Sem lockdown, comércio avalia serem razoáveis novas medidas de restrição

Horários foram reduzidos por novo decreto. Com tensão sobre avanço da pandemia, vendas em Fortaleza caíram 30% no mês, aponta CDL

Legenda: Shoppings terão horário de funcionamento reduzido em uma hora, das 20h para as 19h, conforme o novo decreto
Foto: Camila Lima

Em meio ao avanço da pandemia no Estado, o comércio cearense já previa um endurecimento das regras para o funcionamento das atividades econômicas. A não determinação de um lockdown, que proibiria a realização de atividades não essenciais, foi recebida com alívio pelos empresários do setor.

 “Psicologicamente, o termo lockdown é muito duro. Foram medidas razoáveis para nós”, avalia o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL Fortaleza), Assis Cavalcante. Ele aponta que, em fevereiro, as vendas do comércio caíram 30% na comparação com igual período do ano passado.

Antes permitido até às 20h, o novo decreto estadual estabelece que as lojas de rua passem a funcionar de 9h às 17h e as de shopping, de 10h às 19h durante a semana e de 10h às 17h aos sábados e domingos. O toque de recolher passou de 22h para 20h na semana e, aos fins de semana, a circulação fica restrita a partir das 19h. As medidas valem a partir de hoje até o próximo dia 7, mas podem ser prorrogadas.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, avalia que as medidas tomadas são necessárias para conter o avanço da pandemia. 

“Nós precisamos viver de acordo com a realidade e a essa altura, não há mais o que discutir. Todos estamos vendo que a solução imediata para conter o avanço do coronavírus ainda está no distanciamento. Da nossa parte, do comércio, nós sabemos que vamos apanhar, mas continuo apoiando as decisões governamentais, que não poderiam ser diferentes”, aponta.

Ele pondera, entretanto, que a diferença de apenas uma hora entre o horário do toque de recolher e o encerramento das atividades presenciais dos shoppings é um ponto que precisa de atenção.

“O que me preocupa é que os shoppings ficam abertos até as 19h e o toque de recolher é às 20h, restando muito pouco tempo para deslocamento. Vejo que isso pode gerar uma aglomeração. Não sou contra o toque de recolher, entendo que é uma ferramenta importante de disciplinar as aglomerações, mas sabemos que o grande gargalo é o transporte público”, pontua o presidente da FCDL-CE.

Rnegociação de dívidas

Diante da forte queda no faturamento, Assis Cavalcante revela que o setor deve se reunir com o Banco do Nordeste na semana que vem para tratar da repactuação de dívidas de operações de crédito. Na última quinta (26), o presidente da instituição, Romildo Rolim, revelou que o banco estuda prolongar o prazo de pagamento de dívidas para dezembro, abrangendo os setores mais afetados pela pandemia.

“Estamos tentando postergar os empréstimos. Os custos fixos permanecem e tem empresário vendendo imóvel para manter a sobrevida do negócio”, arremata o presidente da CDL Fortaleza.

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