Guru espiritual acusado de crimes sexuais é preso em Fortaleza

'Operação Erasta' cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão contra o homem suspeito de crimes sexuais

O guru espiritual Pedro Ícaro de Medeiros, o "Ikky", acusado da prática de crimes sexuais foi preso preventivamente pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (29), em Fortaleza, por práticas contra duas adolescentes. A ação, faz parte da "Operação Erasta", que também cumpriu mandados de busca e apreensão contra o suspeito em três endereços da Capital.

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Os mandados foram expedidos pela 12ª Vara Criminal de Fortaleza. A investigação do Ministério Público do Ceará (MPCE) ficou a cargo do Núcleo de Investigação Criminal e contou com a colaboração do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NUAVV). Segundo o MPCE, foram apreendidos celulares e computadores nos endereços. 

O nome da operação faz referência aos conceitos da pederastia da antiga Grécia, em que Erasta era o homem com mais de trinta anos que se relacionava com jovens, visando refinar-lhes a educação.

"Ikky" é estudante de Filosofia e é apontado como o criador da Comunidade Afago, onde teria abusado sexual, físico e psicologicamente de jovens de aproximadamente 20 anos, entre 2018 e 2019, em Fortaleza.

O inquérito do NUAVV investiga crimes sexuais cometidos por Ícaro antes do envolvido dele na Afago. De acordo com o coordenador do Núcleo de Investigação Criminal do MPCE, Humberto Ibiapina, as vítimas denunciaram os casos no #ExposedFortal, movimento em que jovens relataram crimes sexuais em redes sociais em várias partes do país. As duas vítimas foram ouvidas pelo Ministério Público.

Ibiapina afirma que Ícaro conheceu os adolescentes em uma igreja e se aproximou oferecendo ser "salvação". Assim como nas denúncias da Comunidade Afago, os relatos indicam que o estudante escolhia como vítimas pessoas carentes, vulneráveis e com problemas pessoais. 

"Ele iniciou com esses dois adolescentes, e continou a prática criminosa na situação da Comunidade Afago. Na verdade, ele aprimorou o modus operandi. Essas duas vítimas são, talvez, as primeiras vítimas do modo de agir do Ícaro", explica o coordenador.

Ibiapina afirma que Ícaro foi preso em casa, por volta de 5h30, e não resistiu. "Embora ele não tenha recebido, aberto a porta, a gente conseguiu entrar. E fizemos a prisão dele sem resistência nenhuma", conta. Ele deve ser encaminhado à Delegacia de Capturas ainda nesta terça-feira (26), explica.

Outras denúncias

As denúncias de crimes ocorridos dentro da Comunidade Afago vieram à tona com uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, exibida no dia 19 de julho deste ano. O primeiro inquérito foi instaurado no 26° Distrito Policial e não tem relação com o caso do NUAVV, que resultou na prisão preventiva de Ícaro.

Menos de uma semana após a revelação do caso, a Polícia Civil concluiu o inquérito e o MPCE denunciou o suspeito por violação sexual mediante fraude, crime sexual para controlar o comportamento social ou sexual da vítima, charlatanismo e curandeirismo.

A Comunidade Afago atraía os jovens pelo tratamento espiritual, participação em projetos sociais e cursos terapêuticos. "Não só pra mim, mas para uma roda de pessoas, ele dizia muitas vezes que o p... (órgão sexual) dele era mágico", disse uma das vítimas na época.

As vítimas chegaram a relatar que a seita possuía um ritual de batismo que deixava cicatrizes. Além disso, o grupo também tinha uma hierarquização. Para progredir, o jovem tinha que passar por provas violentas, como a troca de tapas, que promoviam "o crescimento pessoal e espiritual".

 

 

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