Manifestantes voltam a protestar por impeachment de Jair Bolsonaro em capitais

Movimentos sociais ocuparam ruas em atos

Protesto contra o presidente Jair Bolsonoro em São José dos Campos (SP)
Legenda: Protesto contra o presidente Jair Bolsonoro em São José dos Campos (SP)
Foto: CUT Vale do Paraíba/Facebook

Manifestantes se reuniram em protestos contra o presidente Jair Bolsonaro, neste sábado (24), em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Salvador, Recife, São Luís e Teresina. Os protestos fazem parte de uma série de manifestações pelo impeachment do presidente realizadas nos últimos dois meses com organização de sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda.

A expectativa dos organizadores é que fossem realizados, ao longo deste sábado, protestos em 496 cidades, incluindo 17 países do exterior. São Paulo e Brasília teriam manifestações durante esta tarde.

Protesto contra o presidente Jair Bolsonoro em Campo Grande (MS)
Legenda: Protesto contra o presidente Jair Bolsonoro em Campo Grande (MS)
Foto: Sérgio Souza Júnior/CUT/Facebook

São Paulo

O ato contra o presidente já bloqueia as duas pistas da Avenida Paulista, em São Paulo. Os manifestantes, no entanto, estão dispersos em cinco carros de som e não ocupam toda a extensão da via.

Borba Gato
Legenda: A estátua do bandeirante foi queimada na tarde deste sábado (24)
Foto: Reprodução

Cerca de 20 pessoas atearam fogo em pneus na base da estátua do bandeirante Borba Gato, em São Paulo. A Prefeitura da capital paulista ainda avalia o dano para definir o reparo que será feito. Ninguém foi detido.

Estátuas de bandeirantes têm sido alvo de protestos nos últimos anos, por conta dos registros de que eles foram responsáveis por capturar e escravizar indígenas e negros, além acusações de estupros e mesmo de exterminar etnias inteiras em confrontos. 

Salvador

Em Salvador, a chuva fina não espantou os manifestantes que compareceram em número semelhante aos protestos anteriores e saíram em passeata entre o Campo Grande e a praça Municipal.

Estudantes universitários, secundaristas, sindicalistas e militantes de partidos de esquerda deram o tom do protesto, que foi puxado por um trio elétrico e ao menos cinco carros de som de menor porte.

A atuação do presidente na pandemia foi o principal mote das manifestações, que também tiveram apresentações artísticas de grupos de teatro e de percussão.

Mas também houve lugar para defesa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência. Um grupo minoritário de militantes do PDT empunhava uma faixa com a foto de Ciro Gomes, também pré-candidato ao Planalto.

Sindicalistas criticaram a reforma administrativa que tramita no congresso e um grupo de servidores dos Correios se manifestou contra a privatização da estatal.



Eles carregavam um caixão com as fotos do ministro Paulo Guedes (Economia) e do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), acompanhados por um carro de som que tocava a música Astronomia, de Tony Igy, que viralizou com o meme do caixão.

Não houve referências à aprovação do fundão eleitoral de R$ 6 bilhões para as próximas eleições, aprovado com votos contrários dos partidos de esquerda.

Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Goiânia
Legenda: Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Goiânia
Foto: Jonhson Araújo/CUT/Twitter

Também marcaram presença no protesto militantes do movimento negro, LGBTQIA+, torcidas organizadas do Bahia e do Vitória, além de um grupo de evangélicos que se manifestava contra Bolsonaro.

Ainda houve faixas contra o embargo dos Estados Unidos à Cuba, país que vem enfrentado uma onda de protestos em várias cidades contra o governo.

Ao contrário de outras capitais, partidos como o PSDB e movimentos alinhados à direita como o MBL não participaram da manifestação na capital baiana. Não houve registro de conflitos.

Protesto contra Jair Bolsonaro em Baturité (CE)
Legenda: Protesto contra Jair Bolsonaro em Baturité (CE)
Foto: MAB Brasil/Twitter

Mobilização no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, manifestantes percorreram a Avenida Presidente Vargas, na região central do Rio. O ato teve como principal foco o pedido de impeachment do presidente. Gritos de "Fora, genocida" marcam o protesto.

Os militares e partidos do centrão, que deve ganhar ainda espaço no governo com a nomeação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) na Casa Civil, também são alvos de críticas dos manifestantes. Houve ainda cobranças por mais vacinas contra a Covid-19.

O deslocamento começou nas proximidades do Monumento Zumbi dos Palmares, por volta das 10h. A caminhada seguiu em direção à Candelária, em um trajeto de cerca de dois quilômetros.

A maioria dos manifestantes usava máscaras, mas houve registro de aglomerações. Na sexta-feira (23), a prefeitura do Rio suspendeu a aplicação da primeira dose da vacina contra o coronavírus em razão da falta de imunizantes.

Líderes de movimentos e entidades se revezaram em discursos contra Bolsonaro em um carro de som na capital fluminense. A crítica a privatizações, defendidas pelo Ministério da Economia, também apareceu nos discursos. Houve alguns manifestantes com bandeiras ou camisetas de partidos como o PT.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara, subiu no carro de som e discursou contra Bolsonaro. O parlamentar defendeu o impeachment do presidente, além de fazer críticas a militares e ao voto impresso, formato de votação defendido pelo governo federal.

Protesto contra Bolsonaro em Belo Horizonte (MG)
Legenda: Protesto contra Bolsonaro em Belo Horizonte (MG)
Foto: CUT Brasil/Twitter


O movimento faz parte de uma nova onda de protestos contra Bolsonaro, agendada no país por movimentos sociais e centrais sindicais. A convocação anterior havia ocorrido no último dia 3. O Rio teve outro ato no dia 13, com registro de confusão entre manifestantes e a PM.

Bolsonaro retoma passeios de moto

O presidente Jair Bolsonaro voltou a passear de moto e tirar fotos com apoiadores na manhã deste sábado (24), no Distrito Federal. Bolsonaro foi até a Cidade Estrutural, região próxima a Brasília, e conversou com apoiadores.

No passeio, ele estava acompanhado, entre outros, dos ministros da Defesa, Braga Neto, e da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos.

No domingo passado (18), Bolsonaro teve alta médica, após cinco dias internado no hospital Vila Nova Star, em São Paulo. Ele se internou com quadro de obstrução intestinal. Segundo boletim médico, o presidente iria seguir com acompanhamento ambulatorial.