frequência de operações do ICE na região. No início de janeiro, a cidadã americana Renee Good também morreu após disparos efetuados por um agente da agência.
No mesmo mês, um policial federal atirou na perna de um homem, durante uma operação de abordagem de trânsito em North Minneapolis.
Além disso, conforme publicou o g1, houve repercussão recente sobre a detenção de quatro crianças, sendo que uma delas teria sido usada como "isca" para localizar parentes.
Em repúdio aos métodos federais, o prefeito Jacob Frey defende a saída do órgão da cidade, enquanto a população foi às tuas e mais de 700 estabelecimentos comerciais fecharam as portas em protesto em todo o estado.