Discussão e facada no coração: acusada de matar namorado lutador vai a júri no CE nesta quinta (11)
A defesa de Eduarda alega que ela agiu em legítima defesa.
Acusada pela morte do próprio namorado, Eduarda Rodrigues Freitas deve sentar no banco dos réus nesta quinta-feira (11). O júri está programado para acontecer na 1º Vara do Júri, Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza, a partir das 8h30.
Eduarda é a única ré pelo homicídio do lutador de Muay Thai, Arley Caio Moreira. A vítima foi assassinada com uma facada no coração, quando o casal discutia dentro de casa, no bairro Jangurussu.
A acusação aponta que o crime aconteceu durante uma discussão banal, por motivo fútil.
Na ação, foi usada uma faca de cozinha, do tipo 'serrinha', que resultou em morte "em decorrência de tamponamento cardíaco por perfuração do pericárdio e do coração causado por instrumento perfurocortante", conforme o laudo.
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A defesa de Eduarda sustenta a tese de legítima defesa. "Eduarda não fugiu. Não se escondeu. Não mentiu. Chamou a polícia para se entregar. Tentou estancar o sangue de Arley com as próprias mãos. Todos os dias carrega o peso dessa tragédia. Isso não é a conduta de uma criminosa - é a conduta de uma jovem que cometeu um erro em legítima defesa e que se arrepende profundamente, disseram os advogados Jader Aldrin, Fernanda Cavalcante e Cícero Roberto.
DISCUSSÃO
No dia 8 de setembro de 2024, o casal confraternizava em uma residência e passou a discutir.
Uma testemunha contou que "em dado momento, a acusada se apossou de um garfo, o qual foi tomado por ele. Declarou ter visto agressões físicas mútuas entre acusada e vítima, mas não presenciou o momento exato em que a vítima foi atingida fatalmente".
O policial que atendeu a ocorrência disse que ao chegar ao local dos fatos, "constatou que a vítima já não apresentava sinais vitais. Informou, ainda, que a acusada encontrava-se em estado de choque e, no momento, confessou ter golpeado a vítima com uma faca, sendo, em razão disso, autuada em flagrante delito".
Quando interrogada na delegacia, Eduarda confessou ter atacado a vítima, mas disse que agiu em legítima defesa.
O Ministério Público do Ceará considerou que restaram provas da materialidade e autoria delitiva, pedindo a pronúncia da acusada.
Na sentença de pronúncia determinando que a acusada vá a júri, o juiz pontuou que "embora tenha negado ter agido com o propósito de matar a vítima, afirmando que apenas se defendeu do ataque anterior da vítima, confirmou em seu interrogatório que realmente se utilizou da faca que teria lesionado a vítima. É bem verdade que a ré negou ter agido com a intenção de matar a vítima, contudo, diante dos elementos colhidos nos autos, não é possível reconhecer, neste momento, a absolvição sumária".
Arley e Eduarda mantinham um relacionamento há quatro anos. A ré foi descrita por amigos do casal como uma pessoa "difícil e agressiva, já tendo supostamente agredido a própria mãe".
Para a Justiça, a ida da acusada ao Tribunal do Júri é necessária "haja vista que há indícios que apontam para a autoria da acusada, não havendo como reconhecer, neste momento, a tese sustentada pela ré".