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Nova rota para Europa anima exportadores de flores

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: O Ceará tem a tradição de exportar flores e plantas ornamentais para mercados como o dos Estados Unidos e o da Europa
Foto: FOTO: MARCELINO JÚNIOR

Segundo maior exportador do segmento no País, a cadeia produtiva das flores do Ceará vê nova perspectiva de crescimento com os cinco voos semanais de Fortaleza para a Europa (Paris e Amsterdã) pela Air France-KLM a partir de maio. De acordo com Gilson Gondim, presidente da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), as novas rotas irão incrementar a exportação para o velho continente.

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"O setor da floricultura tem crescido na medida do possível, considerando a dificuldade com a questão hídrica", explica o empresário. Ele aponta que a exportação, no ano passado, pode ter diminuído não por falta de mercado, mas em consequência das dificuldades de se lidar com a falta de água para a irrigação, o que, segundo conta, ocasionou o encerramento das atividades de um grande produtor do segmento no Baixo Acaraú - o que ele avalia ter impactado negativamente as exportações.

Escassez de água

"Mercado tem, (a empresa) parou porque não tinha mais água", lamenta Gondim, lembrando que um momento importante para o segmento são os meses de novembro, dezembro e janeiro, quando há inverno nos países do hemisfério norte e menos concorrência com a produção local dessas regiões. De acordo com o empresário, há um pico de exportação nesse período importante para o segmento. "O Estado tem um potencial muito grande para avançar nesse mercado", reforça.

Em relação às empresas do setor instaladas na região da Serra da Ibiapaba, que costuma ter melhores níveis de temperatura e pluviosidade, o presidente destaca que a principal produção é flores de corte, destinadas hoje totalmente ao mercado nacional. "É outro tipo de produto, já que a principal exportação do Ceará nesse segmento são as mudas e rizomas. Mas essas empresas também estão produzindo sem aumentar justamente por conta da insegurança hídrica", explica Gondim.

Produtos

O presidente ainda destaca que o Ceará tem tradição de exportar plantas ornamentais aos mercados dos Estados Unidos e Europa há mais de 15 anos, e que a cadeia produtiva das flores está se mobilizando para introduzir novos produtos no Estado, em parceria com a Adece e com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

"Todos os anos, são lançadas novidades no mercado internacional, como plantas novas, com arquitetura diferente, selecionados tipos com mais apelo, e nós queremos importá-las para que os produtores locais tenham produtos modernos e competitivos", pontua.

Mercado

Outra ação há tempos esperada por empresários do segmento deve começar a ganhar forma em breve. Trata-se do Mercado das Flores na Praça Joaquim Távora, um prédio com 1300 m² que abrigará pequenos produtores locais em boxes, como resultado de uma parceria da cadeia produtiva com a prefeitura e governo estadual. "As obras devem ser iniciadas ainda em janeiro, já está licitado, os projetos estão prontos e deve demorar uns dez meses para ser concluído", aponta o presidente.

O investimento para construir o equipamento, já apresentado no Diário Oficial do Município, será de R$ 1,9 milhão. Gondim explica que o mercado de floriculturas no Ceará ainda possui um grande número de pequenas empresas, alocadas principalmente na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), faltando espaços adequados para o comércio local.

"Muitos produtores de pequeno porte têm dificuldade de levar as mudas aos clientes por falta de locais adequados. Além de ter um apelo turístico e de incluir mais os cidadãos nesse âmbito, há um apelo de marketing importante que gera impacto para o setor", argumenta Gilson Gondim.

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