Chacina em campo de futebol: 'Skidum' passa a ser réu no caso e Justiça nega soltura de comparsa
Seis homens estão na lista dos denunciados pelo ataque.
A mais recente chacina registrada em Fortaleza está prestes a completar um ano e tem novos desdobramentos na Justiça. Um dos criminosos mais procurados pelas Forças de Segurança do Ceará e outros dois homens passaram a integrar a lista dos réus acusados pelo ataque.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) incluiu o nome de Carlos Mateus da Silva Alencar, o 'Skidum' ou 'Fiel', apontado como um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Estado e foragido há mais de um ano, escondido no Rio de Janeiro.
Conforme a acusação, Skidum participou do crime "haja vista a figuração no crime como mandante das ordens executórias, sendo responsável pelos atos de seus subordinados".
Além dele, já neste ano, o MP fez um novo aditamento da denúncia requerendo a inclusão de mais dois réus: João Victor de Oliveira da Silva e Fabrício de Oliveira Pinto.
Estes foram identificados "a partir dos dados obtidos e extraídos do aparelho celular de Antônio Gabriel Távora Viana".
O caso segue em segredo de Justiça.
QUEM SÃO OS OUTROS ACUSADOS PELA CHACINA:
- VICTOR MANUEL OLIVEIRA DA SILVA
- LUIZ GUSTAVO SOLANO CARVALHO FREITAS, o 'Capetinha'
- ANTÔNIO GABRIEL TÁVORA VIANA, o 'Ben10'.
FASES DO PROCESSO
A ação penal acerca do ataque ocorrido em um campo de futebol na Barra do Ceará, no início do mês de maio de 2025, segue em fase de instrução processual.
A defesa de Victor Manuel Oliveira da Silva pediu o relaxamento da prisão do acusado alegando que o jovem está preso há mais de 300 dias "sem que tenha havido a devida formação de culpa, caracterizando evidente constrangimento ilegal por excesso de prazo".
Na versão do advogado, o réu era primário e não garante risco à ordem pública e poderia, por exemplo, ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
O Ministério Público do Ceará se opôs à soltura.
De acordo com a acusação, Victor foi um dos responsáveis pelos quatro homicídios quadruplamente qualificados (torpeza, perigo comum, recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito), uma tentativa de homicídio contra civil com as mesmas qualificadoras, três tentativas de homicídio contra policiais qualificadas pela tentativa de assegurar a impunidade de outro crime e por serem cometidas contra agentes de segurança, além dos crimes de organização criminosa, corrupção de menor (pela participação do adolescente), receptação das armas e adulteração de sinal identificador dos veículos.
"Os elementos colhidos ao longo das investigações apontam para a atuação coordenada e estruturada dos envolvidos, indicando possível vinculação a organização criminosa, circunstância que reforça o risco de reiteração delitiva e de provável intimidação de testemunhas, caso o acusado venha a responder ao processo em liberdade, o que, pela natureza e circunstâncias do crime, são manobras processuais recorrentes"
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Para o órgão acusatório, "a custódia cautelar, entretanto, não possui caráter antecipatório da pena, mas sim natureza instrumental, voltada à preservação da ordem social e à eficácia da persecução penal, especialmente em crimes de elevada repercussão e potencial desestabilizador da paz pública".
'FATO GRAVÍSSIMO'
De acordo com os juízes da 6ª Vara do Júri, o processo agora conta com seis réus e trata de um "fato gravíssimo" com "provas técnicas de extração de dados e múltiplos aditamentos".
Os magistrados pontuam que neste caso não há excesso de prazo e se verifica "regularidade processual, uma vez que este juízo tem impulsionado o feito com diligência, com audiências já realizadas e nova data designada já para este mês de abril: dia 23/04/2026. Não há registro de desídia estatal".
A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas para Victor foi considera inviável, "porque o requerente, segundo os elementos constantes nos autos, teria atuado em estrita sintonia com os interesses da organização criminosa à qual é vinculado, movimentando-se para resguardar os interesses da facção diante da suspeita de colaboração à Polícia".
"Diante do alto grau de periculosidade evidenciado, da estrutura organizada do grupo criminoso e do risco concreto de continuidade da prática delitiva, conclui-se que a manutenção da prisão preventiva é a única medida adequada e proporcional às peculiaridades do caso".
A decisão proferida no fim do último mês de março foi publicada em edição do Diário da Justiça Eletrônico (DJE) desta semana.
A reportagem procurou a defesa de Victor, que preferiu não emitir nota se posicionando.
ATAQUE A TIROS
Na época dos fatos, o Diário do Nordeste noticiou que o crime na Rua Tambaú foi motivado por uma guerra entre a GDE e o Comando Vermelho (CV).
Os atiradores teriam chegado em dois carros, um de cor branca e outro cor preta, todos de balaclava e alguns com camisa da Polícia Civil do Ceará, se passando por agentes da Segurança Pública.
Criminosos mandaram todos se renderem e deitarem no chão. No entanto, algumas das vítimas desconfiaram de que não se tratava de uma ação policial e correram. Nesse instante, começaram as execuções.
Cápsulas de fuzil e pistola foram apreendidas no local. Após a matança, o grupo fugiu. Durante a fuga, colidiram um dos carros em que estavam.
Com os suspeitos detidos foram apreendidas ainda 49 munições calibre .40, um veículo, dois celulares e drogas.
Uma das vítimas é um adolescente de 16 anos, que jogava futebol amador e já havia feito testes nas categorias de base de times de futebol de Fortaleza.
Morreram: Estefany da Silva Ribeiro, Carlos Johnson Viana Ferreira, Pedro Henrique da Silva Borges e Evandro Igor da Silva Dias.
Após a execução, o grupo fugiu, mas foi localizado por policiais militares que realizavam patrulhamento. Segundo a acusação, durante a tentativa de abordagem, os ocupantes do veículo em que Victor se encontrava efetuaram disparos contra os agentes de Segurança Pública.
QUEM É 'SKIDUM'
Temido dentro e fora da facção carioca Comando Vermelho (CV) e dono de uma extensa ficha criminal. Carlos Mateus da Silva Alencar, o 'Skidum' ou 'Fiel', é um dos criminosos cearenses que se esconde nas comunidades do Rio de Janeiro, enquanto segue dando ordens para crimes no Ceará.
Nos últimos três anos, 'Skidum' participou diretamente de, pelo menos, 16 homicídios. Documentos costumam indicar que "a ação criminosa se deu a mando de Carlos Mateus da Silva Alencar", mostrando que o faccionado é o responsável por ordenar execuções.
Carlos era pescador no Grande Pirambu, região de Fortaleza onde continua sendo influente, mesmo à distância.
De acordo com a denúncia feita há 10 anos, Carlos Mateus já era conhecido na região como 'Skidum', o membro da 'Gangue da Areia Grossa', "associação criminosa armada apontada como responsável por diversos crimes de homicídio".
Com o passar dos anos o criminoso ascendeu na facção carioca e matar a mando dele virou sinônimo de 'orgulho' dentre os mais recentes faccionados.
O homem segue na 'Lista dos Mais Procurados da SSPDS'. A Secretaria pede que quem tiver informações que possam levar à prisão dele, entre em contato pelo Disque 181. Sigilo e anonimato são garantidos pela Pasta.