O Condomínio Logístico e o carro chinês de Horizonte
O Ceará atrai grandes investimentos estrangeiros que incentivam sua economia
Impressionam os números do gigantesco projeto do Condomínio Logístico, que, no entorno do Aeroporto Internacional de Fortaleza, vem sendo implantado pela empresa Aerotrópolis por concessão da alemã Fraport, que, no Brasil, administra, também, o aeroporto de Porto Alegre.
Suas obras avançam na velocidade da Space X e, hoje, um dos grandes galpões do empreendimento em construção abrigará a multinacional norte-americana DHL, a maior do mundo no transporte de encomendas.
Por sua vez, o galpão de outro portento mundial da logística de transporte, a Amazon, também segue em construção avançada, já prestes a ser concluído. Na mesma situação está o “truck center” com capacidade para 180 caminhões, com impacto imediato na geração de emprego e renda e na dinamização logística em Fortaleza e sua Região Metropolitana.
Trata-se, como se observa, de um projeto, que, tendo sido aprovado após percorrer as instâncias legais e ambientais competentes, está absorvendo investimentos que ultrapassam os R$ 1,2 bilhão, injetando mais otimismo à economia cearense, e podendo gerar 12,5 mil empregos diretos e 47 mil indiretos. A logística de transporte é uma área geradora intensiva de mão de obra.
Há pouco menos de um mês, esta coluna sobrevoou de helicóptero a geografia ocupada pelo Aeroporto de Fortaleza e sua área contígua, na qual segue sendo construído o Condomínio Logístico. Do ponto de vista arquitetônico, é uma obra que dá, esteticamente, um “up grade” não apenas ao terminal aeroportuário da capital cearense, um dos mais modernos do país, mas à própria cidade. Visto de cima, o condomínio é 100% semelhante aos que existem e operam na Europa e nos Estados Unidos.
São duas as vantagens desse empreendimento. Primeira: ele está fisicamente avizinhado à BR-116 e ao aeroporto; segunda: está a 5 quilômetros do Porto de Fortaleza e a 80 do Porto do Pecém. Ou seja, encontra-se integrado aos portões de exportação e importação de mercadorias, o que conta muito para a sua produtividade.
Quarta maior cidade do Brasil em população, Fortaleza e os municípios de seu entorno têm atraído investimentos nacionais e estrangeiros, o último dos quais foi o da unidade chinesa da General Motors (GM), que implantou uma fábrica no Polo Automotivo de Horizonte, onde, por enquanto (e só por enquanto, como esperamos todos os cearenses), opera o modelo CKD (Completely Built Up), ou seja, importa da China o veículo totalmente desmontado e faz aqui a sua montagem, tirando proveito – e aqui está a grande vantagem – dos incentivos fiscais e locacionais que o governo do Ceará oferece.
Esse processo CKD mantém os empregos na origem (a China), abrindo aqui apenas algumas vagas de trabalho para a montagem das peças. Não deixa de ser bom para a economia estadual, pois beneficia o lado social com a abertura de novos empregos, mas esse modelo não pode ser perene. Os chineses da GM (que podem ser também chamados de os norte-americanos da China) precisam acelerar as providências para que sua unidade cearense passe a ser, em curto prazo, uma fábrica de automóveis, utilizando máquinas e peças produzidas no Brasil. Enquanto perdurar o modelo CKD, perdurará, paralelamente, a desconfiança em relação ao objetivo do Polo Automotivo de Horizonte (o que se passou e ainda se passa em Camaçari, na Bahia, em relação à BYD, coloca de orelha em pé os industriais brasileiros – os cearenses no meio). Não se trata de uma crítica, mas de uma constatação. A questão baiana da BYD ainda não foi definitivamente esclarecida.
A favor da China e dos chineses, pode ser dito neste momento que foi a importação de automóveis elétricos produzidos na Ásia que reduziu, e muito, o preço dos automóveis no Brasil. Não surpreende, porque o custo de produzir na China é baixo, embora o salário-mínimo de lá seja maior do que o do Brasil, e as empresas chinesas, em sua maioria, pagam uma gratificação anual equivalente ao décimo terceiro salário. A grande diferença de lá para cá é a carga tributária. Na China, 25%; no Brasil, 34%, incluídos o IRPJ e a CSLL. Na China, o tributo retorna em forma de serviço de excelência em saúde, educação, infraestrutura, ciência e tecnologia. Aqui, o brasileiro tem de pagar dobrado pela educação privada, a saúde privada e a segurança privada.
Então, surge a pergunta: como competir com os chineses?
TASSO FALARÁ 5ª FEIRA PARA OS JOVENS DO SINDUSCON
Por meio da sua Comissão Sinduscon Jovem (CSJ), o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) realizará quinta-feira, 23, em Fortaleza, mais uma edição do “Construindo Conexões”.
O convidado do evento é o empresário e ex-senador e ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati, que participará de um almoço com jovens empresários do setor da construção civil. Na sua fala aos jovens do Sinduscon, Jereissati falará sobre o desenvolvimento econômico e as perspectivas para o ambiente de negócios no Ceará.
Tasso Jereissati foi três vezes governador do Ceará governou o Ceará por três vezes e foi seu senador por dois mandatos.
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