Polícia identifica suspeito de matar vaqueiro a facadas em Quixeramobim; buscas continuam

O delegado destacou que quem tiver acobertando a fuga do suspeito também está cometendo um crime, de favorecimento pessoal.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Campeão de vaquejada é morto a facadas após se negar a dividir prêmio. Homem chegou a ser socorrido e encaminhado para uma unidade hospitalar da região, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Legenda: O vaqueiro chegou a ser socorrido e encaminhado para uma unidade hospitalar da região, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Foto: Reprodução/Instagram.

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) identificou o suspeito de assassinar a facadas o vaqueiro Francisco Eudásio Lira Soares, de 30 anos, em Quixeramobim. Darlei Teixeira Vitor, o 'Sasom Boiadeiro', é apontado como suposto autor do homicídio.

Nessa terça-feira (9), o delegado que preside as investigações chegou a publicar nas redes sociais um cartaz virtual com a foto do procurado. O delegado destacou que quem tiver acobertando a fuga do suspeito também está cometendo um crime, de favorecimento pessoal.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, a companheira da vítima, Kamila Silveira pede respostas à Polícia e lembra do dia do crime. 

Kamila conta que amigo da vítima chegou a tentar impedir o ataque e segurar o suspeito após o crime, mas o homem conseguiu escapar em uma motocicleta.

Eudásio, o 'Dadá' , foi morto a facadas na noite do último domingo (7), em um parque de vaquejada de Quixeramobim, após um desentendimento relacionado à divisão de um prêmio conquistado durante a competição.

Segundo Kamila, o casal mantinha um relacionamento há seis anos e o dia havia transcorrido normalmente até a tragédia.

“A gente passou, como qualquer outra vaquejada, nos caminhões, brincando todo mundo junto, comendo carne ali. Os meninos sempre correndo no retorno e voltavam para o caminhão para socializar e ficar ali naqueles moídos de vaquejada, conversando”, relatou a esposa do vaqueiro.

O que diz a polícia

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que a Polícia Civil investiga as circunstâncias do homicídio doloso.

Equipes da Polícia Militar e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) foram acionadas para atender a ocorrência e realizar os primeiros levantamentos.

Segundo a SSPDS, a Delegacia de Polícia Civil de Quixeramobim conduz as investigações.

“A Delegacia de Polícia Civil de Quixeramobim está a cargo dos trabalhos investigativos com o intuito de elucidar as informações acerca do caso, bem como identificar e capturar os suspeitos de envolvimento com o crime”, informou a pasta em nota.

Suspeito era amigo e convivia com o grupo

De acordo com Kamila, o homem apontado como autor do crime era conhecido do grupo e frequentava os mesmos ambientes das competições.

“Quando o Dadá estava em Quixeramobim, sim, ele convivia com a gente. Era amigo, conhecido", contou.

Camilia diz não saber o que motivou o suspeito a atacar o companheiro dela. Segundo o relato, um amigo do vaqueiro percebeu a tensão e tentou impedir que o suspeito se aproximasse.

Kamila relata que o ataque aconteceu rapidamente: “Quando o Dadá chegou no caminhão, encostou, ele já foi para cima".

Após o crime, o mesmo amigo ainda tentou conter o suspeito. “Esse amigo do Dadá tentou segurá-lo de todas as formas ali na hora. Mas foi muito rápido. Ele já tinha dado uma furada no Dadá. O menino veio com tudo, jogou o cavalo por cima dele, ele ainda caiu, mas muito rápido levantou, pegou a moto e saiu”, declarou a companheira do vaqueiro. 

O momento em que recebeu a notícia do ataque

Kamila não estava mais no parque quando o crime aconteceu. Ela havia deixado o local para seguir viagem com a avó para Fortaleza, onde a idosa passaria por uma consulta médica.

Ainda no trajeto, começou a receber ligações informando que Dadá havia sido esfaqueado e levado para uma unidade de saúde.

“Antes de eu chegar em casa, os meninos começaram a me ligar falando que tinha acontecido e que ele estava na UPA de Quixeramobim", relatou. 

A companheira conta que entrou em desespero ao saber da gravidade dos ferimentos. “Perguntei como ele estava. Disseram que os médicos estavam com ele, mas que ele estava perdendo muito sangue", contou.

Pouco depois, veio a confirmação da morte. "Um amigo me ligou e disse: ‘Kamila, os médicos fizeram de tudo, o que podiam e o que não podiam, mas ele perdeu muito sangue’”. Segundo ela, a facada na região da virilha foi determinante para a morte do companheiro. 

Sonho era ter os próprios cavalos e construir a vida na vaquejada

Kamila viveu seis anos com Dadá. Ela esteve em diferentes premiações do companheiro.
Legenda: Kamila viveu seis anos com Dadá. Ela esteve em diferentes premiações do companheiro.
Foto: Reprodução/Instagram.

Muito conhecido no circuito nordestino, Dadá dedicou a vida às competições. Conforme Kamila, a vaquejada era mais do que uma profissão: era a paixão que movia o companheiro.

Ela conta que o vaqueiro teve uma infância difícil, foi criado pelos avós e começou cedo a trabalhar para sobreviver.

“Ele tinha tudo para ser uma pessoa revoltada com a vida, mas tinha um coração muito grande. Quem conhecia o Dadá sabia".

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Kamila afirma que o maior sonho dele era crescer dentro da vaquejada. “Como todo vaqueiro, ele sonhava em ter seus cavalos, seu caminhão. Ele não tinha ainda. Corria sempre para um patrão. A vida de vaqueiro não é fácil e ele veio de baixo".

Ainda segundo ela, toda a renda do companheiro vinha das competições. “O sustento dele toda vida ele tirou disso. Ele não tinha outro ganha-pão. O ganha-pão dele era trabalhar com vaquejada, que era o que ele mais amava", disse.

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