Justiça condena aliados do 'Skidum', líder máximo do CV no Pirambu
A dupla foi sentenciada a mais de 30 anos de prisão.
Apontados como "parceiros" de um dos criminosos mais perigosos do Estado, conhecido como "Fiel" ou "Skidum", dois homens foram condenados pela Justiça do Ceará.
Os condenados foram identificados como Romário Pereira de Sousa, sentenciado a mais de 20 anos de prisão, e Pedro Henrique Nogueira Pereira Leal, condenado a cerca de 11 anos.
Segundo a investigação, a dupla recebia ordens do líder para atuar no tráfico de drogas e em crimes que incluíam a execução de policiais militares.
A dupla integrava a facção Comando Vermelho (CV) e atuava nos bairros Pirambu, Carlito Pamplona e Barra do Ceará.
Segundo a investigação, essas áreas são lideradas pelo cearense Carlos Mateus da Silva Alencar, conhecido como "Fiel" ou "Skidum".
Os parceiros do "Fiel" foram condenados pelos crimes de tráfico de drogas e por integrar organização criminosa.
A Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Fortaleza publicou a sentença no dia 5 de maio de 2026.
Veja também
Romário Pereira já possuía extensa ficha criminal, e Pedro Henrique estava foragido após ter participado do assassinato de um policial militar no bairro Pirambu, em janeiro de 2025.
Já o líder do grupo, o "Fiel", foi absolvido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), em abril de 2026, pelo crime de integrar organização criminosa.
Apesar de ter sido absolvido neste processo, Carlos Mateus segue como réu em outros 11 processos na Justiça do Ceará.
As defesas dos réus condenados não foram localizadas, mas o espaço segue aberto para futuras manifestações.
Armas, drogas e fotos com líder do CV
O primeiro passo da investigação que resultou na condenação de Romário Pereira de Sousa partiu de uma denúncia anônima.
Na mensagem, enviada por WhatsApp, a fonte informava que o homem era integrante do CV com forte atuação nos bairros Carlito Pamplona e Pirambu.
Romário já tinha antecedentes por roubo, receptação, porte de drogas e tráfico de entorpecentes, mas estava solto quando as investigações mais recentes tiveram início.
"O investigado exerceria papel de destaque no tráfico de entorpecentes na região do grande Pirambu", acrescenta a denúncia.
Segundo a investigação, Romário teria começado a atuar de forma mais estruturada no tráfico de drogas a partir do ano de 2019.
Depois de cinco anos, ele foi preso em flagrante por tráfico de drogas em um local conhecido como "Beco do Siri", situado no bairro Carlito Pamplona, mas logo foi solto.
As autoridades definem o local como ponto de difícil acesso para as forças policiais devido ao rígido controle territorial da facção.
Segundo o relatório, os criminosos abordam e fiscalizam as pessoas que entram no beco, que funciona "simultaneamente como ponto de venda de drogas e como refúgio para integrantes da facção".
Após ser solto, Romário passou a ser monitorado pelas forças de segurança, que captaram imagens do homem novamente no "Beco do Siri". O ambiente é marcado por inscrições nas paredes e colunas que fazem alusão direta ao CV e suas lideranças.
Chefes do CV são homenageados no "Beco do Siri"
Em uma das paredes, é possível ler a frase "Biú Eterno", que homenageia um antigo líder da facção no Pirambu chamado Fábio de Almeida Maia, o "Biú".
O líder foi morto durante uma operação policial realizada no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, em 2024.
Na época, diversas homenagens foram prestadas ao homem e os estabelecimentos comerciais do Pirambu foram forçados a fechar as portas por dias em "respeito" ao falecimento da liderança.
Além dessa inscrição, outra pichação característica do "Beco do Siri" diz: "É o Lampião RJ", em referência a Max Miliano Machado da Silva, o "Lampião", apontado como uma das maiores lideranças do CV no Ceará.
O "Lampião" está atualmente preso em uma penitenciária federal de segurança máxima localizada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Outras frases como "Tropa do Fiel" e "CV" também podem ser vistas nas paredes do beco.
Romário Pereira confirmou que tirou fotos no local, mas negou ter intenção de fazer apologia ao crime. O réu, preso em junho de 2025, contou que mora no local e por isso costuma frequentá-lo, e que, apesar de já ter sido preso anteriormente, não integrava a facção.
As investigações descobriram também um perfil nas redes sociais por onde o homem compartilhava fotos cercado por armas, drogas e criminosos foragidos — dentre eles, o "Fiel" e Pedro Henrique Nogueira Pereira Leal.
Acusado de matar policial com faca na nuca
Pedro Henrique Nogueira Pereira Leal é apontado como um dos responsáveis pelo homicídio que vitimou o subtenente da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) Francisco Ricardo Silveira Neto em janeiro de 2025, no bairro Pirambu.
Na ocasião, o militar foi executado com diversos disparos de arma de fogo e foi encontrado com uma faca cravada na região da nuca.
Um dos criminosos presos pelo crime confessou que a faca cravada fazia referência à "Tropa do Açougueiro", responsável pelo ataque.
As investigações identificaram quatro criminosos envolvidos no assassinato. Pedro Henrique foi o último a ser preso, em julho de 2025.
Enquanto permanecia foragido, as autoridades encontraram diversas fotos do homem na companhia de Romário Pereira.
Pedro Henrique é identificado nas imagens por meio de uma tatuagem de rosa localizada na mão. Nas publicações, ele aparece em confraternizações, festas e barracas de praia, enquanto era procurado pelo crime brutal.
Segundo o relatório, Romário "seria o responsável por fornecer abrigo ao foragido sempre que a polícia realizava diligências com o objetivo de efetuar sua prisão".
As investigações apontaram também que Pedro Henrique já esteve escondido no Rio de Janeiro junto a lideranças da facção e que, inclusive, teria participado de ações contra agentes de segurança pública no estado.
Diferente de Romário, descrito apenas como executor local do tráfico de drogas, Pedro Henrique é apontado como um dos chefes de "maior influência e prestígio" dentro do Pirambu.
Pedro Henrique negou todas as acusações. O homem admitiu somente que já havia sido preso outras duas vezes por porte de arma e por receptação.
Durante sua prisão, a equipe tática também apreendeu uma arma de fogo que, segundo ele, seria utilizada apenas para "se proteger".
*Estagiária supervisionada pela jornalista Bruna Damasceno.