Entenda o que é o mal súbito que acometeu o jogador dinamarquês Eriksen neste sábado (12)

Cardiologistas explicam como o mal súbito pode ocorrer, suas causas e o modo de realizar um atendimento efetivo

Legenda: Jogo foi suspenso depois do dinamarquês Christian Eriksen passar mal perto do fim do primeiro tempo
Foto: AFP

Foi aos 43 minutos do primeiro tempo do jogo entre Dinamarca e Finlândia, neste sábado (12), que o meio campista da Inter de Milão, Christian Eriksen, 29 anos, caiu em campo durante lance na linha lateral. O dinamarquês foi rapidamente socorrido por paramédicos com massagem cardíaca. Após a ocorrência, especialistas explicam que mal súbito ocorre quando há a súbita perda da consciência. 

Segundo o cardiologista com atuação em medicina do esporte, Carlos Mota, esses casos ocorrem quando o paciente inesperadamente perde a consciência sem nenhum motivo aparente, como trauma e queda. 

A causa pode ser diversa, desde um problema neurológico até um problema cardiogênico. No caso do atleta, pareceu ser um problema de causa cardíaca. Para ele, deve ter sido uma causa cardíaca, porque de longe, levou um choque no peito, foi usado o desfibrilador em campo. 
Carlos Mota
Cardiologista atuante em medicina do esporte

Esse tipo de situação não costuma ser comum em atletas, principalmente porque recebem atendimento médico constante para investigar o quadro de saúde. Nesses casos, o médico aponta a necessidade de ter uma resposta rápida para o paciente, realizando uma massagem cardíaca efetiva ou utilizando o desfibrilador.  

“Primeira coisa que a gente tem que ver é se o jogador está sem consciência, mas logo retorna para sua consciência, se tem consciência ou não, se tem pulso, se respira. Chamar o desfibrilador, que chegue de forma mais precoce para o paciente”, detalha.

Cuidados antes das partidas

Para evitar acidentes durante as partidas, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) mantém um programa rigoroso de triagem nos atletas, a fim de identificar precocemente as doenças causadoras de uma arritmia e consequente morte súbita, coloca o cardiologista chefe do serviço de cardiologia do Hospital Otoclínica, Assis Carvalho.

Tendo também atuado como médico das partidas da Copa do Mundo em Fortaleza, Assis explica que os jogos costumam ser monitorados por médicos em cada lado do campo, para garantir uma rápida resposta em casos de acidente, como ocorreu com o jogador Christian Eriksen.

“Como o mal súbito é uma parada cardíaca que ele desenvolve, um tipo de arritmia cardíaca, quanto mais cedo eu dou o choque, maior é a chance de retornar. Se não desenvolver nenhuma intervenção, o indivíduo evolui para a morte”
Assis Carvalho
Cardiologista

Causas diferentes a depender da idade

As principais causas de uma morte súbita podem variar a depender da idade. No caso de indivíduos com menos de 35 anos, Assis coloca que a miocardiopatia hipertrófica sempre é considerada primeira, enquanto para indivíduos no espectro acima de 35 anos, uma das principais causas é o infarto agudo no miocárdio. 

“Quando um atleta morre ou sofre uma parada cardíaca, preciso saber a idade dele", pontuas. No caso de Eriksen, o médico pondera que provavelmente deverá interromper a carreira por conta da sua saúde, sendo necessário colocar um CDI, cardiodesfibrilador implantável que identifica a arritmia. 

A UEFA, federação europeia de futebol, confirmou que o jogador foi enviado ao hospital de Copenhague com um quadro de saúde estável
Legenda: A UEFA, federação europeia de futebol, confirmou que o jogador foi enviado ao hospital de Copenhague com um quadro de saúde estável
Foto: AFP

Prevenção para população geral

Para Carlos Mota, o recado deixado pelo caso do dinamarquês Eriksen é um lembrete da necessidade do público geral ser treinado a lidar com casos similares. “O jogador recebeu uma massagem cardíaca bem feita, mas isso pode acontecer no shopping. O leigo tem que ser treinado também”, recomenda.  

Além disso,  Assis reforça a importância de manter a atenção para os exames cardíacos, principalmente os praticantes de atividade física que exigem maior esforço, como maratonistas ou participantes de triatlo. 

A doença pode ser assintomática, mesmo um indivíduo que corre em maratona, que é saudável, pode apresentar. É preciso buscar um diagnóstico cardiológico com muita insistência. Ficar atento aos sintomas.
Assis Carvalho
Médico cardiologista

Caso contrário, existe o risco de óbito durante competições ou práticas dos esportes físicos, como já chegou a ocorrer com atletas em Fortaleza.