Carga de skunk apreendida em Fortaleza veio de Manaus, pertence ao CV e é avaliada em R$ 8 milhões

Três pessoas foram presas suspeitas de receberem a mercadoria.

14 de Agosto de 2026 - 12:40
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Legenda: Não se sabe ainda para onde a carga de entorpecentes seria distribuída no Ceará.
Foto: Matheus Facundo/SVM.

Dois dos três homens presos em uma operação conjunta da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Receita Federal admitiram que desembarcaram no Ceará apenas para receber a remessa de 700 quilos de skunk avaliada em R$ 8 milhões, apreendida nesta sexta-feira (14), no Passaré, em Fortaleza.

O "skunk" é um tipo de maconha considerado mais forte. A droga veio de Manaus, no Amazonas, onde se sabe que é produzida, e pertenceria à facção carioca Comando Vermelho (CV), segundo as investigações.

O trabalho policial resultou na prisão em flagrante de três suspeitos com idades entre 30 e 40 anos, todos de Manaus e sem antecedentes criminais. Dois deles confessaram que vieram ao Ceará por causa da carga, enquanto o terceiro mentiu e disse que estava no Estado a passeio. A Polícia, contudo, aponta que nenhum dos três foi o responsável por transportar a droga.

"Esses indivíduos chegaram ao Ceará há alguns dias e estavam sendo monitorados pelas nossas equipes. [...] A gente se posicionou de maneira tática, realizamos a abordagem quando [a carga] estava ingressando em um galpão e foi localizado o material. Estava no interior de uma carga de sucata", resumiu em coletiva de imprensa na Delegacia de Narcóticos (Denarc) o delegado Ricardo Pinheiro, diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). 

Os entorpecentes estavam escondidos entre peças e materiais destinados à reciclagem. O trabalho de identificação da droga foi auxiliado por agentes caninos da Receita Federal e da PCCE. Na coletiva, os investigadores disseram ainda que foi a primeira vez que apreenderam uma carga escondida dessa forma, envolvida em plástico PVC e em espuma expansiva.

A investigação, agora, tentará elucidar as circunstâncias do transporte e da distribuição dessa carga. "Se essa droga vinha para Fortaleza mesmo, se iria ser destinada para outros estados. De onde viria efetivamente, como veio para cá. Tudo isso vai fazer parte da investigação e nós vamos entender as circunstâncias desse fato", afirmou o delegado Paulo Renato, titular da Denarc.

Compartilhamento de informações

O trabalho da PCCE e da Receita foi desencadeado a partir do compartilhamento de informações entre os órgãos, que identificaram a possível chegada de uma carga oriunda de Manaus, transportada em carretas.

No endereço de destino da mercadoria, equipes fizeram a abordagem com apoio de cães de faro e encontraram a droga camuflada em meio a uma carga declarada como material reciclável e envolvida por material emborrachado. Também foram utilizados equipamentos de raio-X, que revelaram a existência de volumes ocultos no interior das peças.

Remessa escondida em potes de açaí

Uma empresária foi flagrada no último 5 de agosto, no Jangurussu, em Fortaleza, recebendo 264 quilos de skunk. A droga estava camuflada em potes de açaí e também veio de Manaus.

Da mesma forma, o monitoramento da carga foi possível por meio da troca de informações entre a Polícia Civil e a Receita Federal.

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