#ExposedFortal: jovens relatam supostos assédios de professores da Capital em perfil no Instagram

Até a manhã desta quarta-feira (24), o perfil na rede social já havia publicado mais de 28 mensagens anônimas

Relatos de assédio e divulgação de fotos íntimas em Fortaleza ganharam as redes sociais na terça-feira (23) com a hashtag #ExposedFortal, que se tornou um dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. No Instagram, em perfil com mais de 35 mil seguidores, vítimas explicaram casos criminosos e nomes envolvidos nas acusações foram reunidos em publicações. Entre elas, nomes de professores de escolas da cidade também foram citados.

“Ele ficava falando dos meus peitos, dizendo que eu era “grandiosa”. Eu não assistia às aulas dele de sábado porque me senti super desconfortável. Sempre que era aula dele, ele me puxava pelo braço, dizendo para eu apagar o quadro”, contou uma das jovens assediadas por professor em instituição de ensino privada na Capital cearense. Segundo ela, o caso aconteceu em 2018 e as investidas só teriam cessado após negativas mais duras. 

O relato em questão é um dos 28 expostos no perfil até a manhã desta quarta-feira (24). Na publicação mais recente, várias alunas contam histórias envolvendo um mesmo professor. “Tinham momentos em que ele pegava a minha mão e eu ficava desconfortável, ou ele alisava minha coxa. Por dentro, eu queria morrer e não sabia o que fazer”, explicou uma delas por meio de mensagem.

“Depois de ver todos esses depoimentos, concluí que é tipo um método criado por ele já. Sempre que ele passava filme, eu ficava preocupada. Ele tentava ficar alisando minha mão e tentando pegar minha perna, ombro. Minha amiga tinha que ficar inventando perguntas para ver se ele dava um tempo”, conta a seguinte.

 

Além dos casos envolvendo docentes de escolas da Capital, o perfil também publicou informações de casos vivenciados por outras mulheres e adolescentes. “Eu era colega de um amigo dele e ele me viu e mandou a solicitação de amizade no Instagram mesmo. Ele sempre ficava dando em cima de mim e eu sempre ignorando. Até que, do nada, ele me mandou uma foto das partes íntimas”, explicou outra moça sobre a insistência constante recebida por meio das redes sociais. 

Ao Sistema Verdes Mares, uma das vítimas contou ter sofrido pressão psicológica para enviar fotos íntimas, situação que chegou a se repetir com amigas da jovem. "Ele ficou chateado com a minha negação e disse que só estava falando comigo para pedir 'nudes'. Depois, voltou a insistir e falava me amava".

Investigação

Parte das denúncias iniciais da hashtag contavam sobre um grupo de aplicativo de mensagens, criado em Fortaleza, composto por garotos e homens jovens, onde imagens íntimas de meninas eram compartilhadas. Informações dão conta de que os suspeitos utilizavam o espaço para fazer comentários sobre as vítimas e até mesmo ameaçá-las. 

Uma jovem, que era próxima a um dos envolvidos no grupo, conta que ele mesmo chegou a revelar que tinha um álbum de fotos íntimas de menores de idade no celular. "Ele e os amigos dele guardavam as fotos e até mandavam em grupos. Eles tinham várias dessas fotos, pois pediam para muitas meninas e, os que eles não recebiam da própria, eram enviados pelos amigos".

"Ele me mandou uma gravação de tela do conteúdo que guardava e vi várias nudes, inclusive de amigas minhas". A jovem disse ainda que ele já havia pedido para ela e outras conhecidas que enviassem fotos íntimas.   

Outra vítima relata que teve fotos compartilhadas no aplicativo de mensagens e afirma que uma primeira versão do grupo foi criada em 2016. "Agora que eu expus ele, veio me dizer estava arrependido pelo que fez na época, mas só veio pedir desculpas porque eu sou namorada do amigo dele", explica. 

Ainda na manhã de terça-feira (23), o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que o caso já está em processo de investigação. “A Polícia Civil já está apurando denúncias relatadas no #exposedfortal, determinei prioridade para o caso. Solicito que as vítimas registrem o BO para facilitar a identificação dos envolvidos”, escreveu o titular da pasta em publicação no Twitter.

Além disso, segundo a Secretaria da Segurança, a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca) apura as denúncias do caso envolvendo a divulgação de fotos íntimas envolvendo crianças e adolescentes. Ainda de acordo com SSPDS, a população pode ajudar na investigação por meio de denúncia sobre ocorridos relacionados ao caso.

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Redação 30 de Novembro de 2020