Policial civil é investigado por ameaça, agressão e dano ao patrimônio contra vizinhos em Fortaleza
A Controladoria Geral de Disciplina apura as denúncias contra o servidor.
A chegada de um policial civil para morar no bairro Conjunto Prefeito José Walter, em Fortaleza, acabou com a paz de outros moradores. O servidor público é suspeito de ameaças, agressão e dano ao patrimônio contra vizinhos.
Os crimes foram denunciados pelas vítimas à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e do Sistema Penitenciário do Ceará (CGD) e à Polícia Civil do Ceará (PCCE).
"A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) informa que está investigando a ocorrência", confirmou o Órgão, em nota, sem fornecer mais detalhes.
Já a Polícia Civil respondeu apenas que remeteu a denúncia à Delegacia de Assuntos Internos (DAI), da Controladoria Geral de Disciplina.
O nome do policial civil não será divulgado nesta reportagem porque ele ainda é investigado e não houve indiciamento ou alguma punição contra o servidor.
Conforme relatos obtidos pela reportagem, o policial civil se mudou para uma região do bairro José Walter em agosto do ano passado. Com poucos dias na nova morada, o policial teria discutido com uma vizinha e arrancado os medidores de energia e de água da casa dela.
No mesmo mês, o agente da Polícia Civil teria brigado com um casal de vizinhos e ameaçado de morte o homem - que teria deixado de morar no local.
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Tapa no rosto do vizinho
Em setembro do ano passado, outro vizinho do policial teria sido agredido com um tapa no rosto, em um bar da região. O episódio teria iniciado uma perseguição ao homem.
Nos meses seguintes, a vítima da agressão teve o medidor de energia da casa quebrado e molhado por gasolina, numa suposta tentativa de incineração.
O vizinho do policial teria recebido ameaças de morte para ele e para a filha. Urina foi arremessada em direção à casa da vítima. E a fechadura do portão do imóvel foi danificada por cola.
Os episódios de violência foram atribuídos ao policial civil e denunciados ao 8º DP (José Walter), da Polícia Civil, e à CGD.
Na última quinta-feira (26), o policial arremessou uma sacola com lixo no portão da casa do mesmo vizinho. Câmeras de segurança da região registraram o ato de vandalismo.
Crime de trânsito
O policial civil em questão já foi investigado pela Polícia Civil por um crime de trânsito, cometido enquanto dirigia uma viatura da Instituição, no Município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em julho de 2017.
Conforme o depoimento da vítima, que também trabalhava para a Polícia Civil em uma motocicleta da Corporação, a viatura fez uma conversão proibida, o que motivou a colisão entre a moto e o carro. O motociclista teve uma lesão no braço que obrigou o uso de tala por 8 dias e recebeu atestado médico de 10 dias.
O Departamento Municipal de Trânsito de Maracanaú (Demutran) compareceu ao local do acidente e verificou que o policial civil dirigia sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ao ser questionado, o servidor alegou que tinha extraviado o documento.
A 3ª Vara Criminal da Comarca de Maracanaú decidiu suspender condicionalmente o processo, por 2 anos, contra o policial civil, em audiência realizada no dia 4 de novembro de 2024.
Como consequência, o policial foi proibido de conduzir veículo automotor; proibido de ausentar-se da comarca onde reside por período superior a 8 (oito) dias; e obrigado a comparecer em juízo mensal até o dia 10, para informar e justificar suas atividades.