PM é preso em barraca de praia de Fortaleza após emprestar arma para suspeito 'ostentar'
O soldado também foi flagrado com trouxinhas de cocaína.
Um policial militar foi preso na manhã desse domingo (5), em uma barraca de praia na Barra do Ceará, em Fortaleza, após emprestar uma arma de fogo da corporação para um suspeito de envolvimento com o Comando Vermelho ostentá-la nas redes sociais. Ele também foi flagrado portando duas trouxinhas de cocaína, que declarou ser para consumo próprio.
Segundo documento acessado pelo Diário do Nordeste, o soldado Francisco de Moraes Meneses Neto, 31, que está de férias, negou ter emprestado a própria arma para o motorista de aplicativo Francisco Matheus Soares de Sousa, 27. Contudo, os policiais que receberam a denúncia e fizeram o flagrante reconheceram a pistola da corporação nas imagens exibidas por Matheus nos 'stories' do Instagram.
O próprio Matheus confirmou à Polícia que a arma era de Francisco, seu "amigo de infância", que "estava muito drogado" na manhã de domingo, mas alegou que o revólver estava descarregado e que teria sido emprestado pelo policial apenas para que ele pudesse fazer fotos e vídeos.
Além disso, o suspeito confirmou que colocou a arma em sua cintura e publicou as imagens em suas redes sociais. Disse que já havia posado com o armamento cerca de três vezes antes e que a pistola já teria sido disparada em outras ocasiões, mas negou relação com o Comando Vermelho ou com qualquer outra organização criminosa. Sobre o gesto com os dois dedos levantados, identificado pela polícia como símbolo da facção, Matheus argumentou que faz o sinal desde criança e que, para ele, significa apenas "paz e amor".
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O que alega o PM?
No depoimento à Polícia, Francisco, que tem antecedentes criminais por desobediência e contravenções penais, admitiu apenas o crime de menor potencial ofensivo e confirmou que eram suas as duas trouxinhas de cocaína encontradas em sua posse.
No entanto, ele negou que entregou ou que compartilhou com Matheus sua arma de fogo — fosse a de uso particular ou a da corporação. Declarou, ainda, que Matheus "não é bandido" e garantiu que ninguém que estava na barraca de praia no momento das prisões estava envolvido com atividades ilícitas.
Devido à gravidade do crime cometido, sendo policial militar, Francisco teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça. Já Matheus foi liberado provisoriamente sob pagamento de fiança. O caso foi flagrado por agentes da 1ª Companhia do Comando de Táticas Motorizadas (Cotam), mas formalizado na delegacia do 10º Distrito Policial.
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Os suspeitos vão responder por quais crimes?
Francisco foi autuado por infringir o Estatuto do Desarmamento e por estar em posse de drogas para consumo pessoal.
Matheus, por sua vez, deve responder por portar arma de fogo de uso restrito.
O Diário do Nordeste também questionou à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) sobre investigações no âmbito administrativo e aguarda retorno para atualização desta matéria.