Tasso diz que Bolsonaro já sente pressão de CPI e pede foco da investigação em vacina e cloroquina

Integrante da CPI da Covid, o senador cearense elencou as prioridades para a comissão

Tasso falando
Legenda: Tasso concedeu entrevista exclusiva ao CETV 2ª edição, do Sistema Verdes Mares, na noite desta quinta-feira (22)
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador cearense Tasso Jereissati (PSDB) avalia que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 já faz pressão sobre o Governo Federal e reflete em algumas mudanças na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido) no combate à pandemia. 

A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao CETV 2ª Edição, da TV Verdes Mares, na noite desta quinta-feira (22). Na noite desta quarta (21), o senador Eduardo Girão (Podemos) havia sido o entrevistado.

Questionando se a CPI terá efeito prático, Tasso disse que isso “já aconteceu”. 

“Só a ameaça da CPI fez com que o presidente modificasse dois ministérios básicos que estavam atrapalhando enormemente o combate à pandemia, que eram o ministro (Eduardo) Pazuello, do Ministério da Saúde, um dos grandes responsáveis pela tragédia de Manaus, e o ministro das Relações Exteriores (Ernesto Araújo)", citou Tasso.

Pazuello foi o quarto ministro da Saúde na gestão de Bolsonaro e saiu o cargo em março último. No mesmo mês, Araújo também deixou o comando da pasta. Na avaliação do senador, o chanceler "brigou, criou atritos simplesmente com os dois países mais importantes na obtenção de vacinas e tecnologia neste momento, que são a China e os Estados Unidos”.

Sobre as prioridades da investigação, Tasso elencou pontos cruciais na atuação do Executivo no combate à pandemia: as críticas ao isolamento social rígido, os problemas na aquisição de vacinas e a indicação de medicações sem eficácia comprovada contra a Covid. 

“O presidente estimulou aglomerações sem máscaras”, disse.

Em 2020, Bolsonaro recusou três ofertas do Instituto Butantan para comprar a CoronaVac, vacina produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. No mesmo ano, os laboratórios do Exército passaram a produzir cloroquina e hidroxicloroquina.

As substâncias são utilizadas para tratar malária, lúpus e artrite reumatoide, mas não há comprovação de eficácia contra o novo coronavírus. 

CPI 

Tasso Jereissati e Eduardo Girão (Podemos) são os dois cearenses na CPI da Covid, mas estão em posições antagônicas. O tucano é favorável a investigar possíveis omissões do presidente na gestão do combate à pandemia e considerou a possibilidade de impeachment do chefe do Executivo. 

"Sempre disse que era contra o impeachment à medida em que nós tínhamos uma certa expectativa que as coisas pudessem mudar em função do agravamento da crise. Mas perdi completamente a expectativa na regeneração de Bolsonaro”, disse, em entrevista recente ao Manhattan Connection, da Globo News. 

“Tenho dúvida até sobre seu equilíbrio mental", complementou. 

Do lado oposto, Girão defendeu a ampliação do escopo da CPI desde o início, enquanto a inclusão de prefeitos e governadores também era articulada por Bolsonaro. 

O senador do Podemos também defende investigar o Supremo Tribunal Federal (STF) por dar autonomia aos estados e municípios para decretarem lockdown, além de querer apurar a atuação do Consórcio do Nordeste. 

“A gente deve chamar, no Senado Federal, o ministro Marco Aurélio, que tirou a responsabilidade do Governo Federal e passou para estados e municípios as atribuições constitucionais”, disse, acrescentado que é necessário "saber exatamente de quem é a responsabilidade", disse em entrevista ao CETV 2ª Edição desta quarta (21). 

Entenda a trajetória da CPI

Uma CPI precisa do apoio de ⅓ dos parlamentares, de um prazo para funcionar, de um custo definido e de um fato determinado. Se observados esses requisitos, o presidente da Casa Legislativa a qual o requerimento foi submetido deve iniciar a instalação da comissão.

No caso da CPI da Covid-19, ela teve a assinatura de 34 senadores, mais de ⅓ da Casa. A comissão funcionará por um período de 90 dias (que pode ser prorrogado) e terá custo de R$ 90 mil. 

Quais os poderes da CPI

O colegiado terá poder de investigação próprio das autoridades judiciais, podendo ouvir testemunhas, convocar depoimentos, solicitar quebra de sigilo bancário e fiscal, entre outras ações.

Ao fim do prazo de 90 dias, devem ser enviados relatórios à Mesa Diretora do Senado sobre as atividades realizadas. Apesar do período definido inicialmente, a comissão pode ser prorrogada, mas para isso precisa novamente do apoio de ⅓ dos senadores.

Quem são os membros da CPI​

Titulares:

  • Eduardo Braga (MDB-AM)
  • Renan Calheiros (MDB-AL)
  • Ciro Nogueira (PP-PI)
  • Otto Alencar (PSD-BA)
  • Omar Aziz (PSD-AM)
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE)
  • Eduardo Girão (Podemos-CE)
  • Humberto Costa (PT-PE)
  • Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
  • Marcos Rogério (DEM-RO)
  • Jorginho Mello (PL-SC)

Suplentes:

  • Jader Barbalho (MDB-PA)
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS)
  • Angelo Coronel (PSD-BA)
  • Marcos do Val (Pode-ES)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Alessandro Vieira (Cidadania-SE)
  • Zequinha Marinho (PSC-PA)
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