Mortes e corpos incendiados para 'despistar urubus': dupla é condenada a 92 anos de prisão no Ceará
As vítimas eram jovens sem antecedentes criminais.
Seis anos após um duplo homicídio com requintes de crueldade, dois homens acusados pelos crimes foram condenados no Ceará. As penas de Francisco Jamerson Sousa de Freitas e Marcelo Rodrigues Campos chegam a 92 anos de prisão.
A dupla foi a Júri Popular nessa quinta-feira (11), em Fortaleza, e os jurados decidiram acatar integralmente as acusações sustentadas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Nenhuma das vítimas tinha antecedentes criminais.
Francisco Jamerson foi condenado a 41 anos e um mês de prisão, enquanto Marcelo Rodrigues foi condenado a 51 anos, sete meses e 15 dias de prisão. Os dois também foram sentenciados a pagar indenização aos familiares das vítimas.
Segundo a denúncia oferecida pela 114ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, Jamerson, Marcelo e Marcílio de Freitas Assunção foram responsáveis pelos homicídios duplamente qualificados, ocultação de cadáver e por integrar organização criminosa. Por trás da ação criminosa estaria a motivação de que o território à época era dominado pela facção Guardiões do Estado (GDE) e os acusados suspeitavam que as vítimas eram de um grupo rival.
O terceiro réu acabou não sendo julgado no mesmo dia, porque já no início da sessão "foram constatadas teses conflitantes para as defesas de Marcílio de Freitas Assunção e Marcelo Rodrigues Campos. Em razão disso, o magistrado desmembrou o julgamento, para que fosse designado outro membro da Defensoria Pública para patrocinar a defesa do primeiro réu, mantendo o julgamento apenas de Marcelo Rodrigues Campos e de Francisco Jamerson Sousa de Freitas".
O DIA DO CRIME
De acordo com o MP, na tarde do dia 9 de abril de 2020, em um matagal no bairro Pedras, Marcelo Rodrigues, o 'Sapinho', cumpriu a determinação do denunciado Marcílio para assassinar as vítimas Francisco Antônio da Silva Flor, de 19 anos, e Carlos Kauã Ferreira Cunha, 16.
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Depois, Marcílio ainda teria ordenado que Jamerson fosse ao local para 'queimar os corpos das vítimas', porque havia urubus por perto de onde os corpos estavam.
Testemunhas contaram aos investigadores que homens invadiram um bloco de um residencial em busca dos jovens. As vítimas foram levadas até um matagal e assassinadas.
Há indicativos de que Marcílio é o mandante de uma série de crimes na região, incluindo expulsões de famílias das próprias casas.
Dois meses depois, Marcílio foi preso já apontado como responsável por ordenar o crime. Dias após a primeira prisão, Jamerson foi capturado.
"Conforme a investigação, a dupla denunciada foi à casa da mãe de uma das vítimas e, após a abordagem, elas foram levadas para um matagal nas proximidades de um condomínio no bairro Pedras, onde foram amarradas e executadas. Depois, os denunciados atearam fogo nos corpos, na tentativa de ocultar os cadáveres".
No ano passado, o juiz da 2ª Vara do Júri decidiu pronunciar os denunciados. Após a pronúncia, o júri foi marcado para essa quinta-feira (11) e terminou com a condenação de dois dos três réus.
O julgamento do terceiro acusado ainda não foi marcado.