Caso Kaianne: Seduc demite professor acusado de assassinar a esposa para ficar com seguro
Leonardo ocupava o cargo de professor, integrante do Grupo Ocupacional Magistério, e perdeu a condição de servidor público devido à acusação do homicídio.
A Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc) demitiu o servidor público Leonardo Nascimento Chaves, professor acusado de ordenar o assassinato da própria esposa. Kaianne Bezerra Lima Chaves, de 35 anos, foi assassinada dentro de casa, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
A determinação sobre a demissão de Leonardo foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e assinada pela titular da Seduc, Eliana Nunes Estrela. Consta na publicação que a Pasta acatou integralmente relatório apresentado pela 2ª Comissão Processante da Procuradoria Geral do Estado.
Leonardo ocupava o cargo de professor, integrante do Grupo Ocupacional Magistério, e perdeu a condição de servidor público devido à acusação do homicídio. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.
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Conforme noticiado em primeira mão pelo Diário do Nordeste, o julgamento do caso está programado para acontecer nos dias 1, 2 e 3 de junho de 2026.
"A assistência à acusação, representada pelos advogados Fernanda Cavalcante e Jader Aldrin, recebe com serenidade e senso de justiça a exoneração de Leonardo Nascimento Chaves, medida alinhada à gravidade dos fatos e à decisão judicial que o pronunciou como mandante do feminicídio de Kaianne Bezerra. Para a família, o ato representa um sinal de responsabilidade institucional diante de um crime de grande repercussão. O caso avança para sua fase decisiva", disseram os advogados, com expectativa de que "o plenário ocorra com a seriedade necessária e que a Justiça seja alcançada".
Além de Leonardo, o Tribunal do Júri também deve decidir se condena ou absolve o réu Adriano Andrade Ribeiro, apontado como executor direto do crime e responsável pela ação dentro da residência da própria vítima, a mando do professor. Ambos seguem presos.
CRIME 'FRIAMENTE PREMEDITADO
Conforme o Ministério Público do Ceará (MPCE), Kaianne foi vítima de um crime 'friamente premeditado', pelo próprio esposo dela.
Um terceiro homem foi acusado por envolvimento no crime, mas restou impronunciado por a Justiça entender "ausência de indícios suficientes de autoria".
'O INIMIGO DORMIA AO LADO'
No fim de 2025, o Diário do Nordeste lançou a terceira temporada do Podcast Sigilo Quebrado com detalhes sobre a trama que resultou na morte da contadora.
Nas primeiras horas após a morte de Kaianne, o crime era 'tratado' como um latrocínio. No entanto, a atitude do marido sobrevivente, Leonardo Nascimento Chaves, professor concursado do Estado, levantou suspeitas imediatas, tanto de um membro da família quanto na Polícia Civil. O tio de Katiane, Luciano Moura, foi uma das primeiras pessoas a confrontá-lo diretamente.
A versão de Leonardo começou a apresentar falhas.
De acordo com a acusação, Leonardo e Kaianne eram casados, "sendo ele o responsável por arquitetar o crime de feminicídio, visando a obtenção de vantagem patrimonial, haja vista ser um dos herdeiros necessários de seguros contratados pela vítima".
Leonardo teria decidido que executaria a esposa "visando angariar fundos para arcar com suas dívidas pessoais, planejando o crime" e contratando Adriano Ribeiro para a ação criminosa. Após o assassinato, os envolvidos subtraíram bens da casa para simular que o crime se tratava de um latrocínio.
De início, a versão contada pelo marido da contadora ficou como principal linha investigativa da Polícia. O caso teve a primeira reviravolta duas semanas após o assassinato, quando Leonardo foi preso.
Kaianne morreu aos 35 anos, no dia 26 de agosto de 2023.
SEQUÊNCIA DE AGRESSÕES
As primeiras investigações apontavam que a contadora foi morta com uma paulada na cabeça. No entanto, o laudo pericial elaborado pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) atestou que ela foi morta por "asfixia mecânica em decorrência de esganadura".
A Polícia Civil teve acesso ao conteúdo de câmeras de um estacionamento de um shopping, em Aquiraz. As imagens mostraram Leonardo Nascimento Chaves conversando com o motorista de veículos por aplicativos Adriano Andrade Ribeiro e um adolescente, por volta de 20h35 da noite de 26 de agosto, poucos minutos antes da morte de Kaianne Bezerra.
Conforme as investigações policiais, Leonardo foi para casa e simulou o assalto, junto da dupla contratada. O marido de Kaianne teria decidido ‘aguar plantas’ de fora da residência, com o intuito de ser abordado pelos supostos assaltantes.
Leonardo teria ainda deixado separados uma corda - para os "assaltantes" o amarrarem - e um pedaço de pau - para matarem a própria esposa. E ainda teria pedido para os comparsas o agredirem, para fortalecer a versão do latrocínio.
Após matarem Kaianne, os criminosos roubaram objetos da casa, como TVs, aparelhos celulares, outros aparelhos eletrônicos, bebidas alcoólicas e as alianças do casal. O próprio Leonardo Chaves teria ajudado a colocar os pertences no carro dos comparsas.
O serviço dos criminosos teria custado R$ 1,2 mil, pagos por Leonardo, com a promessa de um novo pagamento após o recebimento do seguro de vida da esposa.
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