'Anja da Noite', suspeita de integrar facção na Grande Fortaleza, vai para prisão domiciliar

A mulher de apenas 20 anos e mãe de dois filhos é suspeita de atuar no tráfico de drogas em Horizonte (CE).

Escrito por
Geovana Almeida* geovana.almeida@svm.com.br
(Atualizado às 10:46)
Imagem de uma jovem mulher com cabelo castanho escuro, rosto sorridente e olhar para a câmera, em uma situação relacionada a um procedimento policial ou oficial.
Legenda: A suspeita atuava em ações de roubo e no tráfico de drogas.
Foto: Reprodução.

A jovem Iara Vitória da Silva Castro, 20, conhecida como 'Anja da Noite', é apontada como uma das integrantes da facção criminosa Guardiões do estado (GDE) na região de Horizonte, no Ceará. A jovem, que estava detida há pouco mais de um mês, passou a cumprir prisão domiciliar nessa quarta-feira (28). Iara Vitória foi presa por suspeita de ser integrante da facção cearense com atuação no tráfico de drogas.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) solicitou a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar na terça-feira (20). Pois, a jovem é mãe de dois filhos de 3 e 7 anos, "circunstância que faz presumir a necessidade de maiores cuidados por parte da requerente", afirmou. 

A partir de agora, a 'Anja da Noite' será monitorada por tornozeleira eletrônica, além de não poder se ausentar de sua residência sem uma autorização judicial expressa. Iara Vitória ainda não recebeu uma sentença condenatória

"A prisão atual não serve como antecipação de pena, mas sim como uma medida para resguardar a ordem pública enquanto o processo avança"

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Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a advogada Roberta Studart, que representa a defesa de Iara Vitória, afirmou que sua cliente "não possui antecedentes criminais e responde a imputação que, em sua tipificação, não envolve violência direta, o que autoriza a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça".

(Leia a nota na íntegra abaixo)

Segundo o relatório policial, a mulher "é o 'braço direito' de um homem conhecido como 'Igor' na venda e distribuição de drogas da região" e teve a prisão decretada em agosto de 2025. Quatro meses depois, Yara foi capturada na cidade de Jaguaruana, no interior do Ceará e levada à Unidade Prisional Feminina Desembargadora Auri Moura Costa (UPF), no município de Aquiraz. 

A prisão aconteceu após uma operação da Polícia Civil do Ceará (PCCE), que encontrou os dados de 'batismo' da jovem no celular de Patrícia de Paula de Sousa Bezerra - apontada como uma das lideranças da GDE no Estado do Ceará - e capturada no final de 2024 .

Líder da GDE foi a responsável por 'batizar' a 'Anja da Noite'

No celular de Patrícia de Paula de Sousa, conhecida como 'Fatare' ou 'Água' foram encontrados os dados de cadastro da jovem na facção cearense, incluindo a "quebrada" em que ela atuava, os "padrinhos", o tempo no crime e até as funções que ela exercia na organização.

'Fatare' era responsável pelo 'batismo' de novos membros, além de integrar o "Conselho Final" da GDE. O delegado adjunto da Draco, Thiago Salgado, afirmou que a posição da mulher na facção era estratégica: "É uma forma do grupo criminoso deixar uma pessoa alheia aos crimes violentos que ocorrem em decorrência da disputa territorial. Era uma pessoa que estava acima disso. Nos homicídios que ela é investigada, ela aparece na condição de mandante, que dava o aval".

A 'Anja da Noite' atuava no tráfico de drogas e em roubos pelo grupo, com atuação em Horizonte (CE) e no bairro Planalto Ayrton Senna. Quando completou dois anos de atuação na facção, a jovem decidiu mudar o antigo nome de 'Imperatriz' para ' Anja da Noite', fato que a fez enviar novas fotos e dados a Patrícia de Paula.

"Em análise comparativa feita por software de inteligência artificial de reconhecimento facial foi constatado que a imagem do referido cadastro de fato corresponde a Iara Vitória da Silva Castro"

Além disso, segundo consta nos documentos apurados pela reportagem, ela estaria alterando seu 'vulgo' após autorização de seu "padrinho no crime", um homem conhecido apenas pela alcunha de 'Magnata CSL'.

Nota da defesa: 

"Atuei na defesa de Iara Vitória da Silva Castro e obtive decisão judicial que converteu sua prisão preventiva em prisão domiciliar, nos termos da legislação vigente. A medida foi concedida com fundamento nos arts. 318, V, e 318-A do Código de Processo Penal, bem como no Estatuto da Primeira Infância, que asseguram proteção especial à mulher ré primária que seja mãe de criança menor de 12 anos, quando ausentes violência ou grave ameaça.

No caso concreto, demonstrei ao Juízo que minha cliente é mãe de uma criança de quatro anos, não possui antecedentes criminais e responde a imputação que, em sua tipificação, não envolve violência direta, o que autoriza a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

A decisão reafirma que a prisão cautelar deve ser excepcional e que o processo penal não pode se afastar da legalidade, da proporcionalidade e, sobretudo, do melhor interesse da criança. A custódia foi substituída por prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, mantendo-se o controle judicial sem violar direitos fundamentais".

Advogada Roberta Studart.

*Estagiária supervisionada pelo jornalista Emerson Rodrigues. 

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