Romã: conheça os benefícios da fruta e aprenda a fazer o chá

Fruta tem inúmeros efeitos curativos e pode ser facilmente cultivada em casa

Escrito por Luana Severo,

Ser Saúde
A imagem mostra três romãs, sendo que uma está cortada ao meio e mostrando as sementes
Legenda: Praticamente todas as partes da fruta são aproveitáveis
Foto: Shutterstock

Conhecida mundialmente por seus efeitos curativos, especialmente em casos de inflamação na garganta e nas articulações, a romã é uma fruta exótica, nativa da Ásia, que foi trazida ao Brasil pelos portugueses ainda na época da colonização. 

Porém, apesar de facilmente ter se adaptado ao solo brasileiro, ela não é tão comum nos supermercados do País. Segundo a doutoranda em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Carlota Souza*, o consumo da romã ainda é limitado por baixa produção nacional e pela falta de informação sobre os benefícios da fruta, que geralmente é associada apenas ao tratamento de infecções na garganta, rouquidão e febre. 

A pesquisadora destaca, por exemplo, que a fruta é fonte de compostos fenólicos, especialmente de antocianinas, que são “importantes antioxidantes naturais”. “Além disso, a romã contém ácido lipóico, vitamina C, vitamina E, minerais [fósforo, potássio, sódio, cálcio] e uma grande variedade de compostos bioativos benéficos à saúde, como ácido fólico, ácido gálico, caféico, clorogênico, catequínico e outros”, enumera. 

Legenda: O sabor da romã é moderadamente ácido e doce. Em 100 gramas da parte comestível da fruta, o valor energético gira em torno de 56 kcal.
Foto: Shutterstock

Quais os benefícios da romã? 

Um dos principais efeitos da romã é retardar a produção de células cancerosas, o que contribui na prevenção de câncer, especialmente o de próstata, de acordo com Cris Souto**, especialista em nutrição clínica e fitoterapia. 

A especialista destaca também que a fruta tem componentes chamados “flavonoides” que agem no controle da pressão arterial, sendo benéfica para quem sofre de hipertensão.  

“Esses flavonoides são responsáveis por ajudar na vasodilatação. Eles aumentam a elasticidade dos nossos vasos sanguíneos, promovendo uma melhora na circulação, fazendo com que nosso corpo inteiro seja irrigado por quantidades adequadas de sangue. A pressão arterial é justamente o contrário: o vaso sanguíneo se contrai, diminuindo seu calibre e não permitindo que o sangue circule e vá pros órgãos”, diferencia. 

A imagem mostra uma jarra e um copo contendo chá de romã ao lado de dois frutos cortados pela metade.
Legenda: O chá de romã é feito a partir da casca do fruto.
Foto: Shutterstock

Na questão anti-inflamatória, além do conhecido efeito no alívio de inflamações na garganta, a romã ajuda a diminuir inflamações nas articulações e no trato gastrointestinal. Dessa forma, ajuda no tratamento de doenças articulares como artrite, artrose, espondilite, lúpus e esclerose sistêmica e de doenças intestinais como retocolite ulcerativa e doença de Crohn. 

Imortalidade, longevidade, invencibilidade 

A pesquisadora Carlota Souza conta que, na antiguidade, os chineses consumiam a romã na expectativa de conseguir alcançar a “imortalidade e longevidade”. Já os persas alimentavam seus exércitos com a fruta para garantir “invencibilidade” em batalhas.  

“Grandes imperadores consumiam a romã como um antídoto antienvelhecimento. Comiam todos os dias porque acreditavam que a fruta seria uma das fórmulas da juventude”, complementa Cris Souto. 

A romã tem propriedades antioxidantes que, de fato, retardam o envelhecimento da pele e favorecem a saúde das mucosas, do cabelo e das unhas. “Ela favorece o viço natural da pele, a hidratação, além de ser muito rica em algumas vitaminas que compõem a nossa pele, nossa saúde elástica, como piridoxina e tiamina. Por isso é tão famosa na questão estética”, diz Cris. 

“O uso de plantas medicinais com finalidades fitoterápicas é milenar. Nos últimos anos, com apoio da Organização Mundial de Saúde [OMS], as pesquisas científicas estão evoluindo e seu emprego, valor e aceitação têm aumentado significativamente”, contextualiza Carlota. 

Resumo dos benefícios 

  • Ajuda na prevenção do câncer de próstata; 
  • Melhora a circulação sanguínea e controla a pressão arterial; 
  • Alivia inflamações na garganta, nas articulações e no trato gastrointestinal; 
  • Retarda o envelhecimento da pele e ajuda na saúde das mucosas, do cabelo e das unhas; 
  • Ajuda na diminuição do colesterol ruim alto. 
     

Como plantar? 

As romãzeiras têm entre dois e cinco metros de altura e são bem adaptadas ao clima nordestino. Por isso, costumam ser bastante cultivadas na região, tanto para fins ornamentais quanto medicinais.

“A romãzeira não é exigente em solos, porém, cresce melhor em solos profundos e argilosos”, diz Carlota Souza. “Ela necessita da incidência direta do sol, não tolerando sombreamento contínuo ou encharcamentos. Além disso, é muito resistente a pragas e doenças, por isso, é comumente encontrada em quintais domésticos, além de ser cultivada em vasos”, complementa a pesquisadora.

Para plantar, Cris Souto indica abrir a fruta em seu estado maduro, retirar a polpa e deixar ressecar por até dois dias antes de colher as sementes e colocá-las no adubo. Carlota recomenda fazer o plantio em um solo rico em matéria orgânica e adubar com nutrientes como nitrogênio, potássio e fósforo.

"Caso [a romã] seja plantada em vasos, é recomendado uma adubação com mais frequência do que se plantada diretamente no solo, sendo importante também que a terra do vaso não fique encharcada, de modo que haja uma drenagem adequada da água colocada", orienta a especialista.

Como saber se a romã está madura?

Diferentemente da banana, que continua amadurecendo após ser retirada da planta, a romã é um fruto não-climatérico, ou seja, ela só deve ser colhida quando estiver na maturidade plena.

Romãs mais vermelhas, com coloração entre rosa escuro e vermelho intenso, são as mais maduras. No oposto, as menos maduras são as de coloração mais clara, oscilando entre amarelo e verde.

Como conservar a romã?

Carlota Souza ensina que o fruto pode ser mantido sob refrigeração por até 36 dias. "A determinação do estádio de maturação adequado para a colheita associado à temperatura ideal de refrigeração pode potencializar o período de conservação pós-colheita da romã".

O que consumir da romã?

No uso medicinal, praticamente todas as partes da romã são utilizadas, desde a casca às folhas e flores. "O suco de romã contém inúmeros compostos benéficos, principalmente ácido cítrico e quercetina, apigenina, rutina, catequina e proantocianidinas. As folhas e flores contêm, principalmente, ácido gálico", cita Carlota.

A imagem mostra um pé de romã carregado de frutos.
Legenda: As romãzeiras necessitam de incidência solar e crescem melhor em solos profundos e argilosos.
Foto: Shutterstock

Por sua vez, Cris destaca o consumo da polpa ou 'bago', como é chamado. "É riquíssimo em vitaminas", diz. Além disso, é recomendado o consumo da casca, tanto em forma de chá como de maceração. "Colocar a casca de molho por aproximadamente oito horas e beber aquela água. É ótimo. Por questões antissépticas, que ajudam a diminuir a carga bacteriana da boca", orienta a especialista, citando que o gargarejo dessa água é bom para combater problemas de saúde bucal como gengivite, afta e candidíase oral.

Como fazer o suco? 

Ingredientes 

  • 1 romã; 
  • 1 copo de água. 

Modo de preparo 

  • Bata a romã com água no liquidificador; 
  • Sirva e beba em seguida. 
     

Como fazer o chá? 

Ingredientes 

  • 1 xícara de água; 
  • 10g de casca da fruta. 

Modo de preparo 

  • Ferva 1 xícara de água em uma panela; 
  • Adicione 10 gramas da casca, desligue o fogo e abafe a panela até 15 minutos; 
  • Coe o chá, sirva e beba morno. 

Receitas com romã 

Romã com mel 

  • Cozinhe a casca da romã numa panela com água; 
  • Quando a água estiver um pouco mais grossa, despeje num recipiente e acrescente mel; 
  • Misture com uma colher e espere esfriar um pouco antes de servir e beber. 

Romã com guaraná

  • Corte a romã em pedaços;
  • Bata no liquidificador com um copo de guaraná;
  • Coe com ajuda de uma peneira, sirva e beba.


*Antonia Carlota de Souza Lima é doutoranda em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com ênfase em ciência e tecnologia de produtos de origem e vegetal. É mestra em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFC e tecnóloga em alimentos pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE).
**Cris Souto é especialista em Nutrição Clínica e Fitoterapia e professora da Estácio Ceará.