Caso Kaianne: Homem que ajudou a matar contadora muda versão e assume autoria do crime

Acusado era adolescente à época do crime e foi responsável por bater na vítima com pauladas na cabeça.

Fachada do Fórum Manuel Florêncio Filho.
Legenda: O júri ocorre no Fórum Manuel Florêncio Filho.
Foto: Thiago Gadelha/SVM.

Uma das primeiras testemunhas ouvidas no início do julgamento do feminicídio da contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves, nesta segunda-feira (1º), na Comarca de Aquiraz, surpreendeu o júri popular ao assumir integralmente a culpa pelo assassinato.

Por ser adolescente na época do crime, em agosto de 2023, o homem pegou uma punição menor, de um ano e quatro meses de internação, pelo envolvimento no crime, mesmo tendo sido quem agrediu a vítima com pauladas na cabeça para forjar um latrocínio (roubo seguido de morte) e encobrir a verdadeira motivação da morte.

O julgamento iniciado nesta segunda acusa apenas Adriano Andrade Ribeiro e Leonardo Nascimento Chaves. O primeiro, por ter participado diretamente da execução do feminicídio junto com o então adolescente, e, o segundo, por ter mandado matar a própria esposa.

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Versão de testemunha gera tumulto

O Diário do Nordeste acompanha presencialmente o julgamento do caso Kaianne. No momento em que o homem assumiu sozinho a culpa, iniciou-se um tumulto no tribunal entre acusação e defesa.

Ao júri, formado por sete pessoas, a testemunha relatou que pretendia assaltar a residência de Kaianne e Leonardo e desmentiu os próprios depoimentos antigos à Polícia, dizendo que mentiu para poder sair mais rápido da unidade de internação em que estava apreendida e denunciando o delegado que conduziu o inquérito de tê-la forçado a "falar" contra os outros dois suspeitos.

O Ministério Público do Ceará (MPCE), que atua na acusação, apresentou provas que desmentiram o homem, mas a atitude irritou a defesa, que acusou o MP de intimidar a testemunha.

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Relembre o caso

Kaianne foi morta em agosto de 2023, aos 35 anos. Inicialmente, o crime foi tratado pela Polícia como um latrocínio (roubo seguido de morte), mas o inquérito apontou que o assassinato teria sido planejado pelo marido da vítima, Leonardo Chaves, que responde à acusação de feminicídio qualificado. 

Conforme a denúncia apresentada pelo MPCE, o acusado pretendia obter vantagem financeira com a morte da esposa, por meio de seguros de vida dos quais era beneficiário. O crime teria sido encomendado por ele a Adriano Andrade Ribeiro, que contou com a ajuda de um adolescente para forjar o latrocínio.

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