Justiça do CE mantém prisão de vendedora suspeita de integrar CV e atuar em ataques com drones
Isadora Inácio Pereira está presa desde o último mês de abril.
A Justiça do Ceará decidiu manter a prisão de uma mulher acusada de integrar a facção criminosa carioca Comando Vermelho (CV) e utilizar drones para realizar ataques em Fortaleza.
A defesa de Isadora Inácio Pereira pediu a revogação da prisão preventiva alegando "ausência de cometimento de crime". No entanto, os juízes da Vara de Delitos de Organização Criminosa entenderam que há indícios de que a mulher integra o grupo criminoso e indeferiram o pedido para 'resguardar a ordem pública'.
A vendedora foi presa em flagrante no mês de abril deste ano, depois de uma série de ataques na região da 'Comunidade Gereba'. Policiais monitoravam a região após informações de que o local estava 'sob influência da organização criminosa Comando Vermelho'.
Na ocasião, também foram detidos Jhoaly Sousa Nunes e Anna Kelly Ferreira da Silva, com armas de fogo de calibre restrito e explosivos.
Anna Kelly foi solta já na audiência de custódia. Dias depois, o Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Jhoaly e Isadora por integrarem a facção. As defesas dos acusados não foram localizadas pela reportagem.
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NOVOS ATENTADOS PLANEJADOS
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) recebeu informações indicando que o bando realizava ataques com granadas e se organizava para "executar um novo atentado".
"Desse modo, a equipe policial foi ao local e, durante a aproximação, os policiais visualizaram a subida de um drone. Naquele momento, as autoridades avançaram para um terreno localizado atrás da residência suspeita"
Quando policiais militares chegaram ao local, avistaram a decolagem de um drone: "neste momento, as equipes avançaram em direção a um terreno localizado por trás da residência suspeita, ocasião em que três indivíduos empreenderam fuga, sendo possível capturar um deles".
O primeiro a ser preso foi Jhoaly. O suspeito estava com uma arma. Ele teria confessado que havia mais armas e equipamentos em uma residência.
As diligências continuaram até as autoridades chegarem às duas mulheres. No imóvel foram apreendidas mais quatro armas de fogo, três drones, um colete balístico, 110 munições de diversos calibres e rádios comunicadores.
OCORRÊNCIAS COM EXPLOSIVOS
A ocorrência mais recente de uso de drone por parte do CV em Fortaleza foi em 7 de abril de 2026. Conforme relatos de testemunhas, um drone sobrevoou uma residência e 'jogou' uma bomba no telhado da casa de um morador.
Uma das vítimas disse à Polícia que dormia quando percebeu o ataque: "escutou o estrondo e viu uma nuvem de fumaça". Não houve feridos nesta ação. A suspeita é de que este imóvel tenha sido escolhido pelos faccionados porque um dos parentes da proprietária da casa seria "desafeto do CV".
Dois dias depois, policiais militares foram acionados para uma ocorrência similar, desta vez no bairro José de Alencar. Uma granada foi jogada no teto de uma casa. O Esquadrão Antibombas foi ao local e detonou o artefato.
No dia 11 de abril, agentes se depararam com uma nova ameaça de bomba. No bairro Curió foi encontrado mais um artefato explosivo do tipo granada que, segundo populares, foi arremessado por um drone.
Em 13 de abril, na Rua Paraíso, bairro Barroso, mais um telhado de uma casa foi quebrado devido a uma explosão. A residência atacada parecia estar desabitada.
As investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo e os possíveis mandantes das ações. O caso é apurado pelos policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).