Chacina das Cajazeiras: o que aconteceu com os acusados 8 anos após o crime
14 pessoas foram assassinadas na chacina.
Um dos dias mais violentos no Ceará completa oito anos nesta terça-feira (27). No dia 27 de janeiro de 2018, 14 pessoas foram assassinadas em meio a uma 'guerra de facções' no bairro Cajazeiras. O episódio resultou em um processo extenso e com reviravoltas envolvendo nomes de lideranças da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE).
Dos réus, dois foram julgados até então. Um deles condenado a 790 anos de prisão e o outro inocentado pelas mortes, mas sentenciado a crimes relacionados ao episódio. Para outros oito acusados com júri pendente, não há previsão de quando eles devem sentar no banco dos réus.
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que os réus Noé de Paula Moreira, Misael de Paula Moreira, Zaqueu Oliveira da Silva, Fernando Alves Santana, Francisco Kelson Ferreira do Nascimento, Ruan Dantas da Silva e Joel Anastácio de Freitas foram pronunciados pela 2ª Vara do Júri de Fortaleza para julgamento pelo Tribunal do Júri e "todos interpuseram recurso contra a decisão de pronúncia, os quais aguardam apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)".
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Em 2023, Auricélio Sousa Freitas, o 'Celim da Babilônia', chegou a ser impronunciado pela chacina por decisão proferida em 1º Grau. O Ministério Público do Ceará (MPCE) recorreu e Auricélio acabou pronunciado em segundo grau pela Justiça do Ceará. Agora, ele aguarda o julgamento do recurso que interpôs contra a pronúncia.
"O agendamento de novas sessões do Tribunal do Júri depende do julgamento dos recursos interpostos pelas defesas dos réus", destaca o TJCE.
Ainda em 2023, outros três denunciados pelo crime foram impronunciados: Francisco de Assis Fernandes da Silva, conhecido como 'Barrinha'; Deijair de Souza Silva, o 'De Deus'; e João Paulo Félix Nogueira, o 'Paulim das Caixas'.
MANDANTE DO ATAQUE
No ano passado, Ednardo dos Santos Lima foi condenado pelo Tribunal do Júri a uma pena de 790 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão. A decisão pela condenação partiu do Conselho de Sentença formado por sete jurados populares.
Ednardo já saiu do Fórum Clóvis Beviláqua sob escolta. O acusado é apontado pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) e pelo MPCE como um líder da facção Guardiões do Estado e um dos mandantes do ataque.
A defesa do réu recorreu da sentença e diz ter convicção na inocência de Ednardo.
O Ministério Público afirma que "restou evidenciado que o denunciado, em unidade de desígnios e em concurso com outras pessoas, igualmente denunciadas, atuou para consumar os intentos homicidas, na condição de mandante, bem como os crimes conexos, o que justifica a responsabilização com relação aos homicídios tentados e consumados", sobre a participação dele no crime.
Outro acusado julgado em 2025 foi Ayalla Duarte Cavalcante, conhecido como 'Zoião'.
Ayalla foi condenado a dois anos e seis meses de reclusão pelo delito de incêndio, e a um ano e seis meses de detenção por fraude processual. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que o réu foi absolvido da acusação de integrar organização criminosa armada com a participação de adolescente.
"Em virtude das duas penas não serem superiores a quatro anos, em atendimento ao artigo 44 do Código Penal, o réu teve a prisão substituída por duas penas restritivas de direito, que serão definidas, posteriormente, pelo Juízo de Execução Penal da Comarca de Fortaleza", conforme o Tribunal.
Rennan Gabriel da Silva, o 'RG' ou 'Biel', morreu sob custódia do Estado (pois estava preso), no Hospital São José, em janeiro de 2019. Por isso, foi extinta a punibilidade.
MASSACRE NAS CAJAZEIRAS
A 'guerra’ entre GDE e Comando Vermelho (CV) resultou na Chacina das Cajazeiras. Membros da facção carioca costumavam frequentar e confraternizar no Forró do Gago, local escolhido pelo grupo rival para promover o ataque.
A festa foi interrompida por tiros, no bairro Cajazeiras, durante a madrugada de 27 de janeiro de 2018. 14 pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas.
A maioria das vítimas não tinha passagem pela Polícia. Onze dos 14 mortos não tinham antecedentes criminais.
Quem foram as vítimas assassinadas na chacina:
- Maíra Santos da Silva (15 anos)
- José Jefferson de Souza Ferreira (21)
- Raquel Martins Neves (22)
- Luana Ramos Silva (22)
- Wesley Brendo Santos Nascimento (24)
- Natanael Abreu da Silva (25)
- Antônio Gilson Ribeiro Xavier (31)
- Renata Nunes de Sousa (32)
- Mariza Mara Nascimento da Silva (37)
- Raimundo da Cunha Dias (48)
- Antônio José Dias de Oliveira (55)
- Maria Tatiana da Costa Ferreira (17)
- Brenda Oliveira de Menezes (19)
- Edneusa Pereira de Albuquerque (38)
"Aqui é tudo três", gritaram os criminosos vinculados à GDE ao invadir o Forró do Gago, efetuando disparos de arma de fogo, indiscriminadamente". No fim, deixaram um rastro de sangue dentro do prédio e nas ruas próximas.