O Brasil de 2026 está difícil, mas o de 2027 estará pior

Segundo o FMI, a dívida pública do país baterá nos 100% do PIB. E os seus juros já consomem hoje mais de R$ 1 trilhão

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:29)
Legenda: Nuvens pesadas pairam sobre as instituições brasileiras, todas, infelizmente, atacadas pelo vírus da corrupção
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
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Hoje é sábado, dia ideal para refletir sobre o Brasil e seus problemas, que são muitos e crescentes. Parece registrar-se agora a chamada tempestade perfeita a desabar sobre o país -- uniram-se os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo para tornar mais grave o que já era gravoso. A opinião pública, estarrecida com o que acontece, lamenta que tudo esteja a acontecer neste ano eleitoral. Há um candidato à reeleição, o presidente Lula, contra o qual há candidaturas oposicionistas, a mais visível e propagada das quais é a de Flávio Bolsonaro, que, em algumas pesquisas, chega a estar à frente numericamente, mas em empate técnico com o principal adversário.  

Por enquanto, os candidatos e a mídia, também, estão nem aí para o gravíssimo cenário fiscal (nossa dívida pública, segundo o Fundo Monetário Internacional, chegará aos 100% do PIB no próximo ano). Todos, com justa razão, preferem focar seu olhar e suas análise no escândalo do Banco Master, o maior da história financeira do Brasil, não só pelo volume de dinheiro que o envolve, mas, principalmente, pelos ilustríssimos e meritíssimos personagens nele indiciados nas investigações da Polícia Federal, algo inacreditável na escandalosa crônica da corrupção brasileira.  

Esqueçamos, por um instante, as fraudes do Banco Master, seu dono Daniel Vorcaro, suas propinas, os ministros e políticos que as receberam, todos encalacrados, e nos debrucemos sobre a situação financeira do país, cujo setor produtivo, que gera emprego e renda, pede socorro porque respira por aparelhos por causa dos juros altíssimos, do crédito caríssimo, da intrincada Reforma Tributária – que, em vez de simplificar a vida do contribuinte, torná-la-á ainda mais complicada, segundo advertem os advogados tributaristas – e da fome insaciável do atual governo, um gastador empedernido. 

Nos últimos três anos, a despesa dos três poderes da República Federativa do Brasil só fez aumentar. E o rombo das contas públicas levou a dívida para o patamar de R$ 10 trilhões, no fim de 2025. Só para pagar os juros dessa dívida, o Tesouro Nacional gastou R$ 1,050 trilhão.  

Em 2027, haverá uma anunciada tragédia financeira. Pelo andar da carruagem do Palácio do Planalto, o próximo presidente da República, seja ele Lula ou Bolsonaro ou um “outsider”, terá à sua frente uma herança maldita, para cujo enfrentamento medidas muito duras terão de ser tomadas. Mas, por enquanto, vale repetir, ninguém está com o olhar em 2027, mas neste 2026. O presidente Lula está usando todo o arsenal de que pode dispor para garantir sua reeleição, mesmo que isto signifique, e está significando, mais aumento das despesas, mais aumento da dívida, mais aumento do gasto com juros.  

Prestem atenção, caros leitores, para o que esta coluna já disse e o repete agora: a folha de pagamento dos aposentados e pensionistas do INSS e do serviço público, somada à do pessoal da ativa e mais à do pagamento dos juros da dívida, tudo isto representa 100% do Orçamento Geral da República (OGU). Mas há outros 15% a 20% de despesas obrigatórias – saúde, educação, bolsa disso, bolsa daquilo, infraestrutura, tecnologia, inovação, segurança pública, emendas parlamentares -- para as quais, simplesmente, não há dinheiro no OGU. O que fazer? O que o governo Lula vem fazendo: socorrendo-se do agiota, que compra títulos federais em troca de juros altos.   

O Brasil aproxima-se, rapidamente, do momento em que a soma de todos os bens produzidos pelo país durante um ano será insuficiente para o pagamento de sua dívida. Quando isso acontecer, e já aconteceu em 1980, haverá a possibilidade de um novo calote. E aí a credibilidade do país irá para o espaço. Como consequência, os investidores que compram papéis soberanos do Brasil exigirão juros ainda maiores, tornando mais difícil a solução do problema.  

A pergunta que surge é: como se permitiu que o país chegasse, mais uma vez e em espaço de tempo tão curto, a essa situação de irresponsabilidade fiscal?  

O que preocupa, além de todos as dificuldades acima citadas, é a lamentável deterioração moral a que chegaram, também, as instituições da República. A corrupção tomou conta delas e chegou até o Supremo Tribunal Federal (STF), algo impensável no início deste Século XXI. O Brasil vive um momento de absoluta insegurança jurídica, razão pela qual nem no seu Poder Judiciário a população confia mais.  

Estamos mal, muito mal, infelizmente. 

A propósito, eis a manchete da manhã deste sábado do portal do jornal “O Estado de S. Paulo” sobre o escândalo do Banco Master: “Diálogos de Vorcaro mostram que BRB cobriu buraco do Master desde 2024: ‘Precisamos com urgência’”.  

Outros títulos da capa do portal do Estadão: “Em mensagens inéditas, banqueiro diz que precisaria usar ‘depósito compulsório’ caso dinheiro do banco estatal do DF não entrasse: defesas não se manifestaram”; “Banco Master devolve 14 mil m² de escritórios e abre disputa por prédio raro na Vila Olímpica”; “Andreazza: entrega de bagrinhos de Vorcaro não basta e Master vai muito além de escândalo”.  

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