Eduardo Girão vê ‘blindagem’ a gestores públicos e estuda relatores caso consiga presidir CPI

Autor do requerimento que ampliou o foco da comissão, ele tenta furar acordo para presidir os trabalhos

Eduardo Girão
Legenda: Eduardo Girão aponta "conflitos de interesse" em postos-chave escolhidos na CPI
Foto: Agência Senado

Candidato à presidência da CPI da Covid-19, o senador cearense Eduardo Girão (Podemos) diz ver uma “blindagem” a governadores e prefeitos no plano de trabalho traçado pelo que ele chama de "acordão" para o comando dos trabalhos do colegiado. Ele também afirma que, se escolhido presidente, já estuda critérios para a definição de outro relator. As declarações foram dadas em entrevista ao Sistema Verdes Mares.

“Da maneira como foi feito esse ‘acordão’, eu noto uma blindagem na composição dessa CPI a governadores e prefeitos. O plano de trabalho do ‘acordão’ dedicou um paragrafozinho para estados e municípios. Isso não é justo”, disse.

Girão é autor do requerimento que pulverizou os focos da comissão, adicionando a análise sobre os repasses federais a estados e municípios na pandemia. O “acordão” ao qual o senador se refere é o que designou Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AM) para a presidência, vice e relatoria da CPI, respectivamente. Foi articulada com lideranças partidárias a escolha desses nomes para os postos. A oficialização deve ocorrer na próxima terça-feira (27).

Mesmo assim, o senador já se apresentou como candidato à presidência do colegiado. Caso seja escolhido para o cargo, deve indicar o relator da investigação, além de pautar os trabalhos. Ele diz não ter nomes definidos, mas fala sobre os requisitos de eventual escolha.

“Eu já tenho alguns dados, de declarações públicas recentes, de quem está em projeto presidencial, por exemplo. É certo a pessoa que está no projeto presidencial, articulando o ano que vem, ser relator? É certo ter um filho que é governador ou ter um parente prefeito (e relatar a CPI)? Tudo isso são conflitos de interesse. Estou analisando nome por nome, o contexto político e declarações que foram dadas para a gente ter uma CPI técnica”, afirmou.

Apesar da baixa adesão ao seu nome, o senador é estimulado por governistas a dar prosseguimento à candidatura. 

Investigação sobre ministro do STF

Além da ampliação do foco da CPI para estados e municípios, Eduardo Girão quer levar à comissão o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. Em março deste ano, o ministro rejeitou a derrubada dos decretos de lockdown da Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, solicitada pelo Governo Federal, garantindo autonomia a governadores na adoção da medida.

“A gente deve chamar, no Senado Federal, o ministro Marco Aurélio, que tirou a responsabilidade do Governo Federal e passou para estados e municípios as atribuições constitucionais”, sustentou.

A declaração sobre o ministro do Supremo foi dada em entrevista ao CETV 2ª Edição, da TV Verdes Mares, na quarta-feira (21). Nesta quinta (22) à noite, o jornal entrevista o senador Tasso Jereissati (PSDB), que também é membro da CPI da Covid-19.

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