Jeri não terá festa de Réveillon; em Canoa, prefeitura organiza festa, mas acha 'improvável'

Praias cearenses, destaques nas celebrações de fim de ano, não organizam festas públicas devido à pandemia da Covid-19

Dois dos principais destinos turísticos do Ceará, a Vila de Jericoacoara, em Jijoca de Jericoacoara, e a praia de Canoa Quebrada, em Aracati, não devem ter festas de réveillon públicas organizadas pelas suas prefeituras. Em Aracati, apesar de manter contato com atrações e estrutura de shows,o poder público aguarda uma possível flexibilização, mas o próprio secretário de Turismo do município, Luan Mota, trata a possibilidade de realizar o evento bem remota. 

No caso da Vila de Jericoacara, segundo a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Jijoca, o governo municipal apenas organizará uma queima de fogos. Lá, acontecerão eventos, mas todos particulares e, mesmo assim, deverão passar por todos os protocolos sanitários.

Em Jijoca, a imunização contra a Covid-19 alcança, neste momento, o público geral entre 15 a 59 anos com a primeira dose. Segundo os dados do IntegraSUS, da Secretaria de Saúde do Estado, a cidade registra desde o início da pandemia 2.832 casos da doença e soma 31 óbitos. Contudo, apenas seis pessoas estavam em tratamento contra o coronavírus na quarta-feira (13). 

Já em Aracati, onde está a praia de Canoa Quebrada, a assessoria de comunicação da prefeitura afirmou que o governo municipal está se preparando para realizar o réveillon, mas aguarda a liberação e orientações protocolares da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, assim como do comitê de enfrentamento à Covid-19 criado pelo governador Camilo Santana. 

Segundo o secretário de Turismo do Município, Luan Mota, sua pasta vem acompanhando os dados epidemiológicos e também as medidas sanitárias enquanto aguarda uma possível liberação dos eventos.

Se vai acontecer ou não é a soma do quadro viral e a possibilidade do decreto governamental. Todavia, com o que temos hoje, todos os eventos estão sendo pensados com esse olhar sanitário
Luan Mota
Secretário de Turismo

O gestor explica que o poder público tem conversado com possíveis atrações musicais e empresas que estruturam os shows. “Estamos vendo possibilidade, negociando valores, mas só no caso do avanço da pandemia evoluir. Aí reuniremos o comitê e vamos ver se dá para realizar, mas, mesmo em dezembro, acho improvável”, admite Mota.

CENÁRIOS DISTINTOS

Diferente da Feira de Gastronomia e Cultura de Aracati, que está prevista para retornar no próximo mês de novembro, a Secretaria de Turismo do Município entende que o réveillon, por suas características, dificulta um controle maior das medidas sanitárias.

“Na feira, teremos barreiras sanitárias, exigindo a entrada de pessoas com o ciclo de vacinação completo e o teste de PCR no intervalo de 24 horas, como tem sido em outros locais”, detalha. 

Já no réveillon, como acontece em espaços abertos, Mota enxerga que seria difícil viabilizar este controle dos acessos. “Não quer dizer que não estamos correndo atrás de shows, havendo a segurança para que isso aconteça, mas hoje tratamos com mais incredulidade”, pondera o secretário.  

Segundo o último boletim epidemiológico divulgado na plataforma IntegraSUS, Aracati soma 8.052 casos da Covid-19, mas 7.898 já estão recuperados. A cidade litorânea soma 166 óbitos. Por outro lado, apenas 12 pessoas ainda estão em tratamento contra a doença. 

“A gente tem acompanhado esses números desde o início com muita força, porque Aracati tem em seu DNA a realização de grandes eventos, como o maior carnaval do Estado, a maior feira gastronômica. São coisas que movimentam nossa economia e trazem dinheiro para nossa cidade”, ressalta Mota. 

Caso não seja possível realizar o réveillon, o gestor projeta que os próximos eventos continuarão trazendo grandes atrações. Em 2020, último ano antes da chegada do coronavírus ao Ceará, a virada de ano contou, por exemplo, com a banda Olodum. “Vamos continuar com o mesmo padrão”. 

“Hoje, em Canoa Quebrada, a gente já tem um cenário bom de visitantes, reforçando o turismo regional. Pessoas que saem de suas cidades e, por insegurança, preferem locais mais próximos. Toda a ocupação de leitos e mesas, desde o início da pandemia, opera no limite”, justifica o secretário como sintoma da procura dos turistas.