Familiares de Kaianne Bezerra Lima Chaves acompanham, nesta segunda-feira (1º), o início do julgamento de Leonardo Nascimento Chaves, acusado de mandar matar a própria esposa, e de Adriano Andrade Ribeiro, apontado como participante da execução do crime. O júri popular ocorre na Comarca de Aquiraz (CE), onde sete jurados irão decidir pela condenação ou absolvição dos réus.
Por enquanto, de acordo com a assistência da acusação, ainda não há previsão para o término da sessão, que pode se estender até a madrugada, se assim o juiz decidir. "O trabalho, pela manhã, consistiu na oitiva da primeira testemunha arrolada pela acusação, Ricardo Savoldi, delegado de polícia de Aquiraz, que foi foi quem presidiu as investigações, e era o chefe do núcleo de homicídios", resumiu o criminalista Jader Evangelista Aldrin.
Kaianne foi morta em agosto de 2023, aos 35 anos. Segundo as investigações, o crime, inicialmente, foi tratado como um latrocínio (roubo seguido de morte), mas a apuração da Polícia Civil apontou que o assassinato teria sido planejado pelo marido da vítima, que responde à acusação de feminicídio qualificado.
Ao chegar ao fórum, nesta manhã, a irmã da vítima, Brenda Bezerra, afirmou que a expectativa da família é de que o julgamento resulte na responsabilização dos acusados. "É inadmissível que pessoas que cometam esses atos continuem vivendo em nossa sociedade livremente", declarou.
Brenda também criticou as tentativas de adiamento do julgamento apresentadas pela defesa nos últimos dias. "A família ficou muito decepcionada com tudo que aconteceu, porque parece uma brincadeira com a nossa cara. Estão levando um caso tão sério com total falta de respeito pela vítima", afirmou.
A irmã de Kaianne ainda destacou o apoio recebido de outras famílias que também enfrentaram perdas em casos de violência contra a mulher.
Segundo a advogada Fernanda Cavalcante de Melo, que integra a assistência de acusação, o júri é uma possibilidade de "colocar um fim, uma pedra" na espera da família por justiça. "A família reclamava pela insegurança jurídica de [os acusados] estarem presos preventivamente, de não ter uma execução penal em andamento", explicou.
Por outro lado, advogados dos réus afirmam que esperam que os jurados analisem exclusivamente as provas reunidas no processo. A defesa de Adriano Andrade Ribeiro, motorista apontado como um dos envolvidos no crime, declarou que cada acusado deve ser responsabilizado apenas pelos atos que efetivamente praticou. Já a defesa de Leonardo afirmou que ainda é cedo para projetar resultados e ressaltou a complexidade do julgamento.
Julgamento deve durar até três dias
A sessão de julgamento de Leonardo Nascimento Chaves e Adriano Andrade Ribeiro é analisada pelo Conselho de Sentença da Vara Única Criminal da Comarca de Aquiraz, responsável pela tramitação do processo.
Os sete jurados sorteados para compor o Conselho de Sentença irão avaliar as teses apresentadas pelo Ministério Público e pelas defesas dos acusados, decidindo pela condenação ou absolvição dos réus em relação aos crimes descritos na denúncia.
A sessão ocorre no Fórum Manoel Florêncio Filho, em Aquiraz. Ao todo, há previsão de oitiva de 15 testemunhas em plenário, além dos interrogatórios dos dois acusados.
Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), a expectativa é de que o julgamento tenha duração de até três dias. Durante a sessão, a assessoria de comunicação do TJCE divulgará informes sobre as principais etapas dos trabalhos.
Relembre o caso
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Leonardo Nascimento Chaves teria planejado a morte da esposa com o objetivo de obter vantagem financeira por meio de seguros de vida dos quais era beneficiário. Segundo a acusação, ele contratou Adriano Andrade Ribeiro para executar o crime e contou com a participação de um adolescente.
A investigação aponta que, na noite de 26 de agosto de 2023, Leonardo teria se encontrado com os executores do plano e retornado para casa para encenar um assalto. Conforme a Polícia Civil, ele teria deixado separados uma corda para ser amarrado e um pedaço de madeira que seria utilizado na ação criminosa.
Inicialmente, acreditava-se que Kaianne havia morrido após ser atingida na cabeça. No entanto, laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu que a causa da morte foi asfixia mecânica por esganadura.
Após o assassinato, os envolvidos teriam levado televisores, celulares, aparelhos eletrônicos, bebidas e as alianças do casal para simular um roubo. Segundo as investigações, Leonardo ainda teria auxiliado os comparsas a colocar os objetos no veículo utilizado na fuga. O pagamento pelo crime teria sido de R$ 1,2 mil, com promessa de um valor adicional após o recebimento do seguro de vida da vítima.
Duas semanas após o crime, a principal linha investigativa mudou e Leonardo foi preso. Agora, quase três anos depois, ele enfrenta o julgamento apontado pela acusação como o responsável por arquitetar a morte da própria esposa.