Uso de moeda virtual ganha espaço no Estado

Estabelecimentos como escritórios de advocacia e consultórios médicos aceitam pagamento por meio da moeda virtual

Escrito por Yohanna Pinheiro - Repórter,

Negócios
Legenda: A empresa Mercado Bitcoin aproxima, no Brasil, compradores e vendedores online da moeda, com a cobrança de comissão por transação
Foto: Foto: Helene Santos

Um mercado ainda incipiente no Brasil, o uso da moeda virtual Bitcoin, que surgiu em 2008, já ganha adeptos em Fortaleza. De acordo com o CoinMap, mapa que lista os locais que trabalham com o Bitcoin, sete estabelecimentos já aceitam o meio de pagamento na Capital, além de um em Sobral e outro em Juazeiro do Norte - entre eles, escritórios de advocacia, consultórios médicos e sites de vendas online.

O advogado e professor universitário Rodrigo Marinho, que também é conselheiro do Instituto Ludwig von Mises Brasil, aceita a moeda virtual como meio de pagamento em seu escritório de advocacia, Marinho e Associados, desde dezembro de 2014. Embora seja um método menos comum, ele garante já ter sido pago em Bitcoin e, pessoalmente, já ter utilizado a moeda para comprar em restaurantes e até um videogame.

"Há um aspecto muito ideológico na ideia do Bitcoin, no meio libertário, de ter uma moeda criptografada que o governo não possa controlar. É uma ideia de fugir do Banco Central - que não para de inflacionar o real. Desde que foi criado, o Bitcoin ganhou valor e o real, por exemplo, se desvalorizou", explica o advogado. Para ele, a moeda virtual é um ótimo investimento e tende a crescer, inclusive na Capital.

Um dos motivos para William Araújo, proprietário da loja virtual Maxi Produtos, passar a aceitar o pagamento em Bitcoins foi a menor taxa em comparação às do cartão de crédito e a facilidade nas operações financeiras com outros países. Ele admite, porém, só ter recebido pagamentos com a moeda em duas ocasiões, em uma venda para o Rio de Janeiro e outra para São Paulo, cidades onde a utilização desse método já é mais difundida.

O médico Mário Pontes, por sua vez, começou a utilizar a moeda há cerca de um ano, mas ainda não recebeu pagamentos de pacientes por esse meio. Para ele, entretanto, o uso do Bitcoin está mais associado à especulação, e ele tem evitado gastar suas moedas virtuais na expectativa que elas se valorizem ainda mais. "Desde que comecei a comprar Bitcoin, já valorizou quase 100%. Me arrependi de não ter comprado mais antes", conta.

Valorização

Caracteristicamente volátil, um Bitcoin estava sendo negociado a R$ 2.190,00 no final da tarde da ontem (27). Isso de acordo com a empresa brasileira Mercado Bitcoin, que aproxima compradores e vendedores da moeda virtual online a partir da cobrança de uma comissão a cada transação, serviço que também é realizado por diversas empresas ao redor do mundo.

Para adquirir bitcoins pelo site brasileiro, por exemplo, é necessário efetuar um cadastro e, no ato da compra, depositar o dinheiro na conta da empresa para, em seguida, receber os créditos equivalentes em Bitcoins. A comissão cobrada é de 1% do valor transacionado, dividido entre comprador e vendedor. Quem oferece um negócio no site - seja ele uma compra ou uma venda - paga 0,3%; já quem executa uma ordem já oferecida paga 0,7%.

Após efetuada a compra, é possível sacar o valor adquirido de Bitcoins em reais para a conta no banco. Para isso, uma taxa cobrada do comprador na hora do depósito, e do vendedor na hora do saque, de 1,99% do valor da transação mais R$ 2,90. Desde 2014, há uma espécie de caixa eletrônico implantada pelo Mercado Bitcoin em São Paulo que permite a compra das moedas virtuais por uma entrada diferente.

Riscos

A moeda é conhecida por ser utilizada mundo afora em transações ilegais, como lavagem de dinheiro, compra de drogas, armas ou remuneração de criminosos. A falta de regulação e o anonimato favorecem essas atividades, mas defensores do Bitcoin argumentam que qualquer moeda, mesmo as que são reguladas pelos governos, podem ser utilizadas para cometer crimes.

Em comunicado, o Banco Central (BC) explicou que o valor de conversão de moedas virtuais para o real, por exemplo, depende da credibilidade e da confiança que os agentes de mercado possuam na aceitação da moeda virtual como meio de troca e das expectativas de sua valorização. "Não há, portanto, nenhum mecanismo governamental que garanta o valor em moeda oficial desses instrumentos, ficando todo o risco de sua aceitação nas mãos dos usuários", alertou.

Entre os riscos apontados pelo banco está o envolvimento de usuários em investigações de atividades ilícitas, mesmo que as transações tenham sido realizadas em boa-fé. O BC ainda acrescenta que, embora o uso das moedas virtuais ainda tenha oferecido riscos ao Sistema Financeiro Nacional, está acompanhando a evolução da utilização do instrumento e as discussões nos foros internacionais sobre a tema, caso seja necessário adotar medidas judiciais.

FIQUE POR DENTRO

Bitcoins seguem as leis do mercado

Bitcoins são moedas digitais baseadas em criptografia, inventadas em 2008, que podem ser utilizadas como meio de pagamento na internet. Não há autoridade central, governos ou bancos regulando ou intermediando negociações com a moeda, que é instável e segue as leis do mercado (maior procura, maior valor). Uma terceirizada - no Brasil, a Mercado Bitcoin - gerencia e cobra pelas transações financeiras, que são feitas de uma pessoas para a outra, sem intermediários. Trata-se de uma rede P2P. Existem empresas conhecidas, como Worpress e Reddi,t que aceitam o pagamento em Bitcoins, mas seu uso ainda gera controvérsias.

Mais informações:

Mercado Bitcoin

Www.Mercadobitcoin.Net

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