Imunização, teste e máscaras: compare exigências para eventos sociais em Fortaleza e outras cidades

No Rio de Janeiro, não há obrigatoriedade do uso de máscara nem distanciamento. No Ceará, é preciso testagem, vacinação completa, uso de máscara e distância entre pessoas. Confira o que dizem os especialistas sobre os cuidados

Aglomeração
Legenda: Estabelecimentos descumprindo decreto estadual podem passar por fiscalização em busca ativa ou após denúncias.
Foto: Camila Lima

Em um cenário de queda dos casos e de mortes pela Covid-19, quais medidas de segurança ainda são necessárias para evitar a contaminação pelo coronavírus? Com a evolução do número de brasileiros imunizados, cidades do país se preparam para afrouxar os protocolos da pandemia.

Confira as exigências e determinações de outros Estados e compare com as medidas adotadas no Ceará:

RIO DE JANEIRO

A Prefeitura do Rio de Janeiro autorizou, na última terça-feira (21), a realização de eventos em locais abertos, com lotação máxima de 500 pessoas. Boates, danceterias e salões de dança estão suspensas até que 65% da população receba a segunda dose da vacina contra Covid-19.

A Capital também deve realizar três grandes eventos-teste: duas festas com até cinco mil pessoas e um aniversário com 500 convidados, durante o mês de outubro.

Além da maior quantidade de pessoas, os eventos vão dispensar o uso de máscaras e a distanciamento físico de um metro entre os participantes. Serão exigidos, no entanto, comprovante de vacinação e teste negativo para a Covid-19 feito em até 48 horas antes das celebrações, conforme a Agência Brasil.

BAHIA

Atividades com público de até mil pessoas já são permitidas na Bahia depois de decreto estadual públicado no dia 11 de setembro. Os eventos incluem casamentos, apresentações em circos, parques de exposições, solenidades de formatura, feiras, passeatas, entre outros.

Todos os participantes devem comprovar a imunização com as duas doses pelo documento expedido no momento da vacinação ou certificado do Ministério da Saúde. São exigidos protocolos sanitários estabelecidos pelos municípios, especialmente o distanciamento físico e uso de máscaras durante a realização dos eventos.

PERNAMBUCO

São permitidas 500 pessoas ou 80% da capacidade do local, o que for menor, para a realização de eventos corporativos em Pernambuco. Podem participar até cinco artistas em apresentações musicais, mas é proibida dança e permanência de pessoas em pé.

Já os encontros sociais podem ter, no máximo, 300 pessoas ou 80% da capacidade do local, no mesmo horário dos eventos corporativos. A partir de 100 pessoas é necessário controle do esquema vacinal dos convidados: 80% do público com 2ª dose da vacina, com acesso permitido a partir do 15° dia após a aplicação ou 1 dose, no caso de vacina de dose única.

Os outros 20% do público devem ter a 1ª dose e teste rápido de antígeno negativo realizado durante o período de 24 horas. Também vale o teste RT-PCR negativo realizado até 48h antes do evento, com exceção de crianças e adolescentes abaixo de 16 anos ainda não contemplados na campanha de vacinação.

RIO GRANDE DO NORTE

Em decreto publicado no dia 16 de setembro, foram liberados eventos de massa, sociais, recreativos e similares, inclusive aqueles sem assento para o público ou destinados à dança no Rio Grande do Norte. Se a ocasião for para público superior a 600 pessoas, deve ser solicitada autorização prévia, mediante requerimento com protocolo sanitário específico, a ser apresentado à Secretaria de Estado da Saúde Pública.

Deve ser previsto, como exigência aos participantes, a comprovação de, no mínimo, uma dose da vacina contra a Covid-19, pela carteira de vacinação ou aplicativo.

FORTALEZA

Em Fortaleza, seguindo o decreto estadual válido desde o dia 20 de setembro, estão liberados eventos sociais em buffets e salões de festas de condomínios com, no máximo, 200 pessoas em ambiente fechado e 400 participantes em espaços abertos. Para a entrada nesses locais, deve ser exigido comprovante de imunização com as duas doses ou teste negativo para a Covid-19, do tipo RT-PCR, feito nas 48 horas anteriores ao evento.

“Temos recebido muitas denúncias sobre dança, que não pode ter. O decreto também só permite quatro pessoas no palco e não pode ter interação entre artistas e público. Tirar máscaras, só na hora de se alimentar”, resume a coordenadora da Vigilância Sanitária do Ceará, Dolores Fernandes.

Nos restaurantes e barracas de praia, ainda se observa infrações como desrespeito do horário e do número de clientes permitido. Dolores Fernandes destaca a necessidade do avanço da vacinação no público mais jovem, como crianças e adolescentes, para a liberação de mais eventos. "Estamos realizando alguns eventos-teste e temos a perspectiva de monitorar os participantes por 14 dias. A gente vai ter uma leitura maior de como liberar mais eventos”, detalha.

Saiba as exigências para eventos sociais:

  • Limite de 200 pessoas em ambientes fechados e 400 em ambientes abertos
  • Comprovante de vacinação com as duas doses ou teste negativo para Covid-19 feito nas últimas 48 horas
  • Restaurantes podem funcionar até 1h com até oito pessoas por mesa
  • Uso de máscaras para todos os participantes
  • Distanciamento social entre mesas

Cenário é favorável para eventos?

Permitir o encontro de um número alto de participantes ainda não se aplica na realidade epidemiológica em que o Ceará se encontra. “Eu vejo com receio a realização de qualquer evento grande, sem ter um avanço mais significativo da vacinação completa. O Ceará se aproxima de 40% da população com as duas doses, que é um percentual pequeno para liberar eventos de grande volume”, analisa o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Roberto da Justa.

Esses eventos de médio porte também são de risco, porque o vírus continua circulando e tem a nova variante. Mesmo vacinada, uma pessoa pode se infectar e levar o vírus para outras pessoas não vacinadas ou que não tiveram o reforço da 3ª dose
Roberto da Justa
Médico Infectologista

Ambiente seguro deve ter a exigência de comprovante de imunização completa, teste do tipo RT-PCR negativo para a Covid-19, além do uso de máscaras e espaçamento de dois metros entre convidados. “O ideal mesmo nesse momento é que estivéssemos aproveitando o cenário epidemiológico favorável para avançar, de forma mais intensa, com a vacinação. Para então, com mais de 70 ou 80% da população vacinada com as duas doses, pensar na possibilidade de eventos testes”

Os eventos com mais de 100 pessoas estão liberados desde o dia 26 de julho no Ceará. De lá até esta quarta-feira (22), foram encerradas 73 atividades e eventos que descumpriam a determinação dos decretos, como festas clandestinas, pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis). Foram realizadas 1351 fiscalizações em estabelecimentos comerciais, inclusive buffets e restaurantes, de julho a setembro deste ano, conforme a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Celebração com protocolos no Ceará

Nos últimos preparativos para o casamento, a advogada Luciana Antunes, de 37 anos, teve de preparar uma cerimônia com número limitado de convidados em um ambiente adequado para evitar contaminação entre convidados. “As notícias não eram boas, nós pensamos que não ia ter mais festa nem nada, mas ficamos acreditando que com todo esse tempo as coisas iam melhorar”, lembra do período de um ano e meio de organização da festa.

Uma coisa muito certa entre nós dois era que, independente de conseguir ter a festa ou não, ia ter a celebração religiosa, que é muito importante para a gente. Vem aquela pressão de adiar, mas nos mantemos firmes que nem se fosse só eu, o noivo, a cerimonialista e o padre, nós iríamos casar
Luciana Antunes
Advogada

A data escolhida, 1º de outubro, marca o Dia de Santa Terezinha, a quem se recorre por angústias e aflições, pela devoção de Luciana. “Colocamos uma lista pequena e fechamos o local em meio à pandemia com número mais enxuto de pessoas também porque a gente queria algo mais íntimo. Acho que depois da pandemia, os eventos familiares serão ressignificados”, acrescenta.

Casamento
Legenda: Luciana Antunes e Ricardo Hoton organizam o casamento como forma de criar uma memória positiva durante um momento difícil pela pandemia.
Foto: Lucas Spiller

Para reduzir o risco de contaminação, os familiares de outros estados devem acompanhar o evento por transmissão virtual e os convidados já receberam as doses de vacina. “Ao reunir as pessoas que mais se ama em um local, você não quer que aquele momento de alegria, de celebração e de amor, se transforme em uma coisa ruim. A gente quer que seja uma bolha de alegria no meio desse caos que a gente está vivendo atualmente”, define.

Luciana observa o retorno da procura pelos serviços de eventos por causa da demanda reprimida de quem preferiu aguardar para, como ela, celebrar o casamento. “Todos os profissionais estão dizendo que a demanda de dois anos está sendo feita em dois meses, com muita lotação, muita gente casando. Já ouvi muitas pessoas que queriam casar ano passado e, alguns, adiantaram a festa com medo de uma 3ª onda”.

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