Homem foge de júri antes de ser condenado a 21 anos de prisão por matar ex-namorada no Ceará
O condenado, que agora está foragido, respondia ao processo em liberdade e saiu do Tribunal antes da leitura da sentença.
Um homem que estava em julgamento por matar a ex-companheira em Canindé, no interior do Ceará, fugiu do Tribunal do Júri antes da sentença que o condenou a 21 anos de reclusão ser lida nessa quarta-feira (10). "O réu, que respondia ao processo em liberdade, ausentou-se do local antes da leitura da sentença", informou o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), em nota nesta quinta-feira (11).
Conforme o órgão, o Poder Judiciário expediu uma ordem de prisão contra o sentenciado e, até o momento da publicação desta matéria, ele permanecia foragido. Ele passou a responder em liberdade em agosto de 2021, devido ao "excesso de prazo na formação da culpa".
Luiz Carlos Almeida assassinou a ex, Tarciana Araújo Sousa, em 17 de janeiro de 2018. Ele efetuou uma série de disparos de arma de fogo contra a vítima, que ainda foi socorrida com vida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Ela conseguiu identificar Luiz como o agressor antes de perder a consciência. Tarciana foi atingida no tórax e nos membros superiores.
Segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE), que fez a acusação, as investigações demonstraram que o condenado se escondeu próximo a uma igreja para esperar a vítima passar e surpreendê-la com os tiros.
Luiz se colocou na frente da motocicleta em que Tarciana estava e sacou a arma rapidamente contra ela.
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Defesa diz que réu saiu para atendimento médico
Em nota à imprensa, a defesa de Luiz Carlos, patrocinada pelo escritório Nogueira, Pinheiro e Santos Advogados, informou que o réu se ausentou do tribunal após o intervalo do almoço para atendimento médico "em razão de problemas de saúde preexistentes". Ele teria hipertensão arterial e diabetes, condições, inclusive, conforme os advogados, comunicadas em juízo.
"A defesa entende que os acontecimentos relacionados a essa circunstância extrapolaram os limites do debate processual e também serão objeto de análise pelas instâncias competentes", afirmaram os advogados.
Ressalta-se, ainda, que Luiz Carlos de Almeida respondeu ao processo em liberdade desde agosto de 2021, por força de decisão judicial, cumprindo integralmente todas as medidas cautelares impostas pelo Juízo, inclusive comparecimento periódico em juízo, sem qualquer registro de descumprimento ao longo de quase cinco anos. Diante desse cenário, a defesa interporá os recursos cabíveis, confiante de que as questões fáticas, probatórias e processuais debatidas no processo serão devidamente reavaliadas pelas instâncias superiores, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa
Sobre a condenação, a defesa disse que "discorda e adotará todas as medidas recursais cabíveis previstas na legislação processual penal".
Condenado 'decretou' morte da ex
De acordo com a investigação do caso, o homem não aceitou o fim do relacionamento, que durou cerca de seis anos. O ex-casal estava separado há cerca de seis meses antes do crime ocorrer.
No dia da morte, Tarciana chegou a falar para uma amiga que Luiz Carlos "decretou" sua morte. Uma testemunha disse que a mulher esteve em sua casa por volta das 4h da madrugada e disse: "Nega, eu estou sendo ameaçada, Carlinhos já decretou minha morte".
As amigas teriam combinado de ir à delegacia fazer um Boletim de Ocorrência (B.O), mas acabaram deixando para o dia seguinte.
Conforme a mãe da vítima, o ex-genro ia constantemente ao local de trabalho da ex para ameaçá-la. A mãe de Tarciana disse ainda que ele tinha histórico de violência e que batia na filha dele.