O que faz de Fortaleza uma das principais cidades inteligentes do Brasil

A capital cearense ficou em terceiro lugar no ranking elaborado pela Conexis/Teleco. Levantamento utilizou como critério uso de ferramentas de mobilidade

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
Legenda: Não é estratégia votar sem pensar na nossa cidade, no nosso bairro, nos nossos problemas.
Foto: Gustavo Pellizzon

Bilhete único, aplicativos que permitem acesso a serviços públicos e Wi-Fi gratuito. Esses são apenas alguns dos pontos que fazem com que Fortaleza se destaque como uma das principais smart cities — ou cidades inteligentes — do País. 

De acordo com Ranking de Serviços de Cidades Inteligentes, promovido pelas consultorias Conexis e Teleco, a capital cearense ocupa a 3ª posição no que diz respeito à oferta de serviços por meio digital, visando facilitar a vida dos moradores.  

O levantamento considera os 100 maiores municípios brasileiros em número de moradores. Fortaleza avançou uma posição em relação ao levantamento de 2020, ficando atrás apenas de Uberlândia (MG) e Campo Grande (MS) em 2021. 

Conforme o presidente da Fundação de Ciência, Tecnologia e Inovação de Fortaleza (Citinova), Luiz Alberto Sabóia, a colocação faz parte de um esforço de pelo menos 8 anos para promover a digitalização da cidade. 

“Significa, na ponta, conseguir melhorar a qualidade de vida dos habitantes em todos os aspectos. O ranking em si é um rótulo, mas muito mais importante é o que está por trás”, comemora. 
Luiz Alberto Sabóia
presidente da Citinova

O que é uma smart city

Conceito já utilizado há pelo menos 15 anos, uma smart city é uma cidade que utiliza tecnologias para tornar a vida dos cidadãos mais prática, desde o acesso a serviços públicos por meio digital ou mesmo na captação de informações de forma inteligente. 

“É uma cidade que é gerida, entendida, observada, mensurada, por meio de tecnologias digitais e de processos em que se tenta trazer uma noção de inteligência”, resume o professor da UFC e líder do Grupo de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Espacialidade (Locomô), Paulo Victor Barbosa. 

Não existe uma única forma de mensurar quanto uma cidade é mais inteligente que outra. O ranking da Conexis/Teleco, por exemplo, considera a disponibilidade de serviços utilizados diretamente pelo cidadão nas áreas de mobilidade urbana, e-gov, saúde, educação e meio ambiente

Alguns exemplos de ferramentas que tornam uma cidade inteligente são bilhete eletrônico no transporte público, emissão online de boletos de tributos, serviços de agendamentos de atendimento, matrícula online e medidores inteligentes. 

Diferencial de Fortaleza 

Luiz Alberto Sabóia aponta que o lugar da capital cearense no ranking é explicado por diversas iniciativas, como o bilhete único, aplicativo de zona azul, carros e bicicletas compartilhadas e o Topbus+, que funciona como transporte público sob demanda. 

Conforme o gerente de infraestrutura da Conexis Brasil Digital, Ricardo Dieckmann, Fortaleza tem se destacado nos últimos anos em frentes de e-gov, educação e saúde. 

“Para o ano de 2021, o município se destacou ao apresentar uma melhora na facilitação de instalação de infraestrutura de telecomunicações, se tornando destaque entre as Cidades Amigas da Internet”, destaca. 

O presidente da Citinova considera que a cidade deve continuar evoluindo para se tornar mais inteligente a cada ano. Para isso, é necessária a união de diversas esferas da sociedade. 

“Uma cidade inteligente não depende apenas do setor público, depende também do setor privado e da academia. As empresas precisam adotar processos e a academia também, o primeiro desafio é integrar as iniciativas”, chama atenção. 

Desigualdade 

Para além da digitalização de iniciativas, um ponto fundamental sobre tornar uma cidade inteligente é fazer com que o acesso a ela seja o mais democrático possível. Para Paulo Victor Barbosa, as iniciativas da Prefeitura devem ser tomadas nesse sentido. 

Existem coisas que de vez em quando geram facilidade e outras vezes geram isolamento. Por exemplo, o cartão pré-pago do ônibus. Isso facilita para a gente não andar com dinheiro no ônibus, mas continua no rastro de certas desigualdades, nem todo mundo tem cartão de crédito para colocar no aplicativo ou condições de colocar crédito. Tem também uma questão geracional, nem todo mundo consegue lidar com esse tipo de procedimento
Paulo Victor Barbosa
professor da UFC e líder do Locomô

Segundo o professor, mais que inteligentes, as cidades devem ser inclusivas. Luiz Alberto Sabóia justifica que a Prefeitura investe em formação para evitar desigualdades. 

“Para o ano que vem a gente tem uma política pública recém-lançada que é o Juventude Digital, institui de forma permanente uma política de formação digital. Esse ano a gente já começou, temos em torno de 3.500 alunos, ano que vem queremos ter 12.500”, diz. 

Ranking das 10 cidades mais inteligentes do País

1. Uberlândia (MG)
2. Campo Grande (MS)
3. Fortaleza (CE)
4. Santo André (SP)
5. Belo Horizonte (MG)
6. Blumenau (SC)
7. Curitiba (PR)
8. São José dos Campos (SP)
9. Limeira (SP) 
10. Porto Alegre (RS)