6 benefícios da uva que você provavelmente não conhece

Fácil de ser consumida em qualquer lugar, fruta é rica em antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres do organismo

Escrito por Lígia Costa, ligia.costa@svm.com.br

Ser Saúde
Uvas verdes e rochas caindo de cesto de palha
Legenda: Uvas verdes e roxas possuem praticamente os mesmos nutrientes
Foto: Shutterstock

Bastante presente nas festas de fim de ano, seja como ingrediente de receitas, na decoração de pratos ou mesmo para ser consumida in natura, por superstição, a uva é uma fruta adocicada também muito utilizada na produção de doces, geleias, vinhos, entre outros produtos.  

Fruto da videira, planta da família das Vitaceae, essa frutinha tão conhecida ganha mais doçura quanto mais madura fica. Ela pode ser encontrada com ou sem sementes, sendo mais comuns aquelas de coloração roxa, como a Rubi, e as verdes, tal como a uva Itália.  

O nutricionista Filipe Oliveira de Brito* lembra que a uva é também uma fruta “extremamente prática”. Por não haver sequer a necessidade de descascá-la, pode ser facilmente incluída no dia a dia e, consequentemente, nas mais diferentes dietas. 

Nutrientes e propriedades

Apesar de pequenas, as uvas são "muito poderosas em termos nutricionais", assegura a nutricionista Thaís Bevilaqua**. "Nelas também são encontradas vitaminas E, C, K, A, e vários minerais como cálcio, ferro e potássio".

A uva ainda é rica em compostos bioativos, com efeito antioxidante, sendo o resveratrol o composto mais conhecido. "Elas são ricas em antioxidantes, que são substâncias responsáveis por 'limpar' e proteger nossas células contra os chamados radicais livres", frisa Thaís. 

Embora praticamente não exista diferença na composição nutricional entre as uvas de cascas mais claras ou escuras, estas últimas concentram uma maior quantidade de antioxidantes. 

Cacho de uva sobre tábua e bowl de madeira
Legenda: Uva é uma fruta rica em fibra solúvel
Foto: Shutterstock

Benefícios

Controle de doenças crônicas 

De acordo com Filipe Oliveira, a casca concentra a maior quantidade de compostos bioativos, com efeito antioxidante. E estes antioxidantes vêm auxiliar no controle de doenças crônicas, como hipertensão, colesterol alto, diabetes, promovendo um envelhecimento saudável. 

No entanto, alerta o especialista, a concentração dos antioxidantes é diretamente influenciada pela forma de cultivo da uva. “Uvas sem agrotóxicos e expostas a intempéries, como vento, frio, etc., produzem maior quantidade de antioxidantes”. 

Redução da inflamação corporal 

Além de vitaminas e antioxidantes, a uva é fonte de carboidratos saudáveis, essenciais para manter uma alimentação saudável e reduzir a inflamação corporal. Logo, consegue promover um envelhecimento mais saudável. 

Manutenção da saúde intestinal 

Por serem ricas em água e em fibra solúvel, as uvas contribuem para um melhor funcionamento do intestino.

O consumo dessas frutas, portanto, reduz a constipação, no momento em que auxilia "na manutenção da saúde intestinal e das bactérias boas que vivem em nosso intestino", explica Filipe Oliveira.

Prevenção de problemas cardíacos

Devido à presença da vitamina K, diz Thaís Bevilaqua, a uva "é um ótimo alimento para saúde do sistema circulatório, auxiliando na coagulação sanguínea, fortalecimento das artérias e redução do colesterol ruim".

Manutenção da saúde da visão

Segundo a nutricionista, alguns estudos revelam que a uva é uma aliada à saúde da visão. Essas pesquisas apontam que as "uvas têm o poder de reduzir a deterioração da retina. Dessa forma, podem ajudar a prevenir a cegueira e deixar a visão mais saudável". 

Controle da pressão arterial

As uvas são ricas em potássio, um mineral que ajuda a neutralizar o sódio, um dos principais vilões da pressão alta. Assim, garante Thaís, é um alimento que pode se tornar um aliado por quem sofre de hipertensão.

Mãos segurando um cacho de uva roxa
Legenda: A uva possui muitas vitaminas e antioxidantes
Foto: Shutterstock

Perguntas frequentes

Quantas uvas são indicadas para comer por dia?

Não há restrição quanto à quantidade a ser consumida por dia. Porém, é sempre indicado usar o bom senso e não exagerar.

Há benefícios no consumo da casca? Quais?

A casca da uva tem um efeito protetor, devido às suas propriedades anti-agregação plaquetária e redutora de triglicerídeos, aponta Thaís Bevilaqua.

Além da quantidade de fibras, que vai auxiliar no bom funcionamento do intestino, o consumo da fruta com a casca também auxilia na prevenção da anemia, devido à presença do ácido fólico. 

Existem malefícios?

Não há nenhum malefício atrelado à ingestão de uvas, garantem os nutricionistas. Contudo, todo alimento deve ser ingerido consoante a necessidade de cada um. Os diabéticos, por exemplo, podem consumi-la, mas com parcimônia, pois a uva gera um aumento moderado da glicemia.  

Por isso, é importante “ver com seu nutricionista a melhor combinação de alimentos para lentificar a absorção dos carboidratos da uva e controlar, assim, a elevação de glicose produzida por ela”, recomenda Filipe.

Comer as sementes da uva também não faz mal à saúde. Elas apenas não serão digeridas.

Uvas cortadas ao meio e sementes aparentes
Legenda: As uvas podem ser encontradas com ou sem sementes
Foto: Shutterstock

Consumo por gestantes

Também não há nenhuma contraindicação de ingestão de uvas por gestantes. O consumo, porém, deve ser moderado. Do contrário, a grande quantidade de fibras presentes na fruta pode provocar diarreia.

Caso a gestante apresente diabetes gestacional, deve apenas seguir os mesmos cuidados de um paciente diabético. 

"Por serem ricas em fibras e em ácido fólico, essa fruta pode ser um ótima opção para as gravidinhas. E o bebê também pode ter benefícios com o consumo pela presença do ácido fólico e sua relação com o desenvolvimento do tubo neural do feto", acrescenta Thaís. 

'Alimentos não funcionam como medicamento'

Embora seja um aliado à saúde, o consumo da uva não é capaz de gerar benefícios por si só. Ele deve vir acompanhado de melhores hábitos alimentares e mudança no estilo de vida, alerta Filipe Oliveira. 

“Alimentos não funcionam como medicamento. Muitas vezes as pessoas escutam que um alimento tem a propriedade x e acham que basta ingerir aquele alimento que irão ter aquele resultado. Isso não acontece. Um alimento pode ajudar em algum fator? Lógico. Mas, por exemplo, não adianta uma pessoa comer um monte de uva para ter o efeito antioxidante do resveratrol e continuar dormindo mal ou bebendo em excesso”. 

*Filipe Oliveira de Brito é nutricionista clínico funcional, mestre em Saúde Coletiva, antropometrista ISAK Nível 2, professor do curso de graduação em Nutrição da Unifor e de especializações em Nutrição Clínica Funcional, Esportiva e de Fitoterapia.

**Thaís Bevilaqua é graduada pela Estácio Fic, pós graduanda em Nutrição Clínica, Esportiva e Exames Laboratoriais pela Ivesp. Atua em consultório particular em Fortaleza, com atendimento clínico para adultos e com ênfase em emagrecimento, hipertrofia e melhora da qualidade de vida.