Setor produtivo reforça cobranças após renovação de decreto

Líderes apontam quais medidas esperam do Governo do Estado para amenizar impacto da crise

Legenda: Empresários reconhecem importância das medidas impostas pelo Governo do Estado, mas solicitam socorro à empresas
Foto: FOTO: CAMILA LIMA

Representantes dos setores do comércio e serviços reforçaram a cobrança de medidas que garantam a sobrevivência das empresas impossibilitadas de abrir durante o período de isolamento social renovado pelo governador no início da noite de ontem (4) para tentar conter o avanço do novo coronavírus, além de alternativas para o retorno gradual das atividades.

"Sabemos que é uma questão de saúde pública, mas há uma pressão muito grande por parte dos sindicatos solicitando a abertura (dos negócios), mesmo com horário e número reduzido de colaboradores e observando todas as proteções necessárias", disse Maurício Filizola, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE).

Ele diz que, mesmo com a prorrogação do pagamento de encargos estaduais, muitos empresários não conseguem honrar seus compromissos com fornecedores.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, disse reconhecer a necessidade de isolamento social mas ressaltou que, sem apoio do Estado, muitas empresas não vão sobreviver.

"Tenho que reconhecer que o Governo Federal já adiantou algumas medidas saneadoras, inclusive preservando os nossos colaboradores. Mais no âmbito do Estado, o nosso governador ainda precisa despertar para as empresas. Não temos nenhuma medida para desonerar a carga (tributária)", disse. "Precisamos que o Governo faça um Refis, alargando para 120 meses com a primeira parcela em janeiro de 2021, desde que, até lá, as empresas já estejam respirando".

O presidente da FCDL-CE defende que a medida inclua os Refis já em curso. "Não sou a favor de abrir de qualquer jeito. Mas 95% do varejo cearense é composto por pequenas e microempresas. E dentro dessas empresas há vidas. São empresários que não têm reserva para suportar essa hibernação".