Mãe de Kauã Guedes chora ao citar acusado da morte em depoimento: 'Acabou com a minha vida'

Maria Verônica Irineu de Oliveira foi ouvida em audiência na sexta-feira (30).

Escrito por
Mylena Gadelha mylena.gadelha@svm.com.br
Montagem com acusado de morte de Kauã em foto do dia do crime vestindo blusa azul. A seguinte imagem mostra o momento do acidente, mostrando carro e moto.
Legenda: Audiência de instrução ouviu depoimento de testemunhas do caso de Kauã Guedes.
Foto: Reprodução.

A mãe de Kauã Guedes, jovem atropelado e morto no cruzamento de uma via no bairro Meireles, em Fortaleza, chorou ao prestar depoimento em uma audiência do caso na última sexta-feira (30). "Se ele está me ouvindo aí, que Deus perdoe. Eu perdoo, mas ele tem que pagar porque ele acabou com a minha vida", disse ela, emocionada ao pedir justiça e citar o acusado pela morte do filho.

Maria Verônica Irineu de Oliveira foi uma entre os ouvidos em audiência de instrução sobre o caso, que deve definir se o empresário Rafael Elisario Ferreira, acusado e preso, será pronunciado pelo crime de homicídio doloso no trânsito.

"Ele interrompeu uma vida e eu espero que a justiça seja feita. Fiquei me perguntando por que que ele não morreu. Eu fiquei questionando ao Senhor: Senhor, por que que ele não bateu no muro e  morreu? Teve que fazer essa tragédia", continuou a mãe do jovem.

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Durante o depoimento, Maria Verônica ainda revelou, bastante emocionada, que o filho era o responsável por acompanhá-la, ainda no ano passado, às sessões de tratamento contra um câncer.

Segundo ela, Kauã fazia companhia nas sessões de radioterapia, que se encerraram há cerca de quatro dias. "Eu tenho que passar por uma dor imensa da perda de um filho e ainda tem que fazer um tratamento", completou.

Morte após colisão

O acidente que matou o jovem Kauã ocorreu no dia 18 de junho de 2025, no cruzamento entre as ruas República do Líbano com Osvaldo Cruz, no bairro Meireles. Na ocasião, ele estava acompanhado do amigo, Igor Lima da Silva, que sobreviveu, mas passou por uma série de cirurgias.

Rafael Elisario Ferreira dirigia uma Ford Ranger durante o acidente. Imagens do caso mostram que ele avançou a preferencial da via em alta velocidade e atingiu a motocicleta em que estavam os dois amigos.

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Kauã foi arrastado por cerca de 20 metros, enquanto Igor foi arremessado após o impacto com o carro. Rafael não prestou socorro e se abrigou em um condomínio nos arredores do local do acidente.

Segundo a Polícia, latas de cerveja, comprimidos e dois papelotes de cocaína foram encontrados no veículo em que o empresário estava. Além disso, laudos periciais apontam que ele trafegava em uma velocidade três vezes acima do permitido no momento do acidente.

"Ele não sabia que tinha uma pessoa debaixo do carro, gente. Uma pessoa assim não estava normal, estava drogado, embriagado. Agora eu quero que vocês me digam qual é o nome que se dá para uma pessoa assim, porque para mim. Eu vou chamar de cidadão em respeito a quem falou aí, mas para mim ele não é um cidadão", continuou a mãe durante o depoimento.

O empresário está preso e é investigado por homicídio doloso no trânsito. A denúncia pelo crime de homicídio qualificado com dolo eventual – quando não há intenção de matar, mas se assume o risco –  foi aceita pela Justiça. Além disso, ele deve responder por tentativa de homicídio contra Igor Lima, que sobreviveu ao acidente.

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